A primeira semana correu tensa. Mas Charlie não precisou se estressar com ver ou conversar com Riley.
Nesse dia, Charlie acordou com o sol filtrando-se pelas cortinas amareladas do escritório. Acabou adormecendo por ali, e dessa vez ninguém o levou para a cama macia, desfalecendo no sofá que mal o cabia por inteiro.
O silêncio da casa parecia ensurdecedor. Ele se levantou do sofázinho, com os músculos cantando de dor e a mente ainda turva de sono mal suprido.
Na cozinha, o café borbulhava na cafeteira, o aroma familiar preenchendo o ar, mas mesmo isso não conseguia aliviar a inquietação que o consumia. Charlie preparou um copo, mas o sabor amargo do café não era suficiente para despertar sua mente dos pensamentos sombrios. Ele se sentou à ilha, encarando a parede, lembrando-se do riso de Bella e da luz que ela trazia para sua manhã mesmo que chovesse.
A preocupação com sua segurança se transformava em um peso insuportável em seu peito.
Aquele dia passou lentamente. Charlie tentou se distrair, organizando documentos que seriam ótimos para sua investigação, limpando a casa, pois, querendo ou não, tinha que viver ali. Mas, a cada tarefa, sua mente retornava a Bella, odiando não ter um telefone ao dispôr.
...
Outro dia que começou com o mesmo silêncio, com a mesma calma, sem sensações de desconforto ou tenções por olhares pesados. Charlie acordou mais cedo, como se o impulso de buscar respostas o tivesse tirado do sono.
Ele decidiu investigar a casa. Tentou urgentemente se convencer de que a rotina de investigar cada livro disposto naquele escritório e até no quarto de Riley poderia ajudá-lo a pensar com clareza.
Mas cada passo, cada folha, cada nota que fazia em uma agenda que usurpou, parecia ecoar em um vazio profundo em seu peito, focando apenas na imagem de sua filha e do rapaz que jurou decência e que Charlie estava começando a gostar.
Engolia em seco e sofria em silêncio, com páginas desenhadas e escritas desfocando em sua frente, mas em momento algum caindo em prantos.
Mais um dia jogado fora com investigações sem progresso.
...
Na próxima manhã, Charlie caminhou até a cozinha, onde o cheiro do café fresco era uma das poucas coisas que ainda lhe trazia um mínimo de conforto. Enquanto a bebida quente escorria pela caneca, ele olhou pela janela meio embaçada pela úmidade do pico, observando a densa vegetação que cercava a casa, além do abismo.
A solidão o envolvia como um manto pesado, e a ausência de vida além dele o fazia sentir-se como um náufrago em uma ilha deserta.
A mente de Charlie estava em um turbilhão. Ele pensava em sua filha, em como ela deveria estar se sentindo, longe dele e com apenas uma promessa vaga de que está melhor nas mãos de um provável assassino. E com a ideia a ansiedade aumentava, e ele se perguntava se estava fazendo a coisa certa ao ceder com a prisão, enquanto o mundo lá fora continuava a girar. Mesmo que já tivesse tentado encontrar outras formas de sair, ainda sob o pedido de Riley de não tentar fazê-lo.
E o máximo que conseguiu foi dar alguns passos fora da casa ao arrombar a tranca e o cadeado da corrente na porta dos fundos.
Mas, a floresta parecia um labirinto interminável. Ele havia se aventurado para fora da casa apenas para se perder entre as árvores altas e os arbustos espessos, o medo crescendo a cada passo pelo desconhecido logo a frente. A sensação de estar sendo observado também, o fez voltar correndo, a respiração acelerada e o coração batendo descontroladamente. Imagionando que sua mente já estava se quebrando com tamanha falta de interação social.
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Eclipse - E se...
FanfictionEstamos aqui..., onde Charlie é um pai solteiro, cuidando arduamente de sua filha adolescente e apaixonada, enquanto o desaparecimento de jovens que ocorre pela cidadezinha de Forks, assusta os moradores plenos. E mal ele sabe, que existe um ser mui...
