Apenas mais um dia
Em uma noite de abril, numa segunda-feira gélida e sufocante, Andrew andou pelo solitário edifício dos Vingadores esperando encontrar o que uma vez foi a sua família. Era estranho, na verdade, esperar encontrá-los sentados no sofá como faziam na torre de Stark quando a vida era um pouco menos complicada. Naquela época, as coisas pareciam tão difíceis, mas Andrew inveja aquela vida que destoa da sua vida de agora.
Wanda e Visão sumiram do mapa, os rastreadores foram deixados para trás e a última vez que falaram com Steve, foi avisando que estavam em um lugar. Alguns dias depois, Steve descobriu que era mentira. Perderam mais dois.
Sam estava em algum lugar na Espanha, escondido da polícia e vivendo de fast foods locais e de quartos de hotéis baratos. Não era exatamente uma vida e tão pouco uma casa, mas Sam tinha alguma coisa que Andrew não tinha: esperança. Ele ainda acreditava que poderia ter algo melhor do que andou recebendo nos últimos meses desde que virou um fugitivo.
Natasha ainda aparecia às vezes, com um sorriso carinhoso e um abraço acolhedor, oferecendo palavras gentis, mas que estavam longe de ser verdade. Ela queria fazer com que Andrew não ficasse preocupado, porém, para alguém que mentiu a vida toda, ele sabia reconhecer belas mentiras embrulhadas em embalagens brilhantes e laços chamativos.
Às vezes ele desejava que as coisas fossem mais fáceis, que a briga entre o Capitão e Tony nunca tivesse acontecido e que de alguma forma eles conseguissem chegar a um acordo. Parecia uma realidade distorcida e esse pensamento fez Andrew encolher os ombros e afundar as mãos nos bolsos do sobretudo preto.
Em silêncio, ele caminhou pelos corredores, sonhou com uma vida diferente e considerou se valia a pena continuar. Os últimos meses foram difíceis, embora os anos que passaram também não foram fáceis. Teve Loki, que fez Andrew perceber o quão errado era e que havia algo de errado dentro dele. Seguido por Ultron, que o modificou para sempre e tirou tudo que existia de bom que ainda vivia dentro de Andrew. Pietro.
Pietro assombrava os sonhos de Andrew como uma memória de alguém que se foi, mas que foi eternizado dentro do coração e alma de Andrew. Ele sonhava com uma vida onde Pietro sobreviveu, eles moravam em um apartamento longe de tudo que quase os destruiu e eram tão felizes que Andrew demorava para se recuperar quando acordava. Amar Pietro praticamente matou Andrew.
O amor quase matou Andrew.
Ele amou tanto aquela família, os Vingadores, que agora procurava encontrá-los em cada corredor que passava.
O escritório de Tony estava a alguns passos de distância, a porta entreaberta permitia que as vozes escapassem e se tornassem meros sussurros jogados no corredor. Andrew hesitou em continuar andando, receoso quanto a enfrentar Tony depois de tanto tempo, mas encontrou coragem ao reconhecer uma voz.
– Isso não é só sobre como você desmantelou os Vingadores, Tony! – A voz de Steve transmitia uma raiva que Andrew não se lembrava de ter ouvido antes.
Cuidadosamente, ele se aproximou da porta até conseguir escutar com perfeição cada palavra que saía. Não fazia sentido para ele que Steve e Tony estivessem conversando, não depois de tudo que aconteceu. Parecia injusto que agora eles resolveram conversar depois de tudo ter sido arruinado.
– Eu não desmantelei os Vingadores. – Tony rebateu. – Você fez isso quando resolveu se aliar a aquele assassino, não eu. Você fez isso quando reuniu metade dos Vingadores para começar uma luta e os colocou como criminosos para o mundo inteiro. Você fez isso quando colocou meu filho contra mim!
Andrew encolheu os ombros com o grito de Tony, o ódio em sua voz fez com que ele considerasse o quão destruído Tony ficou depois de tudo que aconteceu. Depois que perdeu os Vingadores. Depois que Steve o deixou.
– Eu não coloquei Andrew contra você. – Steve suavizou as palavras, mas ainda existia uma centelha de raiva rugindo em sua voz. – Você fez isso, Tony. Fez isso ao negligenciar o amor a Andrew por tantos anos. Se Andrew escolheu um lado, não pense que a culpa foi minha ou de qualquer outra pessoa que não seja você.
– E-eu... Eu tentei amá-lo da minha forma.
– Bem, não foi o suficiente. – Steve disse. – Não foi o suficiente os seus esforços nem para salvar as pessoas.
Apesar de não poder ver o rosto de Tony, Andrew conseguia imaginar a dor que deve ter cruzado seus olhos com as palavras de Steve. Com a verdade que continha ali. Não era surpresa para ninguém o quanto Ultron e tudo que resultou dele assombrava Anthony, a forma que tantas pessoas foram arruinadas por ele, que Andrew foi arruinado por Ultron e consequentemente Tony. Ninguém precisava dizer isso a Tony, mas Steve achou necessário.
De todas as coisas que Steve fez nos últimos meses, jogar a verdade na cara de Tony foi a pior delas.
– Eu vim aqui para nos resolvermos, Tony, não para brigar.
– Acho que não dá para nos resolvermos. – Tony sussurrou, as palavras se perdendo aos poucos na dor que surgiu em sua voz.
– Eu não sei sobre isso, gosto de pensar que ainda podemos consertar as coisas. – Steve disse. – Mas se acredita nisso, então pode tentar resolver as coisas com a única pessoa que ainda o ama mesmo depois de tudo. Andrew pode ter me ajudado e você pode ter ficado chateado, porém ele sempre escolherá você, Tony. Não há outra pessoa no mundo que Andrew ame mais.
– Eu me arrependo, Steve. – Tony confessou, um mero fio de voz que Andrew poderia não ter escutado caso não tivesse se aproximando mais da porta. – Queria ter sido um pai melhor.
Escondido atrás da porta, Andrew sabe tanto quanto Tony que é tarde demais para arrependimentos e desculpas.
Andrew não era mais o garoto desesperado por aprovação – ou talvez ele tentasse se convencer disso –, que foi incorrigivelmente transformado por Ultron e quebrado de formas que jamais poderiam ser desfeitas. E Tony não era mais o homem que não sabia amar, agora ele sabia amar, mas aprendeu isso após perder todos que amava. Não fazia mais sentido.
Eles perderam tudo, embora, caso quisessem, ainda poderiam ter tudo.
Entretanto, para isso, era necessário um tipo de esforço que se perdeu há muito tempo e que nem Andrew sabia se poderia encontrar. Era tarde demais para eles, Andrew e Tony. Não era tarde demais para Tony e Peter, no entanto. Ainda existia eles, um tipo de familiaridade que jamais existiu entre Andrew e Tony.
Engolindo em seco, Andrew deu as costas e deixou para trás o que restou de seu amor incondicional por aquela família. Eles não queriam mais essa família, não estava nas mãos de Andrew essa decisão e ele cansou disso.
Em uma segunda-feira qualquer, Andrew seguiu em frente.
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Stark
FanfictionQuando Tony Stark descobriu que tinha um filho, seu primeiro instinto foi ir atrás dele. Porém não passou por sua cabeça que ele teria que aprender a ser pai ao mesmo tempo que precisaria lidar com o passado de seu filho. Por sorte, Tony tem ótimos...
