Severus e Pomfrey decidiram transferi-lo para um quarto particular próximo à enfermaria. O quarto tinha uma passagem secreta que facilitava o acesso tanto à enfermaria quanto aos aposentos de Severus. Era um quarto pequeno e simples; havia uma cama de dossel semelhante à dos dormitórios, com cortinas escarlate. O único móvel que separava a cama da parede era um criado-mudo de madeira escura. Uma janela ao lado da cama oferecia uma vista para a Floresta Proibida. Havia também um guarda-roupa de duas portas, com um espelho no interior de uma delas, uma pequena escrivaninha e um tapete felpudo de cor indefinida ao lado da cama. Seu porta malas foi colocado ao pé da cama, e havia ainda um banheiro acoplado e uma estante de livros vazia, que escondia a passagem secreta.
Draco estava sentado na cama, olhando para a floresta pela janela, o livro aberto no capítulo cinco em seu colo. Já era noite, a primeira nevasca havia começado a cair durante o dia, forrando o chão de um tapete branco e indicando que logo o outono chegaria ao fim e daria espaço ao inverno. Draco queria sair e andar na neve, ele queria deitar nela e fazer um anjo de neve, queria fazer um boneco de neve. Ele ama a neve. Ficar trancado nesse quarto estava lhe cansando e deixando cada vez mais desanimado.
Soltou um suspiro, desviando o olhar para o livro em seu colo. De repente, a estante se moveu, revelando a passagem secreta. Draco levantou a cabeça bruscamente, vendo Potter parado, olhando para ele, visivelmente surpreso.
— Malfoy? — ele perguntou confuso.
— O que você está fazendo aqui, Potter!? — retrucou Draco, irritado.
— O que você está fazendo aqui? — devolveu Harry, igualmente confuso.
— Eu... — Draco franziu o cenho, olhando ao redor.
O que ele estava fazendo lá mesmo? Que quarto era aquele? Por que ele não estava no seu dormitório da Sonserina? E por que suas coisas estavam ali?
— Eu... Isso não é da sua conta! Saia daqui!
— Pelo que sei, você também não deveria estar aqui. O que está acontecendo? Você está na enfermaria desde o começo do ano e agora, de repente, aparece aqui?
— Potter, saia daqui antes que eu chame um professor! — ele quase gritou.
— E você acha que nada vai acontecer com você? — provocou Harry, um sorriso ladino aparecendo em seu rosto.
— PRO INFERNO, POTTER! — Draco pegou o livro e o lançou na direção do moreno, que se esquivou atrás da estante.
— Céus! Tá bom, Malfoy! Uma boa noite pra você também! — fechou a passagem.
Draco deixou-se cair para trás, batendo as costas no travesseiro apoiado na cabeceira da cama, soltando um suspiro cansado. Ele deveria voltar para seu dormitório. Não seria bom para ele ser pego fora da cama a essas horas. Seja lá que horas fossem.
Se levantou da cama, a sensação de seus pés descalços tocando o tapete felpudo foi agradavelmente reconfortante. Caminhou até a estante, pegou o livro no chão e conferiu a capa, preocupado se não havia danificado nada. Pansy lhe mataria se ele estragasse seu livro favorito.
Colocou a cabeça para fora do quarto, conferindo se não havia ninguém por perto. Vendo que estava tudo seguro, saiu, caminhando lentamente pelos corredores. Ele não deveria estar muito longe das masmorras. Tudo o que precisava, era ficar em silêncio e ser cuidadoso para nenhum professor lhe pegar. Era nessas horas que ele mais desejava ter uma Capa da Invisibilidade assim como Potter. Draco sempre quis saber onde o Testa Rachada havia conseguido uma dessas. E como ele teve dinheiro para pagar por uma. Embora Draco acreditasse que, como único herdeiro Potter, ele tinha uma boa fortuna. Não como a sua, obviamente, mas com certeza uma fortuna.
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Harry Potter | Ecos de Lembranças (Short Fic Drarry)
FanficAlgo está errado. Draco Malfoy sente isso em cada passo que dá pelos corredores gelados da Mansão Malfoy. As sombras parecem mais longas, os sussurros mais próximos, e o peso de um segredo se arrasta pelos cômodos. As noites são inquietas, cheias de...
