Após o beijo, Anne e Noah permaneceram em silêncio por alguns momentos, apenas sentindo a presença um do outro. O palco vazio agora parecia pequeno diante da intensidade do que compartilhavam. Anne, ainda sorrindo, quebrou o silêncio.
— Noah, feche os olhos — pediu ela, com a voz suave, mas firme.
— Fechar os olhos? — ele perguntou, curioso, mas fez o que ela pediu.
— Quero que você sinta o mundo... do jeito que eu sinto — explicou Anne, com um leve toque de ternura.
Com os olhos fechados, Noah passou as mãos suavemente pelo rosto de Anne, sentindo cada contorno como se o estivesse vendo pela primeira vez. Seus dedos percorreram suas maçãs do rosto, seu nariz, seus lábios. Ele inclinou-se um pouco mais, inalando o perfume dela, uma fragrância que lhe parecia única, como se pertencesse apenas àquele momento.
— Anne... você é perfeita — ele murmurou, com uma suavidade que fez o coração dela palpitar. — Mesmo de olhos fechados, eu consigo admirar sua beleza. Parece... parece um anjo.
Anne sorriu, sentindo o calor das palavras dele em seu coração. Noah se aproximou mais uma vez, e os lábios deles se encontraram novamente em um beijo terno e delicado, como se ambos estivessem explorando aquele sentimento novo e profundo.
Quando se afastaram, Noah a olhou com um brilho nos olhos, mesmo sem que ela pudesse ver.
— Eu queria tanto que você pudesse enxergar o quão linda você é... por dentro e por fora — disse ele, com sinceridade.
Anne sorriu, dessa vez mais tímida, mas as palavras dele a tocaram de um jeito especial. Ela se sentia vista, não pelos olhos dele, mas pelo coração.
— Venha comigo — disse Noah de repente, segurando a mão dela com delicadeza. — Quero te levar a um lugar especial.
Os dois saíram do local de apresentação discretamente, sem que ninguém os visse. O sol já estava se pondo, pintando o céu com tons de laranja e rosa, criando um cenário mágico para aquele momento.
Noah a conduziu por um caminho silencioso até um local um pouco afastado da cidade, um tipo de colina. Lá em cima, havia uma vista espetacular do horizonte. Ele parou, ainda segurando sua mão, e a ajudou a se sentar na grama macia.
— Onde estamos? — Anne perguntou, curiosa, sentindo o cheiro da grama e o ar fresco da tarde.
— Estamos em um lugar onde ninguém pode nos incomodar — respondeu Noah, se sentando ao lado dela. — Só nós dois... e esse pôr do sol incrível.
— Eu queria poder ver isso — Anne comentou, com um leve suspiro.
Noah então fechou os olhos novamente e pegou a mão dela, colocando-a em seu peito.
— Sinta, Anne. Sinta como o mundo é bonito, do jeito que você faz.
Ela sorriu, e os dois ficaram ali, compartilhando aquele momento em silêncio, como se o tempo tivesse parado.
Enquanto estavam sentados na colina, Anne e Noah aproveitaram a tranquilidade daquele lugar afastado. O vento suave acariciava seus rostos, trazendo o cheiro de terra úmida e flores silvestres. Anne respirou fundo, sentindo a liberdade que aquele espaço proporcionava, enquanto Noah a observava em silêncio, admirando a forma como ela parecia conectada com o mundo de um jeito único.
— Você consegue ouvir? — Anne perguntou de repente, os ouvidos atentos.
Noah ficou em silêncio, tentando entender a pergunta.
— O quê?
— A natureza — ela disse, com um sorriso calmo. — O vento nas árvores, os insetos ao longe, o farfalhar das folhas. Às vezes, quando fecho meus olhos, consigo ouvir coisas que ninguém mais nota.
Noah fechou os olhos novamente, tentando captar o que ela estava descrevendo. Aos poucos, ele começou a perceber pequenos sons que antes passavam despercebidos: o murmúrio suave das folhas, o zumbido distante de uma abelha, o sopro constante do vento. Era como se o mundo tivesse se tornado mais vivo, mais intenso.
— Eu nunca tinha percebido isso antes — admitiu ele, impressionado. — É incrível.
— É — ela concordou, com um sorriso, apertando suavemente a mão dele. — Você não precisa ver para sentir o que é belo.
Depois de alguns minutos de silêncio, Noah se levantou e, com um sorriso travesso, pegou Anne pela mão, ajudando-a a se levantar.
— Vamos dar uma volta — sugeriu ele. — Quero te mostrar outra coisa.
Eles caminharam de mãos dadas, sem pressa, sentindo a conexão silenciosa que se formava entre eles. Noah guiava Anne com cuidado, descrevendo o caminho à medida que avançavam. O chão era macio sob os pés, com pequenas pedras que Anne sentia através dos sapatos.
— Estamos perto de um lago — Noah comentou depois de um tempo. — A água está bem calma agora. Dá para ouvir o som das ondas suaves.
Anne parou, ouvindo atentamente o som da água batendo suavemente nas margens. Ela sorriu, encantada com a tranquilidade do lugar. Noah, com um gesto gentil, guiou a mão dela até a superfície da água. Ela se agachou, sentindo a frescura nas pontas dos dedos.
— É gelada — disse Anne, rindo levemente.
— Eu costumava vir aqui quando queria ficar sozinho — confessou Noah, sentando-se ao lado dela na beira do lago. — Esse lugar sempre me trouxe paz. Agora estou feliz por poder compartilhar isso com você.
Eles ficaram sentados ali, com os pés quase tocando a água, conversando sobre pequenos detalhes de suas vidas. Noah contou histórias de sua infância, das travessuras que fazia com seus amigos, enquanto Anne o ouvia com atenção, rindo das aventuras dele.
— Parece que você era uma criança terrível — brincou Anne, sorrindo.
— Era sim — Noah riu, olhando para ela. — Mas, no fundo, eu sempre fui um pouco solitário. Acho que foi por isso que acabei me envolvendo com as pessoas erradas.
Anne permaneceu em silêncio, refletindo sobre as palavras dele. Ela sentiu que, por trás do jeito descontraído de Noah, havia uma profundidade que ele raramente mostrava para os outros.
— Mas você não precisa estar sozinho, Noah — disse ela, tocando seu braço com gentileza. — Às vezes, as pessoas certas estão mais perto do que a gente imagina.
Noah olhou para Anne, com uma expressão de surpresa misturada com admiração. Ele sorriu, sentindo que aquelas palavras significavam muito mais do que pareciam.
— Eu sei — ele disse baixinho. — E você me mostrou isso.
Anne sorriu de volta, e os dois ficaram ali, compartilhando o momento à beira do lago, como se o resto do mundo tivesse desaparecido.
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A Garota Cega e o Filho da Diretora
RomanceAnne não teve uma vida fácil. Cega desde os três anos e órfã aos cinco, sua jornada foi marcada pela dor e solidão. Aos 17 anos, ela é adotada pela família Salles, uma das mais ricas da cidade, mas com segundas intenções: eles a usaram para impulsio...
