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Estamos a caminho do restaurante onde acontecerá o jantar entre os times.

Noah está agitado ao meu lado, mexe no celular e depois o guarda. Eu só espero que ele não arranje confusão e que tudo dê certo.

O lugar foi reservado para nós, afinal, onze jogadores mais 7 reservas mais suas companhias. Isso tudo em dobro, é claro, porque são os dois times.

É possível ver um grupo grande de paparazzi do outro lado da rua do restaurante, estão malucos para conseguir um clique revelador para alimentar as fofocas sobre a briga de hoje cedo.

Noah e eu descemos do carro juntos. Ele segura minha mão e entramos no restaurante ouvindo os gritos dos fotógrafos tentando chamar a nossa atenção. Funcionários do restaurante nos recebem com sorrisos contidos e nos levam até nossos lugares.

Há duas mesas longas, em uma delas estão os jogadores principais dos dois times, pelo que Noah me disse, os envolvidos na briga estão nela. Na outra mesa, os jogadores reservas e familiares.

Enquanto Noah e eu caminhamos para nossos lugares na mesa principal, antes de começar a procurar o lugar que Josh está sentado, reparo que há uma mesa redonda mais ao canto, e todos nela são crianças. Filhos, talvez sobrinhos, até mesmo netos. Demoro tempo demais reparando nelas, como conversam e brincam em cima da mesa de jantar, sem se importar se estão em um dos restaurantes mais caros do país. Todas são tão fofas e cheias de vida.

Meu coração se aperta no peito por um momento. Algum dia terei uma criança naquela mesa? Algum dia existirá um contexto favorável para uma criança na minha vida?

— Any. — Noah chama minha atenção quando chegamos a mesa, quase todos os lugares estão ocupados. — Boa noite. — Noah cumprimenta secamente, se sentando em uma cadeira que eu acredito ser a dele, perto da ponta da mesa. Me sento ao seu lado, percebendo que Gregg, o treinador do time está ao lado de Noah.

— Como estão? — Gregg pergunta, sem olhar diretamente para nós.

— Esperando que isso acabe logo. — Noah responde, pegando o guardanapo minuciosamente dobrado em cima do prato e o colocando em seu colo. Ele apoia o braço no encosto da minha cadeira preguiçosamente, esperando por algo. — O capitão de vocês costuma se atrasar assim?

Prendo a respiração por um segundo, vendo que Josh ainda não chegou. Dois jogadores do time canadense ignoram Noah e cochicham algo entre si.

— Onde estão os garçons? Quero um champanhe, um vinho, qualquer coisa. — Noah levanta o braço chamando um funcionário.

— Noah. — O repreendo. Acabamos de chegar na droga do restaurante, ele não pode começar a beber agora.

— O que? Vamos ficar esperando? — Reviro meus olhos discretamente, também torcendo para que essa noite acabe logo.

Dentro de quinze minutos o resto dos jogadores de ambos os times chegam ao restaurante. Percebo quando Josh entra no salão e meu coração para. Não apenas por estar vendo ele depois de noite passada, mas porque ele está acompanhado de uma mulher loira.

Ursula.

Tudo começa a fazer sentido na minha cabeça nesse momento, começo a ligar os pontos e rapidamente deduzo que Ursula é mãe dele. Ela não parece me notar e segue andando com Josh até a mesa das crianças, ela se senta em uma cadeira vazia e parece assegurar Josh de que é ali que ela quer ficar.

Ele concorda e caminha em direção a nossa mesa, sentando-se de frente com Noah. O treinador deles se senta ao lado e Lamar, seu amigo próximo do outro lado.

— Não foi minha intenção atrasar o jantar, eu sinto muito. — Josh garante, de forma educada para que todos possam ouvir. Seus olhos azuis me capturam várias vezes, eu tento disfarçar e olhar para outras coisas, para os vasos chiques espalhados pela mesa, as taças...mas sempre acabo trocando olhares com ele.

— Antes tarde do que nunca, Beauchamp. — A taça de champanhe de Noah é colocada em cima da mesa e ele sorri com deboche, tomando um gole da bebida.

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