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Estou prestes a jantar com Josh Beauchamp. Mas antes preciso sobreviver ao caminho.

Já foi difícil o suficiente ir até o edifício dele sem ser reconhecida e notada, é ainda mais difícil passar pelo saguão abaixando a cabeça torcendo para que não dêem muita importância para a minha figura.

Quando estou parada frente a porta dele, é como se o ar sumisse dos meus pulmões. Estou nervosa. E se eu estragar tudo? Já tem algum tempo que eu não saio 'pra valer com alguém.

Que seja. Preciso bater na porta antes que eu desista.

— Olha só, a miss universo bem aqui na porta do meu apartamento de hotel. — É a primeira coisa que ele diz ao me ver de primeira.

Depois ele me avalia de cima a baixo.

— Sabe que eu sou modelo, não é? E não miss. — Arqueio a sobrancelha, chamando a atenção dele para os meus olhos novamente. Ele dá risada e abre espaço para que eu entre.

A sala de estar está incrivelmente arrumada. A mesa de centro que há em todo apartamento do hotel está posta com uma toalha branca, pratos e talheres elegantes e duas velas acesas.

— Uau...— Deixo minha bolsinha com meu celular no cômodo perto da porta enquanto dou uma boa olhada pelo cômodo. — Nenhuma roupa largada...

— É claro que não. Sou bem organizado, Senhorita Modelo. — Ele puxa uma das cadeiras da mesa para mim e aproveito para observa-lo bem. Ele usa uma camiseta social clássica, com todos os botões fechados e as mangas dobradas nos antebraços. A camisa é um pouco justa, se apertando em volta dos braços musculosos dele.

Agradeço antes de me sentar e Josh se apressa para se sentar a minha frente.

O rosto dele é perfeito. Sua mandíbula é bem desenhada e marcada, coberta pela barba por fazer que o deixa ainda mais sexy. Seus olhos azuis me analisam da mesma forma que estou analisando ele, acho que entramos em uma consenso de nos analisar.

Ambos rimos disso e começamos a decidir o que vamos pedir.

— Você quem vai cozinhar? — Dou um pequeno sorriso enquanto encaro o cardápio do hotel. — Sabe cozinhar todas as opções daqui?

— Na verdade, sim. Quando isso acabar e nós ganharmos a Copa, você pode dar uma passada na minha casa em Alberta e eu te mostro o delicioso Poutine que eu sei fazer. — Ele pisca pra mim.

— Poutine?

— É um prato típico canadense. Não é nada muito complexo, mas quando eu faço meus amigos elogiam.

— Aposto que sim. — Dou uma risada baixa e opto por uma lasanha com molho branco. Josh escolhe um vinho para nós e pede a mesma coisa que eu.

— Eu achei que modelos não comiam esse tipo de coisa. Não que eu esteja dizendo que você não deve comer, é só uma dúvida. — O jeito que ele se embola para falar me faz dar risada. Josh parece reclamar com si mesmo.

— Tudo bem, Josh, eu entendi. E sim, na maior parte do tempo eu sigo uma dieta, mas ela não é restrita. — Dou de ombros despreocupada com esse assunto. — A verdade é que eu sempre tive uma boa relação com meu corpo, mesmo antes de entrar nesse ramo. Minha mãe nunca me fez sentir insegura sobre isso.

— Isso é ótimo. De verdade. É muito difícil estar exposto na mídia e não se sentir inseguro com a sua imagem. — Josh gesticula enquanto fala.

— Com certeza. Você já se sentiu assim?

— Algumas vezes. Mas esse é o preço pra se fazer o que fazemos, certo?

— Eu acho que sim.

Nossa comida chega e iniciamos uma conversa sobre trivialidades. Nós dividimos a taça de vinho já que o serviço de quarto se esqueceu de trazer duas e seguimos sem problemas.

O flerte com Josh no clube noturno foi eletrizante, mas às vezes, nada é melhor do que uma boa conversa sobre nada e tudo ao mesmo tempo.

Sinto que encontrei isso com ele.

— E quando você conheceu Noah?

Minha risada cessa e eu coloco a taça na mesa, pensando em como posso formular esse assunto.

— Quando eu era mais nova. Tinha dezenove anos.

— Caramba. — Ele arregala os olhos, surpreso.

— É...

— Estão juntos há bastante tempo...— Ele coça a garganta e toma um gole do vinho. Deve ser nossa terceira taça. — O que fez ficar ruim?

Ele tomba a cabeça, me olhando com certa curiosidade. Espero que ele não me julgue, mas aí vai.

— Nada. Por que não existe nada entre nós. Nunca existiu. — A revelação faz a confusão tomar conta de seu rosto, mas não por muito tempo.

— Eu desconfiava. — Ele se encosta na cadeira, convencido. Sua reação me faz dar risada, eu não sei se era isso que eu esperava.

— Desconfiava? Como assim?

— O teatrinho de vocês nunca colou comigo. Você sempre é vista sozinha a não ser que os holofotes estejam em vocês dois como agora. E mesmo agora na verdade. Você estava na piscina aquele dia, sozinha, você só sai com suas amigas e nunca com Noah. Mas eu sempre me perguntei se você não ficava com ninguém, e se ficava, é muito cuidadosa, diferente do babaca do Noah, com todo respeito. — Ele simplesmente despeja tudo isso, me deixando boquiaberta.

— Você pesquisou sobre a minha vida?

— Na verdade, não. Tudo que eu fiz foi prestar atenção. — O sorrisinho em seu rosto diz o quanto está orgulhoso disso.

Meu coração dá vários saltos dentro do peito.

— Você é digna de toda atenção do mundo, Any Gabrielly. — Ele apoia os cotovelos na mesa, me olhando mais de perto. O frio na barriga está de volta, dessa vez tão forte que eu sinto que vou cair da cadeira a qualquer momento. — Não parece?

— Eu...eu não sei. — Rio de nervoso e ele ri do meu nervosismo.

— Não importa. Você não precisa me contar mais nada. Vamos só aproveitar o resto do nosso jantar. — Ele derrama o restinho de vinho que tem na taça.

— Resto? Tem mais?

— Sim. — Josh bebe um gole do vinho e passa para mim. — Bebe, nós vamos dar uma volta.

Bebo o resto do vinho e franzo o cenho em confusão.

— Dar uma volta? E se nos virem?

— A essa hora? Não vão. E vamos estar em um carrinho daqueles de golfe. — Josh se levanta da cadeira, pega um blazer e uma toalha e estende a mão pra mim.

— Por que você pegou essa toalha, Joshua? — Questiono, confusa e também com medo do que esse homem planejou.

— Vamos logo. — Ele sorri como uma criança prestes a aprontar.

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