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Na bomba de gasolina, os números do contador corriam de 0 a 9 apressados

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Na bomba de gasolina, os números do contador corriam de 0 a 9 apressados. Kurt pensou que se a contagem estivesse ao contrário, na regressiva, seria exatamente como se sentia. Ele estava vivendo dentro de prazos. Seus dias ora contados pelas ameaças de P.J., ora pela última semana determinada pela polícia para que aquilo acabasse. Se não fizesse nada até lá, não seria apenas a sua cabeça na mira do tiro. Mas esse era o problema: ele não tinha o que fazer, uma vez que se entregar a P.J. estava fora de questão desde que Nash o proibiu de bancar o suicida.

Quando a contagem na bomba congelou, Kurt puxou a mangueira e fechou o tanque com um empurrão do quadril. Estava a caminho da porta do motorista, mas parou assim que sua visão por cima do teto do carro flagrou a porta da loja de conveniências abrindo. Um homem se servindo de batatas chips saiu de lá. Sobre sua cabeça, um boné azul marinho deixava seu rosto escuro, a claridade alcançando apenas sua mandíbula fina que movia com a mastigação. Kurt suspirou irritado quando o notou vindo em sua direção. O cara estava agindo quase feito uma sombra agora.

— Ei! — Kurt disse e o assistiu dar a volta pelo Mustang emprestado. Não era um cumprimento, era uma censura. — Você não pode vir comigo. De jeito nenhum!

O outro congelou com a mão ainda dentro do saco plástico prateado.

— O quê? É o meu trabalho. — Com a outra, ele puxou a aba do boné para coçar a cabeça. Suas sobrancelhas escuras apareceram, um vinco entre elas, retorcendo seu rosto jovem.

O atentado de Monaco durante a festa eleitoral no dia anterior tinha rendido a Kurt uma garantia de proteção legal até a prisão de P.J. Junto com isso, ele ganhou um guarda-costa que manteria sua segurança nos períodos em que Nash não pudesse estar com ele. Mas Kurt estava contrariado desde o início. Não gostava de ser vigiado de nenhuma maneira, muito menos por um policial.

— Não! Você tem que manter distância agora, valeu? — Kurt se apressou em responder. Seu destino final era a Toca, e não havia a mínima chance de levar aquele cara até lá. Mackenzie nem ao menos o deixaria colocar uma roda na areia daquele pedaço do deserto se soubesse. — Eu vou estar seguro onde eu estou indo agora.

O policial à paisana balançou a cabeça, discordando.

— Não me parece uma boa ideia. Eu preciso conversar com o Oficial Jones... — Ele amassou o pacote de batatas para puxar o comunicador de dentro do bolso.

Mas Kurt apontou um dedo para que ele parasse onde estava.

— Você precisa conversar comigo. Não é Nathan quem está aqui agora — Kurt disse firme com uma pontada de impaciência. — Apenas vá fazer sei lá o que policiais geralmente fazem e me deixe. Eu dou sinal quando eu estiver de volta.

A porta do motorista estalou, abrindo; era um ponto final. Enquanto Kurt se ajeitava no banco, o policial suspirou olhando para o céu nublado, sua paciência igualmente limitada de quem não era pago o suficiente para aquilo.

Colisão [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora