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Para o almoço, Kurt resolveu levar a mãe para comer fora

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Para o almoço, Kurt resolveu levar a mãe para comer fora. Foi no melhor restaurante que conseguiu encontrar naquela região, um antigo rancho transformado em espaço rústico, especializado em servir comida caipira com roupagem de alta gastronomia. Havia cercas vivas floridas, mesas ao ar livre sob pergolados com parreiras cheias de uvas, o som confortável de água de um moinho d'água e a mesma música country que Alice amava escutar na rádio.

Acomodaram-se nas mesas dos fundos, onde seriam menos incomodados. Quando a garçonete veio, Kurt não se segurou em pedir um banquete, citando mais da metade do rico cardápio. Assim que a funcionária se afastou, Alice segurou o braço dele por cima da mesa.

— Kurt, não temos todo esse dinheiro — ela cochichou, como se eles ainda estivessem em Riverside, como se ainda fosse aquela vida.

— Eu vou pagar, mãe. Não se preocupa. Você pode pedir o que quiser, eu juro. — Ele segurou a mão dela antes que se afastasse. — Você ainda gosta de frango com molho?

Suspirando, Alice se permitiu sorrir. Então cobriu a barriga com a outra mão.

— Você me conhece, meu menino.

O velho jeito dela o chamar foi o suficiente para silenciar todas as outras questões rondando na cabeça de Kurt.

Alice não protestou que toda a comida fosse servida e se permitiu algumas garfadas tímidas de pratos diferentes. Kurt tentou agir com naturalidade para que ela se sentisse à vontade, mas não pode evitar de se sentir observado quando ela parou de comer e ficou olhando para ele, o analisando em completo silêncio.

— Já acabou? — Ele tentou conversar.

— Eu só consigo pensar no quanto você cresceu — ela mudou de assunto, mostrando que outras coisas passavam por sua cabeça. — E sem precisar de mim. Na verdade... muito melhor sem mim.

Kurt largou o garfo e afastou o prato.

— Mãe, não é assim... — Ele estava em parte acostumado a ela ir por esse caminho quando começava a pensar contra si mesma. O mesmo tipo de pensamento que já a levou a tomar uma porção de pílulas, todas de uma vez.

— Eu já deixei faltar tanta coisa. E agora... você se sustenta sozinho sem precisar contar moedas, como a gente fazia — ela continuou, como se não estivesse escutando. — Fiz um péssimo trabalho em te criar, mas você se construiu sozinho. E conseguiu.

— Para, por favor. Se tivesse sido péssimo, eu nem estaria aqui — Kurt afirmou.

Alice abaixou o olhar.

— Conta para mim: essas pessoas que vivem com você agora, elas cuidam de você? — Ela perguntou.

— Da nossa forma, sim. Cuidamos uns dos outros. — Kurt poderia parar por ali, mas continuou: — Eles me conheceram de verdade. No meu melhor e no meu pior. Eles sabem todas as coisas ruins que já me cercaram, sabem de toda a bagunça que herdei com as dívidas de Riverside. Ainda assim, me aceitam. E me defendem. E não me deixam ir.

Colisão [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora