Capítulo 8 - Pillowtalk.

486 30 17
                                        

Eram dez horas da noite e o bairro de Mayfair estava em completa escuridão, apenas alguns postes iluminavam a rua e a calçada em frente a casa de muros amarelos. A ruiva estava sentada na própria cama, lia um livro chamado "O duque e eu" enquanto a irmã mais nova dela fazia uma trança nos seus cabelos ruivos.

— Você acha que eu e o Alfred combinamos?

— Quem? — Felicity ergueu as sobrancelhas preocupada. — Eu acho mesmo é que você tem que focar em passar esse semestre.

— Eu também... Mas pra passar tenho que fazer um manuscrito, com aquela... pessoa, entende?

— Entendo. — Felicity desfez a trança e começou a definir os cachos da irmã. — Mas vai ficar com outro alguém só pra tapar buraco?

— Claro que não... Eu só... — Penelope fechou o livro devagar. — Não paro de pensar nisso.

— Vamos pensar em outra coisa, eu posso preparar algo que goste! — Felicity abaixou o livro das mãos da irmã, obrigando-a a encará-la. — Vamos? Eu faço o que quiser.

— Não precisa, na verdade, acho que já vou dormir. 

— Ah... Certo então. —  Felicity ajeitou a touca de cetim nos cabelos ruivos. —  Eu vou indo, caso queira brigadeiro de colher, estou no quarto vizinho.

— Obrigada por tudo, maninha. — Penelope a abraçou apertado antes de sair com ela e fechar a porta.

A terceira irmã Featherington sentia-se muito pior pelo que tinha feito a Colin, achava que desabar na conta de Shady Whistledown a ajudaria, mas a fez sentir uma culpa e uma ansiedade terrível. Ela fechou as luzes, arrumou a cama e se envolveu embaixo das cobertas com bastante receio do estopim que aquilo reverberaria na faculdade, vestia um vestido longo de tecido fino que a fazia sentir o frio vindo da janela, ainda aberta.

Além disso, estava com preguiça o suficiente para deixar o frio consumi-la por um tempo, como se tentasse punir a si mesma. No entanto, o frio sumiu e um barulho brusco veio da janela, ela abaixou as cobertas e a escuridão a amedrontou.

— Quem está ai? — Penelope empunhou o travesseiro. 

— Não quero te machucar. — Colin estava vestindo um moletom encapuzado, junto de uma calça e botas de escalada, era impossível de reconhecê-lo. — Só quero conversar.

— Socorro! — Penelope exclamou e começou a lançar os travesseiros nele, que correu até ela e tampou sua boca.

— Sou eu, Pen... fique quieta. — Colin sussurrou e acendeu o abajur na cômoda ao seu lado. — Por que você deixa a janela aberta quando vai dormir? É perigoso, sabia?

— Se eu tivesse fechado, faria diferença na invasão a minha casa?

— Na verdade, não. — Colin tirou o capuz e repousou um estojo de ferramentas na cômoda dela. — Eu trouxe uns... apetrechos.

— De onde você tirou essa ideia maluca, Colin?

—  Se eu tivesse batido a sua porta, você abriria pra mim entrar? — Colin perguntou e a mesma demorou a responder. —  Viu? Não abriria.

—  Você tem muita coragem em vir me julgar depois do que fez. —  Penelope cruzou os braços em um gesto de raiva, ao qual ele achou adorável. —  Muita mesmo.

— Certo, mas você não gritou ou me expulsou até agora... —  Colin deu de ombros. —  Ou seja, me quer aqui.

—  Eu...

— Está tudo bem, Penelope? — A voz inconfundível de Portia surgiu em sua porta e os dois se assustaram.

— Fique quieto... —  Penelope sussurrou e depois voltou a exclamar. — Oi, mãe! Era uma barata e...

YellowOnde histórias criam vida. Descubra agora