Charlie observou Persefone com a intensidade de um predador à espreita. Os movimentos do padre eram controlados, a respiração medida, enquanto sentia o poder sobre ela aumentar exponencialmente. A freira permaneceu ajoelhada, vulnerável, as mãos repousando nas coxas de forma submissa, como se aguardasse, ansiosa e temerosa, pela próxima jogada dele. Exposta, indefesa... e exatamente onde ele a queria.
O confessionário, com suas paredes de madeira fria e o silêncio reverente, deveria servir como um lugar de redenção, de purificação; mas, ali, naquele instante, tudo o que ele sentia era a escuridão crescendo, expandindo, tomando conta de cada parte de seu ser. Desistir do controle nunca o atraíra tanto quanto o prazer de possuí-lo totalmente.
Com um movimento lento, calculado, ele roçou os dedos pela grade entre eles, sentindo a textura áspera contra sua pele. Perséfone o observava, os olhos fixos nos dele, desafiadores e ardentes, mas não podiam esconder a verdade. Por trás da provocação, havia algo mais... não apenas desejo, mas expectativa. Uma ansiedade pulsante. Não medo, não exatamente. Mas a sensação palpável de alguém que caminha para o abismo, sabendo que a queda é inevitável, e, no fundo, ansiando por ela.
Ela estava cutucando o demônio nele, brincando com fogo, e os dois sabiam disso.
— Então, Perséfone... — Su voz soou baixa, arrastada, quase um rosnado. — Como devo puni-la?
Ela piscou, os lábios entreabertos em uma respiração mais pesada, mas permaneceu em silêncio. O silêncio dela era a sua rendição, e ele se deleitou nisso.
Charlie se inclinou ainda mais, a grade entre eles agora parecia insignificante.
— Arrependimento não é algo que você pode fingir, querida. — Ele continuou, a voz implacável. — A penitência será real... ou não será nada. E você sabe disso. Aqui, não há espaço para meias medidas.
Ela respirou fundo, a hesitação em seu rosto desaparecendo lentamente, substituída por um fogo que ele reconheceu imediatamente. A mesma chama que havia acendido nele na noite anterior, quando ela o desafiou com aquele pedaço de seda deixado para trás como um troféu.
— Diga, Perséfone. — Ele sussurrou, a voz reverberando pelo pequeno espaço, cheia de veneno doce. — Qual é o seu maior pecado?
Ela mordeu o lábio, os olhos escurecendo enquanto segurava o olhar dele. Ele podia ver o conflito dentro dela, o desejo e o medo se entrelaçando como serpentes, tentando decidir qual venceria.
— Eu... — A voz dela falhou. Um sorriso lento, perigoso, curvou os lábios de Charlie. Ele sabia que estava prestes a quebrá-la. A verdadeira penitência estava próxima.
— Eu... desejei algo que não deveria. — Ela admitiu, finalmente, sua voz frágil, quase imperceptível.
Ele se inclinou mais, até que a distância entre eles não fosse mais do que uma respiração. O poder nas suas palavras era palpável, quase tangível.
— Algo? — Ele repetiu, zombando dela com uma suavidade mortal. — Ou alguém?
Ela estremeceu, desviando o olhar, mas não disse nada. A voz dele era pura malevolência.
Charlie sentiu a adrenalina subir, o controle escorregar para suas mãos de forma deliciosa. Ela estava à beira do precipício, e ele estava prestes a empurrá-la. Mas queria saborear cada segundo antes disso.
— Bom, Perséfone. — Ele sussurrou, a voz baixa e perigosa. — A sua penitência será o que você mais teme... e deseja.
Ele se afastou levemente, os olhos brilhando com algo sombrio, uma promessa carregada de pecado. Perséfone não sabia ainda, mas ela estava jogando o jogo dele, e ele pretendia ganhar.
Ela ainda ajoelhada, ele observou enquanto seus olhos traíam a mente, revelando o desejo que pulsava por baixo de toda aquela fachada de arrependimento.
Ela cruzara uma linha invisível, e agora, naquele espaço sagrado e profano, ele a faria pagar o preço.
E ela ansiava por cada segundo disso.
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SAGRADO PROFANO | Charlie Mayhew
FanfictionEm Saint Rosalie, nada é tão sagrado quanto parece. As paredes da igreja escondem mais do que preces silenciosas - elas abafam os gritos daqueles que caem em desgraça. Padre Charlie Mayhew, com sua batina impecável e uma alma marcada por uma escurid...