"But friends don't say words that
make friends feel like more than just friends"
V - Fri(end)s
A rodoviária já estava se tornando a segunda casa de Pedro. Ele nunca foi muito de viajar, e sempre que saía da cidade era para visitar alguns parentes no interior, então não era algo que ele estava acostumado.
Dessa vez, o ônibus de João chegou adiantado, e Pedro chegou na rodoviária ainda mais adiantado. Estava com um humor radiante para quem odiava ser acordado tão cedo, mesmo sendo sete horas da manhã. Recebeu o loiro com um grande sorriso no rosto e ganhou um selinho que fez seu rosto corar. Apesar de não trocarem tantas palavras até chegarem no apartamento de Pedro, suas mãos estavam entrelaçadas no banco de trás do carro de aplicativo e sorrisos bobos eram trocados quando seus olhos se encontravam.
Pedro se sentia como uma adolescente. As borboletas no estômago, a ansiedade para ver o loiro, a preocupação em escolher a melhor roupa para buscá-lo na rodoviária. Ele nem se lembrava qual foi a última vez que se sentiu assim sem culpa. Nos últimos relacionamentos, ele se sentia bobo por se dedicar tanto ao seu parceiro sem receber o mesmo de volta, sem se sentir amado. Tófani se sentia cansado no amor, já tinha perdido as esperanças. Sempre quis se sentir amado, mas parecia que a sua vida amorosa estava destinada ao fracasso: quando não era ele quem se doava demais, era a outra pessoa que gostava dele e ele não correspondia.
Mas com João era diferente.
Mesmo estando tão longe, João era a pessoa que mais estava presente na rotina do mineiro. Sabia de todos os acontecimentos na vida do loiro e Romania amava escutar Pedro se perder na própria fala, empolgado enquanto falava sobre as coisas que gostava. Nunca duvidou do carinho que João tinha com ele, mas pensava se seus sentimentos eram suficientes para arriscar entrar em uma relação com João morando tão longe.
Por horas, eles se permitiram viver o momento sem pensar muito no futuro. João ficaria apenas dois dias na cidade e não queriam perder tempo com isso. Essa era uma das coisas mais lindas sobre eles, a forma como eles concordavam sobre os seus sentimentos e açoẽs de forma natural, se entendendo em olhares e gestos. Seus dedos entrelaçados no carro era uma promessa de curtirem os próximos dias sem se preocuparem com mais nada - era o suficiente.
𖤐
Uma blusa de time nunca fora tão interessante para Pedro como naquele momento. Encostado na porta do banheiro, ele observava João trocar entre suas várias camisas do São Paulo até encontrar a camisa perfeita para assistir ao jogo. A melhor parte para Pedro, era quando Romania passava um tempo a mais indeciso e ficava sem camisa enquanto tentava escolher.
Pedro já estava com uma das camisas de João branca. O paulista não escondeu o quão feliz ele ficou em ver o mineiro usando sua roupa, do seu time. Quando Pedro saiu do banho com a roupa, seus lábios foram logo atacados em um beijo faminto. Foram alguns minutos gastos em amassos e provocações até conseguirem se desgrudar para não perderem a hora.
Chegaram no estádio com cinco minutos do jogo já iniciado. João escolheu sua blusa vermelha da sorte - a camisa parecia já ter sido usada milhares de vezes, pois seu tecido já estava um pouco gasto, mas, a melhor parte para Pedro era o fato de que ela estava praticamente grudado nos músculo do outro por ser tão antiga. A visão que ele teve sentado na arquibancada era divina: os músculos de João se contraindo nos momentos de tensão e a expressão emburrada dele nos momento que o time perdia um gol. Foram dois tempos assim, sem nenhum gol e um bico enorme permanecia nos lábios de João, se desfazendo em alguns sorrisos apenas quando recebia alguns beijos de Pedro para consolá-lo.
No momento dos penaltis, a tensão da torcida era contagiosa e até Pedro se levantou para poder realmente assistir o jogo (e não a Romania) pela primeira vez. Descobriu que aquela era uma final importante, um campeonato importante que Pedro já não recordava mais o nome. De forma automática, as suas mãos se entrelaçaram em um aperto forte, os olhos não se cruzavam, focados demais no campo.
Quando o time rival perdeu o terceiro gol, a torcida vibrou tão alto que Tófani ficou surdo por alguns segundos. Sem pensar, puxou João para um beijo no meio da torcida que se estendeu por alguns minutos até eles perderem o ar, sorrindo um para o outro enquanto recuperavam o fôlego e voltavam a se beijar. Os dois sentiram que aquele beijo tinha um algo a mais, não só pela comemoração da vitoria, mas os dois sabiam que não se sentiam prontos para admitirem um para o outro.
Já fora do estádio, eles caminhavam de mãos dadas até a avenida mais próxima. Decidiram comemorar em um bar, bebendo um pouco antes de voltarem para o apartamento de Pedro.
— O que você achou de assistir uma partida de futebol depois de tanto tempo? — perguntou João com um sorriso que não saia do seu rosto e os olhos brilhando. Pedro se perguntava se aquele olhar era apenas de felicidade pela vitória ou também tinha alguma relação com ele.
— Ok, eu posso admitir que não foi tão ruim quanto eu lembrava, mas a melhor parte com certeza foram as músicas da torcida. Acho que vou dormir com a letra delas na minha cabeça ainda! — confessou Pedro, abrindo um sorriso.
— E você trouxe sorte 'pro time. Acho que agora você será obrigado a ir em todos os jogos comigo, amuleto da sorte.
— Eu sou o amuleto da sorte do São Paulo?
— Não, você é o meu amuleto da sorte — e selou os seus lábios.
𖤐𖤐𖤐
1/3
Até amanhã!
xx Lia
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Sina
FanfictionSina: [s.f]: Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos da vida que se acredita serem inevitáveis. Quando o destino de duas pessoas estão escritos nas estrelas, não tem nada que possam fazer para muda-lo. Mas o caminho até as estrelas pode s...
