Epílogo
TRÊS ANOS DEPOIS
A fama da mais nova loja automotiva de Santa Bárbara correu rápido. Apesar de ser um negócio pequeno de apenas dois proprietários, já acumulava filas e mais filas de carros em torno do quarteirão. Para acomodar o rápido crescimento, tiveram que mudar o endereço da loja por três vezes no último ano, ocupando lugares cada vez maiores.
De cima de uma escada, Kurt pregava com um martelo a placa na fachada no novo prédio de mil metros quadrados. Quando terminou e desceu de volta para a calçada, ele contemplou orgulhoso o nome que a placa ostentava: A TOCA - Oficina e Auto peças.
Distraído pelo som de carros chegando e da manhã despertando, ele não ouviu uma aproximação vindo por trás. Mas sentiu quando a presença se materializou em um par de mãos deslizando por seus quadris, terminando com um beijo impresso em seu pescoço. Kurt reconheceu sem ter que olhar. Então fechou os olhos, com um sorriso nos lábios, e esticou uma mão para trás, alcançando a parte de trás da cabeça de Nash para afagar um carinho em seu cabelo raspado.
— Mesmo em pleno sábado, o dia promete ser cheio — Nash murmurou em sua orelha, por trás dele. — Estou começando a pensar que esses caras estão ganhando mais atenção do que eu.
Kurt enfim se virou e deu uma olhada na fila que começava a se formar onde não havia mais vagas livres para estacionar. Então acenou para alguns dos clientes conhecidos, nas vagas mais próximas.
— O pior é que tenho que fechar os pedidos com os últimos fornecedores ainda hoje. — Kurt olhou de volta para Nash. — Consegue cuidar disso aqui fora sozinho, só até eu terminar?
— Não sou o grande mecânico favorito deles, mas posso distraí-los, com certeza. — Nash o beijou outra vez, agora no rosto, provocando ambos os sorrisos a se esticarem ainda mais.
Era incrível como o sentimento nunca parecia desbotar. Tendo Nash olhando para ele daquela forma, como se sempre fosse a primeira vez, só fazia as borboletas rodarem mais forte em seu estômago. Kurt se perguntava se seus sentimentos também apareciam estampados em seu rosto do mesmo jeito, porque ele desejava que sim. Para que todos vissem e soubessem.
Enquanto Nash se dedicou a atender fregueses de casa na calçada, Kurt se esgueirou para a pilha de papéis que o esperavam no balcão do lado de dentro. Com o telefone espremido entre o ombro e a orelha, ele conversou com diferentes fornecedores, repassando listas de pedidos. Freneticamente, uma mão riscava papéis, enquanto a outra clicava as teclas de uma calculadora.
Foi entre uma pausa e outra, conversando na linha com o contador que haviam contratado para os negócios, que Kurt abriu a gaveta do balcão e se deparou com algo que o fez congelar. Uma pecinha circular de metal que rolou do fundo e parou à frente de seus olhos, brilhando.
Ele desligou a ligação telefônica e continuou encarando sem reação. Mas esperou que Nash fosse até lá dentro, buscar algumas peças automotivas, para chamá-lo e tentar esclarecer aquilo.
— Nathan Hay Jones, o que é isso? — Kurt apontou para dentro da gaveta.
Nash olhou o objeto e o capturou entre a ponta dos dedos, como se não tivesse o mesmo medo que Kurt tinha daquilo.
— É um aro dourado, feito de ouro, com 24 quilates, bem polido, e curiosamente do tamanho exato do seu dedo. — Nash terminou de descrever encaixando o anel no anelar de Kurt. — O que parece pra você?
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Colisão [COMPLETO]
General FictionVENCEDOR DO WATTY AWARDS 2018 NA CATEGORIA CRIADORES DE MUDANÇAS Para Kurt Young, a vida sempre foi dura. Mas o ruim conseguiu se tornar pior desde que ele saiu de casa com o carro que roubou do pai. Longe do subúrbio onde foi criado, ele se arrisco...
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