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Lembrete inicial: tivemos postagem do capítulo 24 na última sexta-feira (dia 11/10). Se você ainda não leu, volte um capítulo atrás antes de continuar com este. ♡

Dias normais, era só o que Kurt queria

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Dias normais, era só o que Kurt queria. Por um tempo, que não sabia quanto poderia durar, ele decidiu ser aquilo em que era melhor: apenas o mecânico. Apesar dos dedos fraturados da mão, que ainda estavam se colando no lugar, ele deu o seu melhor.

No momento em que voltou para a garagem e o Camaro estava lá fora — ainda preto, ainda sombrio, ainda parecendo um estranho — Kurt telefonou para o ferro-velho de Santiago para perguntar se ele tinha interesse em ter de volta o carro que havia lhe vendido. Quando o homem chegou com um guincho, ele encarou a situação do Camaro, mas não fez nenhuma pergunta. Santiago era alguém acostumado às bagunças ligadas a Mackenzie. Apenas pegou o Camaro e o levou, deixando Kurt assistindo àquela parte importante de sua vida sendo carregada pelo reboque.

Não houve nenhum carro novo depois daquilo. Isso significava que Kurt não poderia correr. Mas ele também contava que, com isso, conseguiria se distanciar de novos problemas.

Os dias passaram na sombra de uma dor de cabeça mansa; algo que Kurt reconhecia como efeito colateral de tantas reviravoltas bruscas. Manteve-se quieto o quanto pode, apenas focado no trabalho. Afinal, ficar sem corridas significava ficar sem apostas. E sem apostas, precisava se dedicar a conseguir dinheiro de outra forma. Começava o serviço cedo, terminava tarde. Passava a maior parte do tempo na garagem, debaixo dos carros, sem tempo ocioso ou energia para jogar conversa fora. Ele precisava mesmo de um tempo, de qualquer forma.

Algumas vezes, acontecia de não perceber se havia mais alguém no deserto com ele ou não. Quando os outros saiam juntos em um carro só, ou dividiram o velho trailer para um passeio despretensioso, ele passava o dia sem trombar com ninguém.

No fim da semana, Kurt teve certeza de que não havia mais ninguém na Toca porque Mackenzie veio se juntar a ele no trabalho na garagem. Mac poderia fingir que não, mas era alguém que não suportava ficar sozinho. Enquanto Kurt fazia um trabalho silencioso dentro do Porsche, ele também chegou sem fazer barulho e acendeu um cigarro.

O céu sem nuvens dava a eles um dia ensolarado e quente. Kurt tirou o Porsche da garagem, para aproveitar a luz natural, e abriu as duas portas para não sufocar de calor lá dentro. Sem camisa, Mackenzie se sentou bem onde a luz do sol se refletia no capô branco e deitou as costas no vidro do para-brisa. Ele parecia querer apenas relaxar para um bronzeado, mas Kurt já o conhecia o bastante para saber que aquilo significava que ele queria companhia.

Kurt continuou seu serviço. Deitou-se de cabeça para baixo no banco do motorista, a cabeça e os ombros enfiados debaixo do volante, e se colocou a reajustar os pedais. Gastou bons minutos naquilo e, quando se levantou de novo, Mackenzie ainda estava lá. Limpando a sujeira das mãos numa flanela, Kurt sentou direito no banco e estudou o corpo seminu de Mac pressionado contra o vidro, lançando sombra para dentro do Porsche.

Colisão [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora