O olhar dele era como ser queimado pelo calor do fogo, mesmo sem tocar. Nota-se que seu estranho interesse tem um quê de sombrio. Não dá para saber o porquê, mas ele está ali, observando, absorvendo, sentindo...?
*
Naquela manhã, Charlie acordou sentindo-se dolorido. A cama era a mesma, mas um peso cobria seus músculos, como se tivesse passado por um pesadelo vívido, embora não conseguisse se lembrar dele. A visão através da enorme janela já não era tão espetacular quanto antes, agora trazendo uma sensação de solidão e distância.
Já passado um tempo, mesmo com a neblina de umidade rodeando a casa do lado de fora, um imenso calor tomava conta do corpo de Charlie que já não estava tão animado para aquele dia, mas, mesmo assim se arrastou para fora da casa - desta vez sem precisar arrombar nada. Riley havia saído, mas não trancou a casa por fora.
O sol se escondia entre as altas árvores naquele lado da casa, e, com um machado nas mãos, Charlie começou a juntar combustível para a lareira.
Riley sentia uma amargura.
Ele estava sobre uma grossa galha da árvore mais longe da casa de Charlie. Em seu ponto de visão, Bella estava sentada nos degraus da varanda, com as mãos no rosto. Ela parecia pálida e esguia, um sinal de quem não havia dormido ou se alimentado direito – uma imagem que partiria o coração de Charlie.
Ao lado dela, Edward a confortava, rodeando-a com o braço e murmurando palavras de apoio para a menina abalada, enquanto um grande cachorro permanecia por perto.
Riley tinha a missão de ao menos dizer a Charlie que a menina estava bem. Mas obviamente o homem não se satisfaria apenas com palavras vagas. Então, sustentando o celular do próprio homem, visou o casal na varanda.
Depois de muito tempo observando o drama que se seguia, escolhendo as imagens pouco terríveis, Riley acompanhou quando Edward puxou Bella pela mão e a guiou para dentro da casa, mais uma foto e estaria completo, e assim que a fez, paralisou em seus movimentos sob o olhar que o outro jovem deu em sua direção. Mesmo sob as galhas e bem camuflado, não era possível que o outro conseguisse identificá-lo facilmente.
E quando Riley acreditou que foi pego, Bella interveio falando com o namorado, que lhe deu atenção, apenas franzindo o cenho como se tivesse visto apenas uma ilusão.
Riley não estava aliviado. Aquilo realmente era horrível de se lidar, mas se fosse por Charlie, para mantê-lo mais um pouco consigo...
"Deve acreditar que sou muito burro..., não é mesmo?"
Ele disse de repente.
"Gosto da sua audácia, Riley..."
Subindo seu olhar para a base da grossa galha onde estava, Riley visou Victória arquear uma sobrancelha enquanto capturava uma folha prestes a morrer entre seus dedos. Rodando nas pontas dos dedos aquela delicada folha, ela sorriu de canto, mas não transmitindo algum tipo de satisfação.
"E você deve ser muito corajoso em não encobrir seu rastro..., acredita mesmo que não irei atrás de você?"
Dando uma ultima olhadela na casa e no celular em sua mão, Riley guardou e simplesmente pulou para o terreno.
"Não estou te substimando, Victoria, apenas não temo o que fará comigo."
"Mas e se eu fazer com ela?"
Pousou no chão.
"Tente a sorte... ela tem os Cullen."
Novamente olho no olho, ela comprimiu o olhar como se duvidasse do que realmente ouviu, bufando em enfeito revirou os olhos e cruzou os braços.
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Eclipse - E se...
FanfictionEstamos aqui..., onde Charlie é um pai solteiro, cuidando arduamente de sua filha adolescente e apaixonada, enquanto o desaparecimento de jovens que ocorre pela cidadezinha de Forks, assusta os moradores plenos. E mal ele sabe, que existe um ser mui...
