Cap. 13 - Entre a fé e o Destino

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"Ela ajoelhou-se no chão frio do monte, os joelhos feridos pela terra áspera, os lábios rachados pelo jejum, o peito arfando em uma súplica desesperada. O nome dela ainda queimava em sua língua—o nome que deveria esquecer, o nome que a condenaria. Mas quando fechava os olhos, não via anjos, não via redenção. Via apenas a curva dos lábios proibidos, o calor de um toque que nunca deveria ter sentido. E então, num sussurro trêmulo, percebeu o que mais temia: não era Deus que a estava testando. Era ela quem O desafiava."

Clara POV. Durante a discussão.

Ando de um lado para o outro, inquieta. Não estou gostando nada disso. Subo as escadas e me deparo com Jennifer e Buddy, os dois com as orelhas coladas na porta.

— Por Deus, dá privacidade pra elas! — sussurro, indignada.

Jennifer me lança um olhar reprovador.

— Shhhh! — ela gesticula freneticamente. — elas estão discutindo, já aviso não gosto dessa Camila.

Mordo o lábio, hesitante. A curiosidade é mais forte. Me aproximo devagar e encosto a orelha na porta também. Meus olhos se arregalam no mesmo instante.

— Jennifer... elas estão...? — mal consigo completar a frase.

— Estão... — ela confirma com um aceno lento.

— Meu. Deus. — articulo sem som. — Vamos... vamos andando...

Jennifer solta uma risadinha.

— Eu juro que elas estavam discutindo... — ela sussurra, ainda acariciando Buddy.

— Tá, e agora a gente devia dar o fora daqui — insisto, puxando ela pelo braço.

— Calma, deixa eu aproveitar mais um pouquinho esse momento histórico! ... e deixa eu registrar isso, vou zuar tanto ela depois!

— Jennifer!

— Ok, ok... — ela cede, mas não sem antes se virar para o cachorro. — Sua mãe fez as pazes com a Camila, Buddy! Do jeito mais interessante possível...

— Pelo amor de Deus, vamos logo antes que elas nos peguem aqui!

Descemos as escadas e nos refugiamos na cozinha. Minhas pernas tremem um pouco quando me sento à mesa, ainda processando o que acabamos de presenciar. Jennifer não para de sorrir, quase saltitando pela cozinha.

— Meu Deus do céu... — murmuro, passando a mão pelo rosto. — Eu acabei de... minha filha...

— Ah, vai, Clara! — Jennifer dá uma cotovelada de leve no meu braço. — Elas são adultas. E você tem que admitir que era questão de tempo.

— Para de rir! — sussurro, mas não consigo conter um sorriso nervoso. — É sério, eu... eu não esperava... quer dizer, eu sempre soube, mas...

Jennifer finalmente se senta ao meu lado, seu rosto se suavizando um pouco.

— Ei, respira. Você tá feliz por elas, não tá?

Solto um suspiro longo, sentindo meu coração se acalmar aos poucos.

— Jennifer... — minha voz falha enquanto me inclino mais perto dela. — Você não viu como ela entrou. Ela estava... ela estava gritando que minha filha é um demônio.

Jennifer se aproxima mais, seus olhos claros tão parecidos com os do pai dela. Mesmo não sendo minha filha biológica, esse olhar preocupado é igual ao meu.

— Clara, me escuta — ela segura minhas mãos com força. — A London é minha irmã. Pode não ser de sangue, mas é minha irmã. E eu sei que dói ver ela sofrer assim, dói em mim também.

I Have Questions (Trans version MTF)Onde histórias criam vida. Descubra agora