A família Bridgerton já estava inteiramente reunida para o café da manhã. Como de costume, havia uma grande mesa principal e, ao lado, uma menor reservada às crianças. Mas, diferente de todos os outros dias, Colin Bridgerton não foi o primeiro a chegar. Na verdade, foi o último.
O clima no ar era tenso, quase palpável. Todos o aguardavam em silêncio, não por simples formalidade, mas pela apreensão que pairava desde que Shady Whistledown publicara seu último post, jogando a reputação dele diretamente no chão.
Quando Colin finalmente entrou e se sentou, encarou aquele silêncio absoluto como se fosse orgulho — mas, no fundo, sabia que era mais ameaça do que respeito.
— Bom dia. — Eloise o cumprimentou, tentando soar natural. Logo, os outros seguiram o exemplo. — Quer um conselho? Não dê a mínima para o que ela disse.
— Não se preocupe. — Colin respondeu seco, enfiando o garfo no pão com força, esmagando-o. — Eu vou desmascará-la.
— Acho difícil, irmãozinho. — Benedict tentou aliviar o peso da conversa com seu tom brincalhão. — Mas, se serve de consolo, se não fosse por ela, eu nunca teria conhecido Sophie.
Anthony, o mais sério, assentiu. — Verdade. Se não fosse pela Whistledown, talvez eu nunca tivesse sido o "garanhão da temporada".
— Ou o cafajeste mais cafona da época. — Kate rebateu, rindo da cara dele.
Colin, no entanto, não achava graça. — Vocês falam dela como se fosse um mérito ser fofoqueira. — E tomou um gole tão grande de café que quase queimou a língua. — Ela vivia ridicularizando a Penelope... e tantas outras pessoas também.
Eloise assumiu um semblante mais pesado, o silêncio voltou à mesa. — É verdade. Ela feriu muita gente... merece ser desmascarada.
Colin ergueu o celular, fitando o último tweet de Shady, e falou com rancor:
— Eu vou encontrá-la. Vou fazê-la se arrepender.
Aquela manhã de domingo seria decisiva: além de reconquistar a confiança de Penelope, Colin precisava descobrir quem estava por trás da máscara da blogueira.
Depois de devorar três pratos e ainda esperar por mais uma fornada de pães franceses, todos os irmãos deixaram o cômodo — menos Hyacinth e Eloise.
— Então, qual o plano? — Eloise cruzou os braços, encarando-o com seriedade.
Colin arqueou uma sobrancelha. — Estranho ver você tão disposta a ajudar... Mas vá em frente, quero ouvir.
Hyacinth, sonhadora, foi a primeira: — Você podia levá-la ao cinema! Algum filme de época, bem romântico! Ah, já vou pedir flores pelo iFood!
— Dá pra pedir flores no iFood? — Eloise a olhou incrédula.
— Eu não sabia disso. — Colin admitiu, confuso. — Tá... Cinema parece legal.
— Pode ir no meu carro. — Eloise jogou as chaves na mesa. — Mas não arranhe, não quebre, e principalmente... não transe dentro dele.
— O que é transe? — Hyacinth levantou os olhos do celular.
Colin quase engasgou. — É um... estado de espírito. Isso mesmo.
O assunto foi encerrado com uma risada forçada, e logo as duas irmãs se uniram para transformar Colin em alguém apresentável. Seu gosto por roupas era peculiar: bermuda verde-escura, camisa de time brasileiro, tênis de outra cor. Ele acreditava que o "ar viajado" conquistaria Penelope. Mas Eloise e Hyacinth discordaram.
Depois de vasculhar o guarda-roupa, decidiram: blusa polo branca, calça preta ajustada na medida, tênis pretos discretos, relógio estiloso (embora quebrado) e, por fim, perfume Malbec borrifado no ar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Yellow
FanfictionApós passar um semestre de intercâmbio no Brasil, Colin Bridgerton, retornou de sua viagem para a Universidade de Cambridge na Inglaterra. Esse sonho realizado repentino, por mais que recheado de diários de aventuras preenchidos, o fez ter que atras...
