VENCEDOR DO WATTY AWARDS 2018 NA CATEGORIA CRIADORES DE MUDANÇAS
Para Kurt Young, a vida sempre foi dura. Mas o ruim conseguiu se tornar pior desde que ele saiu de casa com o carro que roubou do pai. Longe do subúrbio onde foi criado, ele se arrisco...
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Nenhuma resposta verbal veio de Mackenzie. Kurt pensou na possibilidade de um engano, que Paris o tivesse chamado pela forma errada. Mas a expressão séria que sustentou em seu rosto tatuado, os dentes rangendo dentro da boca e saltando os músculos magros da mandíbula, dava a entender que ela estava certa; aquele era mesmo seu nome.
Abel. Por si só, Kurt jamais teria adivinhado um nome tão suave para Mackenzie. Agachado por trás do braço alto do sofá, ele espiou aquela figura familiar à sua frente e, enquanto piscava, o viu desbotar para uma pessoa completamente nova; um desconhecido. Enxergou o que deveria ser um rapaz jovem demais dentro de uma casca grossa que não passava de disfarce, coberto por tatuagens que escondiam suas marcas, encobrindo vulnerabilidade com agressividade, como um cão machucado que ladra e morde qualquer um que tente chegar mais perto de sua ferida aberta.
Aqueles olhos negros cravaram no pescoço magro de Paris como se ela tivesse acabado de cutucar fundo nesse ponto sensível.
— Engula essa porra de nome de volta, porque, se bem me lembro, temos um acordo. Eu não digo o seu, você não diz o meu. — Um único passo deixou Mackenzie muito próximo de Paris, ameaçador.
— Ah, Abel... — Paris ronronou com uma mágoa teatral. Kurt pensou poder escutar o som do atrito quando ela raspou a ponta da unha pela linha do rosto de Mac. — Não precisa de todo esse medo. Somos eu e você aqui. Quem mais poderia escutar?
Mackenzie agarrou a mão dela, assustando Kurt e Paris igualmente. Mastigando com raiva, ele torceu o pulso magro para longe, mantendo apertado por alguns segundos.
— Quer que eu te mostre o que realmente é medo? — Ele rosnou.
Mesmo torcendo o rosto com a dor do aperto, ela não se afastou dele.
— Tente — Paris cochichou, espichando o pescoço mais um pouco para que sua boca alcançasse bem perto do rosto de Mac, a ponta dos narizes a ponto de se tocarem.
Em reação, ele a empurrou para trás, rancoroso. A sombra de um segurança cresceu do outro lado da divisória de vidro, mas Paris o dispensou com um gesto da mão comprida e fina, rindo. Ela testou a articulação do pulso que tinha sido apertado e então correu os dedos pelo rabo de cavalo loiro com um suspiro falso. Kurt continuava imaginando como aqueles dois um dia puderam ter tido qualquer nível de relacionamento pessoal.
— Rude como sempre — ela provocou.
— Você é mesmo muito burra se esperou que eu viesse aqui para ser civilizado com você. — A boca de Mac torceu em desgosto. — Aquela porra sádica que você fez com o Carter, deixando aqueles pedaços de merda na minha casa, ameaçando os meus homens com isso... Já chega. Você vai parar. Se chegar perto de algum deles de novo...
— De todas as pessoas, pensei que você seria o que adoraria a surpresa. Afinal, não fui eu quem matou Carter. — Havia apenas indiferença no rosto de Paris. Ela deu as costas para se servir de um copo de gim, como se a atenção sobre Mackenzie não fosse tão importante, nem representasse ameaça.