"A verdade é como a água: sempre encontra um caminho para vir à tona, não importa quantas barreiras tentemos erguer."
London POV.
— Acorde, sunshine! — A voz ecoa, penetrante como um raio de sol indesejado. Solto um suspiro profundo, carregado de frustração, e viro bruscamente para o outro lado, enterrando o rosto no travesseiro.
— Já estou acordado, Jason! — rosno, minha voz abafada pelo tecido. — Fiz minhas malditas orações, engoli o café da manhã, e agora estou aqui, preso como um animal enjaulado. Sem celular, sem propósito, sem escape. E não me venha com essa história de trabalho voluntário. Não preciso dessa farsa de redenção.
— Primeiro, não sou o Jason. Segundo, que história é essa de orações? — A voz familiar me faz congelar. Viro-me rapidamente, meu coração saltando para a garganta ao ver minha mãe parada ali, um sorriso genuíno iluminando seu rosto. Levanto-me num impulso, abraçando-a com força, a saudade que eu nem sabia que sentia transbordando em cada gesto.
— Consegui chegar agora e você nem se dignou a arrumar suas coisas, pelo visto. — Ela observa, seu tom uma mistura de decepção e resignação.
— Eu? — solto uma risada amarga. — Esqueci que hoje era o dia da minha sentença... quero dizer, de ir para sua casa. — Desabo na cama, o desânimo pesando em cada fibra do meu ser.
— Lauren! — Ela exclama, sua voz uma mistura de repreensão e súplica.
— Não me chame assim! — explodo, anos de ressentimento transbordando. — Depois de ter me jogado naquele inferno, você perdeu esse direito!
Minha mãe solta um suspiro pesado, seu olhar uma mistura de culpa e preocupação. — London, eu... eu fui enganada. Eles me venderam aquilo como uma clínica de reabilitação. Na época, eu realmente acreditei que era a única maneira de te ajudar. Eu estava desesperada, não sabia mais o que fazer.
— Enganada? — grito, minha voz embargada de raiva e dor. — Você me trancou em um lugar onde me deram choque, me jogaram em uma solitária por dias, amarrado em uma camisa de força. Eu me caguei todo, você tem ideia disso? — Vejo lágrimas se formando em seus olhos, mas continuo implacável. — E sabe quem voltou? Porque eu estava no escuro, amarrado? Ele. E você me deixou lá, como sempre fez.
— London, eu... eu não sabia — ela diz, sua voz quebrando. Vejo lágrimas se formando em seus olhos. — Eu juro que não sabia que era uma clínica de conversão sexual. Só descobri quando você teve alta, por uma mulher que me contou tudo.
Solto uma risada amarga. — Oh, que conveniente, mãe. Você só descobriu depois que o estrago já estava feito. Imagino que essa revelação tenha sido tão chocante quanto descobrir que o sol nasce todo dia, não é?
Clara respira fundo, sua voz trêmula mas firme.
— London, eu entendo sua raiva. Mas acredite, descobrir a verdade foi devastador. Eu passei noites em claro, me culpando por não ter investigado mais. Não estou pedindo que você me perdoe imediatamente, só que me dê a chance de consertar as coisas.
— Se você soubesse? — interrompo, minha voz carregada de sarcasmo. — Deixe-me adivinhar, teria me mandado para um spa de luxo em vez disso? Ou talvez para uma colônia de férias onde dão choques como brinde de boas-vindas?
Minha mãe me encara, seus olhos brilhando com uma mistura de dor e determinação. Quando ela fala, sua voz é baixa e firme, cada palavra carregada de um peso que me faz estremecer.
— Se eu soubesse, Lauren..., eu teria derrubado aquele lugar tijolo por tijolo com minhas próprias mãos. Eu teria tirado você de lá e o próprio demônio teria medo. Porque você é minha filha e eu sempre te aceitei, sempre permiti você se vestir como queria, sempre te tratei como você queria. Me diz, qual a lógica de eu ter sempre aceitado você ser trans desde os três anos de idade e quando você completa 18 anos te trancar lá?
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I Have Questions (Trans version MTF)
Fanfiction⚠️Lauren Transexual MTF ⚠️ Em um mundo de contrastes, duas jovens buscam a própria identidade. London, uma mulher trans marcada por traumas e vícios, luta para se encontrar após uma traumática experiência. Camila, aprisionada em uma fé que alimenta...
