58| EPÍLOGO

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Lex Hacker.

ALGUM TEMPO DEPOIS...

Hope, como qualquer criança saudável, cresceu, graças a Deus. Sim, porque por mais que bebês sejam fofos e lindos quando ainda não fazem nada sozinhos, eles dão um certo trabalho. E mesmo que nos arrependamos lá na frente por termos torcido para que eles tivessem crescido logo, no fundo sentimos uma alegria imensa por vê-los amadurecerem e se transformarem em pessoinhas cheias de saúde e prontas para conquistar o mundo.

Mas ela ainda não é uma adulta, nem uma adolescente. Está longe disso. Hope tem 6 anos, há precisamente dois dias.

Ainda não presenciamos a queda do seu primeiro dente de leite ou sua primeira formatura, mas estivemos lá quando ela andou de bicicleta pela primeira vez e a encorajamos no seu primeiro dia de aula. Trocamos muitas fraldas, compramos muitas bonecas, escutamos muitos choros vindos de joelhos ralados. A ensinamos a nadar e exercitamos o início da sua leitura. Fomos pais de primeira viagem, mas segundo Maria, nos saímos muito bem.

Eu concordo, apesar de não ter nenhuma base como referência. Hope parece uma criança bastante serelepe. Sua simpatia e seu jeito de parecer gostar de todo mundo são sua marca registrada. Ela quase nunca se irrita, e às vezes, quando não sabe como reagir a um determinado estímulo, opta por cair na gargalhada. Ela pode fazer amigos com uma simples saída, seja indo ao parque ou à padaria.

Seus olhos se firmavam cada um na própria cor: O direito azul como um oceano e o esquerdo marrom como chocolate. Isso é muitas vezes uma forma de puxar assunto onde quer que ela esteja, e basta que demonstrem interesse para que Hope estufe o peito e comece seu discurso cheio de sabedoria: "É, eu tenho uma anomalia!".

É humanamente impossível não amá-la.

Para uma melhor educação, Vinnie e eu dividimos nossas obrigações como pais. Isso significa que ele é responsável pelos "sins", enquanto que dizer os "nãos" necessários sobra para mim. Felizmente — porque a última coisa que eu quero é me tornar uma mãe chata e repressora competindo com um pai engraçado e "maneiro" — Hope é uma criança boa. Um anjo, por mais agitada que seja. Não precisamos (eu não preciso) reprimi-la duas vezes. Ela simplesmente entende que, caso eu não a deixe fazer alguma coisa, deve haver algum motivo, e magicamente obedece — o que é um tanto esquisito. Crianças de 6 anos não deveriam ter esse discernimento.

Eu realmente não tenho do que reclamar. Muitas crianças são umas pestes, mas não ela.

E ela tem só 6 anos. Há precisamente dois dias. O que faz com que hoje seja um dia um pouco especial para mim.

— Nailea? — Chamei, chegando na cozinha e encontrando-a no fogão.

— Oi, Lexie! — Ela respondeu toda contente. — Feliz aniversário!

— Brigada... — Falei ainda morrendo de sono, abraçando-a e me jogando em cima dela. — Que horas são?

— Quase 11h. Estou fazendo o almoço, daqui a pouco eles chegam...

— Merda... Dormi demais. — Falei, levando a mão à cabeça. — Eu deveria estar te ajudando...

— Coisa nenhuma! É seu aniversário. E aniversariantes não trabalham.

Nailea gosta de me dar ordens. A essa altura nós já temos esse nível de intimidade mesmo.

— Ei, eu gosto de cozinhar, e você sabe diss...

— Você. Não. Vai. Cozinhar.

Bufei. Ela é teimosa como uma mula, e eu sabia que a única forma de chegar perto do fogão seria aceitá-la com uma frigideira e deixá-la desacordada em um canto.

Entrelaçados ᵛⁱⁿⁿⁱᵉ ʰᵃᶜᵏᵉʳOnde histórias criam vida. Descubra agora