19. O Silêncio Entre Nós. Parte 2

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"Talvez todos nós precisemos nos perder um pouco para nos encontrarmos de verdade. Porque é justamente ali, no meio do caos, que descobrimos quem realmente somos, não a versão que nos ensinaram a ser, mas a obra-prima que sempre fomos, esperando coragem para florescer."

Lauren POV

Dia da Formatura – Universidade de Milão

Play: Experience – ludovico einaudi feat. daniel hope & i virtuosi italiani

A beca preta caía sobre meu vestido de seda azul-marinho, criando camadas desiguais que eu tentava ajustar inutilmente. Os saltos sete centímetros mais altos do que qualquer coisa que eu usaria em um dia normal faziam meus tornozelos tremerem ligeiramente enquanto eu ensaiava os passos até o púlpito. Ri baixinho, lembrando que meu apelido por um tempo foi "Desastre" e salto alto mais minha habilidade natural de ver o chão de perto seguia sendo a receita perfeita para um tombo épico.

— Você vai tropeçar nos próprios pés — riu Giulia, ajustando o capelo na minha cabeça com dedos gentis. Seus olhos brilhavam com uma mistura de orgulho e diversão. — Mas vai ser adorável mesmo assim.

— Obrigada pela confiança — respondi, sentindo o estômago dar voltas. — Quem foi que teve a brilhante ideia de me escolher como oradora?

— Com aquela oratória perfeita e notas de causar inveja, não tinha como ser outra pessoa — ela brincou, roubando um beijo rápido antes de ajeitar meu colarinho. — Respire. Você nasceu para este momento.

Viro para Giulia, ajeitando o capelo pela milésima vez e sorrindo nervosamente.

— Meu problema não é enfrentar esse auditório — sussurro, esfregando as palmas das mãos suadas no tecido da beca. — E saber que depois vou jantar com seus pais, suas irmãs e... e se ele não gostar de mim? — engulo em seco, sentindo o pânico crescer. — Eu nunca conheci os pais de ninguém antes... Jesus, eu tô suando.

Giulia sorri, aquele sorriso que sempre me acalma, e ajusta delicadamente uma mecha do meu cabelo.

— Eles já te adoram sem nem te conhecer — ela diz, sua voz suave como uma carícia. — Relaxa. Vai dar tudo certo.

Respiro fundo, tentando acreditar nas palavras dela. Ainda assim, sinto meu coração martelando contra as costelas como se quisesse escapar.

A sala estava lotada, um mar de becas pretas e capelos quadrados. O cheiro de perfumes caros se misturava ao aroma amadeirado do auditório histórico. Cada vez que eu olhava para as fileiras de assentos, meu coração acelerava um pouco mais. Avistei minha mãe e Michael na terceira fileira ela já secando lágrimas com um lenço, ele com aquele sorriso discreto de orgulho. Ao lado deles, os pais de Giulia, elegantes e formais como sempre.

Quando meu nome foi chamado, minhas pernas pareceram momentaneamente feitas de gelatina. O salto direito prendeu no degrau enquanto eu subia ao palco, quase me enviando de cara ao chão. Ouvi alguns risos contidos, mas consegui recuperar o equilíbrio com a graça de uma girafa recém-nascida.

— Típico — murmurei para mim mesma, arrancando um sorriso do reitor.

Em frente ao microfone, desdobrei o papel onde havia escrito e reescrito meu discurso pelo menos vinte vezes. As palavras dançavam diante dos meus olhos por um momento, até que respirei fundo e encontrei minha voz.

— Quando comecei esta jornada em História da Arte — minha voz emerge, tremendo levemente antes de encontrar sua força — achei que estava apenas estudando o passado. Que iria catalogar épocas distantes, memorizar nomes de artistas mortos, decifrar símbolos em telas empoeiradas.

I Have Questions (Trans version MTF)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora