Olhar de Fogo II

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 Charlie estava sentado na cama do quarto de hóspedes, a luz fraca do abajur lançando sombras suaves nas paredes. A chuva lá fora não era agressiva e acalmava os músculos tensos do homem.

 Ele organizava alguns utensílios que tinha encontrado em uma pequena caixa de primeiros socorros: gaze, antisséptico e uma tesoura.

Logo, a porta entreaberta rangeu suavemente, e Riley entrou mansamente, como se temesse ser descoberto. O olhar do policial encontrou o rosto que revelava cansaço, logo, descendo pelo corpo semi-nu, apenas em calças largas de dormir. As terríveis marcas de agressão e torturas arrepiaram a estrutura de Charlie, que não demorou na avaliação e gesticulou, chamando Riley para se juntar na cama.

O nó na garganta veio, ao ver o rapaz se aproximar com tamanha lentidão, quase predatório. Limpando a voz, tentou afastar a estranha tensão imposta neles. 

"Você precisa de cuidados."

Desviou dos olhos brilhantes em âmbar, apenas ouvindo a voz profunda.

"Eu ficarei bem. Apenas estou enfraquecido."

"Bem? Você está longe de ficar bem."

Charlie respondeu com o tom firme. Ele pegou o antisséptico e começou a limpar os cortes expostos no braço de Riley, que fechou os olhos soltando um suspiro de entre seus lábios.

"Sinto muito, Charlie..."

Com um olhar indiferente, o homem não entendeu, e o rapaz continuou.

"Por ter deixado você sozinho por tanto tampo."

"Estou acostumado, não é muito diferente de quando Bella estava com a mãe dela-"

"É, Charlie... a situação é completamente diferente, e pior."

O homem parou com seu afazer, mantendo a atenção no corte fundo, mas que não sangrava. O vermelho na parede do interior da pele exposta, o afogou mesmo não sendo completamente líquido. Só voltou quando Riley continuou.

"Victoria me manteve preso quando me entregaram a ela. Por isso não voltei nesse tempo. Consegui escapar quando eles tentaram me matar."

A confissão saiu como um sussurro, e a fraqueza em sua voz era palpável. Charlie apenas engoliu em seco e continuou com a atenção no serviço, sentindo que, além das feridas físicas, havia uma batalha interna que Riley estava lutando. O que o impulsionou a indagar.

"Você está muito pálido do que o normal, e parece anêmico, além do cansaço..."

Charlie terminava de cobrir um corte profundo no braço de Riley quando foi respondido.

"Fiquei sem me alimentar por muito tempo e estou fraco demais para caçar. Apenas preciso descansar e estarei melhor."

Charlie, com o foco intenso em seus cuidados, se inclinou sobre Riley, estava tão concentrado em limpar os cortes no peitoral dele que não percebeu o efeito que sua presença próxima passou a causar.

Riley observou Charlie, fascinado. A maneira como ele aplicava o antisséptico com delicadeza, como se cada movimento fosse uma promessa de proteção, fez o coração de Riley acelerar. O olhar de Charlie estava fixo nas feridas, mas havia uma intensidade em seu semblante que o deixava ainda mais bonito. A preocupação e a determinação se misturavam em seu rosto, e Riley não pôde deixar de se perder naquela visão.

Enquanto Charlie se inclinava ainda mais perto, Riley ficou embriagado pelo perfume nos cabelos pretos, sentindo uma onda de calor percorrer seu corpo, e por um momento, as dores e as cicatrizes pareciam distantes, quase irreais.

Eclipse - E se...Onde histórias criam vida. Descubra agora