Prólogo

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Ella havia nascido em um pequeno vilarejo do reino de Veridia. Rodeada de amor e com uma vida simples, embora seu pai Robert, possuísse grande fortuna e alguns empregados. Alicia e Robert amavam a filha e a vida simples que eles levavam pouco mais afastada da grande sociedade, possuíam uma casa grande e confortável, com um grande jardim repleto de rosas brancas, que a própria Alicia cultivava.

— Vê, Ella? Como as flores estão bonitas hoje? — a mulher perguntou, recebendo um aceno positivo da filha. Andava com a pequena garotinha de sete anos e cabelos tão dourados quanto o próprio sol, ao seu lado.

Ella olhava todas as rosas com uma admiração e curiosidade genuínas de uma criança de sua idade, quando sua mãe continuou.

— Elas estão bonitas pois foram cultivadas com amor e carinho, todas as coisas desse mundo Ella, todas. Merecem amor e carinho, para que sejam tão bonitas quanto essas flores.

— Amor e carinho! — exclamou sorrindo, abraçando com delicadeza, uma das rosas.

Alicia sorriu, admirando a filha. Ella era a sua pequena representação, era como se ver mais nova, a pele bronzeada pelo sol, assim como a sua, os cabelos loiros e com pequenas ondas a deixavam apenas mais adorável, aos olhos de quem quer que conhecesse a pequena Ella Monclair.

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Mas, assim como as estações, a vida de Alicia chegava ao fim. A doce mulher havia adoecido gravemente, e nem mesmo o melhor curandeiro do reino conseguia curar aquela doença.

— Ella... Chame a Ella, por favor Robert... — pediu em um fio de voz.

— Querida...

Mesmo que seu coração estivesse apertado, pediu para que uma das empregadas trouxessem a filha para ver a mãe, Robert sabia que aquela seria a última vez em que Ella veria a mãe.

— Não deveria se esforçar tanto.

Alicia sorriu. Da forma que somente ela conseguia, e apertou a mão do homem suavemente.

— Quero... me despedir da Ella.

O homem de cabelos pretos se ajoelhou ao lado da cama, com os olhos marejados, deu um beijo casto na testa da esposa.

— Mamãe...

— Minha querida. — mesmo que não possuísse mais forças em seu corpo, Alicia se sentou na cama com ajuda do marido, e abriu os braços para que a pequena Ella a abraçasse.

— Mamãe, por favor não vá embora... — suplicou com o rosto vermelho pelas lágrimas que escorriam por suas bochechas.

— Estarei sempre com você, minha pequena Ella. — mesmo fraca, retirou um pequeno colar que usava, era um colar simples com alguns cristais no pingente, o colocou na filha e acariciou os cabelos longos da garotinha — Eu sei que você vai crescer e ser uma bela moça, nunca deixe de ser gentil Ella. Nunca... nunca deixe de acreditar... nos seus sonhos...

E com um último suspiro, Alicia fechou os olhos lentamente, sua mão parou nas costas de Ella. A pequena foi abraçada por seu pai enquanto os dois sentiam a perda da luz de suas vidas.

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A dor com o passar dos meses aos poucos foi ficando suportável para pai e filha. Mas Robert ainda achava que Ella precisava de uma figura materna, ela precisava de uma mãe! E então, em uma tarde de inverno, Malvina Drakov e suas duas filhas, Anastácia e Lilian, apareceram na vida de Ella.

— Querida, essa é Lady Malvina, sua nova madrasta. — Robert apresentou a mulher com um rosto fino e nariz pequeno, os cabelos pretos presos em um grande coque faziam Ella se perguntar o quão longos eles eram. Os olhos verdes da mulher eram sérios e lhe davam calafrios, o vestido simples não contrastava em nada com o caro colar de pérolas.

Ella apenas fez uma breve reverência a mulher, e logo avistou duas meninas pouco atrás dela, uma parecia ser mais velha e a outra aparentemente possuía a sua idade.

— Essas são Lilian e Anastácia, filhas de Malvina. E agora, suas irmãs.

Ella sorriu de forma simpática, a casa antes vazia agora estaria um pouco mais cheia.

Malvina era uma pessoa séria e rígida, fazia com que Lilian fizesse aulas de canto, mesmo que sua voz não fosse nenhum passarinho alegre cantando na primavera. Enquanto Anastácia tocava piano, Ella gostava de admirar a pequena garota ruiva tocar, assim como seu pai, a garotinha adorava dançar, ler e cavalgar com o cavalo do pai, Robert sempre que podia estava com a filha na pequena sala de festas, uma dança simples, porém elegante.

Mas quando tudo parecia estar se acertando, seu pai teve que viajar mais uma vez.

— Prometo que volto logo, Ella. Até lá, cuide do Veloz por mim, sim?

— Prometo!

— Boa menina.

Ella nunca esqueceria o último sorriso que seu pai havia dado para ela. Algumas poucas semanas se passaram quando a família recebeu a notícia de que Robert havia morrido em um naufrágio, onde poucos saíram com vida e bem.

Ella mais uma vez havia perdido sua família, seus pais. Tinha apenas sua madrasta e suas irmãs postiças para lhe fazer companhia agora...

E se for ela?Onde histórias criam vida. Descubra agora