Irresistível

80 11 6
                                        

Não interessava se era um aviso. Ou se ele estava em perigo.
Sendo consciente do que realmente está em jogo, Charlie agiu.

Ele havia conseguido algumas informações interessantes ao entrevistar alguns estudantes do clube de ficção da escola de sua filha. De inicio ficaram intrigados, mas conforme o interesse de Charlie os encantavam, eles se soltaram e disseram até o irrelevante.

"Dizem que tem deles por aqui. Digo, essas escrituras, sabe, as formas são bem semelhantes as descritas nos livros. Mas nunca ninguém consegue tirar a prova por dizerem que é protegido..."

A jovem tinha os olhos brilhantes focados em Charlie, este, franziu o cenho com a informação pouco vaga.

"Você diz que as áreas remotas que nós mandamos interditar, por conta das pessoas que faziam trilha desaparecerem, por obviamente sofrerem acidentes, é o local que jogaram os boatos de assombração?"

O policial deu um sorriso de canto quando a garota assentiu rapidamente. Mas um rapaz de óculos respondeu sua crítica.

"Veja bem, lá já foi bem conhecido por abrigar um tipo de comunidade ritualística..."

"Sim lembro-me bem. Eu era um dos responsáveis de tirar eles de lá."

"Isso atraía muitos jovens curiosos, que acabaram sendo vítimas desses tais acidentes. Eu te pergunto sinceramente. As investigações foram feitas a fundo, até o limite da área?"

"Obviamente era impossível. Já que o perigo era iminente,  muitas barragens de rios, mata alta e relevos delicados, que poderia ceder sobre os investigadores."

O rapaz assentiu e mais um interveio para finalizar.

"Olha só! Exatamente como esperado. Obviamente são lugar inexplorados ou investigados. Um corpo seria facilmente encontrado nessas redondezas pouco acessíveis, principalmente pelos seus cães treinados. Então como não sobraram nem rastros, obviamente tem um caso extraordinário por trás disso."

"Veja isso, senhor Swan, esse antigo mapa não condiz com o atual."

"Obviamente por que foi atualizado, esse foi feito visualmente. Enquanto o outro via satélite-"

"Entendo, mas não é isso... nem aparentar ser um mapa, isso aparenta."

O terceiro a narrar o fez notar. Charlie se forçou a prestar atenção e algo surgiu ali.

O garoto continuou.

"Sem um olhar analítico, realmente pode parecer algo como um mapeamento simples, mas para quem já está acostumado a trabalhar com histórias nativas e seus meios culturais, suspeita e vê coisas onde não há. E isso obviamente é um mapa total da nossa cidade, mas com marcações de locais proibidos aos ignorantes."

Um velho tecido onde foi pintado um mapa antigo da cidadezinha, agora, estava sendo estendido na mesa. Muito bem desenhado, mas com alguns pontos destacados como um borrão preto. A menina, primeira a argumentar, pegou uma linha vermelha com point e passou a pregar nessas poucas manchas enquanto narrava.

"Um. Dois e três. Essas duas juntas. E essas quatros aqui. E então, temos regiões como se fossem tribos, ou algo do tipo, sei lá,  é só uma suposição querendo ou não. E só descobrimos, ou criamos essa suposição,  por que era suuuper normal existirem códigos de omissão."

Ela juntou as mãos e logo apontou para cada centro envolvido pelas linhas.

"Aqui é próximo ao pico no limite do mar, nunca conseguem ultrapassar as barreiras de matas, dizem que são muitas elevações que cedem com o peso humano. Por aqui, é no limite da floresta, onde puseram barreiras antes de chegarem na correnteza, ninguém nunca passou por ela para chegar noutro lado da floresta. E aqui está na saída da cidade. Existem alguns chalés por lá, a maioria abandonada após investidas de animais ferozes. Nunca soubemos se foram ursos ou lobos, seja o que for, fazem muita bagunça quando tem presença humana."

Eclipse - E se...Onde histórias criam vida. Descubra agora