Capítulo 12

239 22 9
                                        

"I like shiny things, but I'd marry you with paper rings (..) Darling, you're the one I want"
Taylor Swift - Paper Rings

Depois de tantos anos de amizade, comprar um presente para Maria Luisa parecia um desafio para Pedro. Duas horas haviam se passado e nada do que via parecia ser suficiente ou algo que a amiga não tinha. Já foram inúmeros presentes ao longo do ano e Pedro não estava com muito energia ou criatividade para fazer alguma coisa manual, então continuou andando em circulos pelas lojas do shopping na esperança de algo brilhar seus olhos e, finalmente, encontrar o presente perfeito. Ele só não esperava que seus olhos brilhariam por outro motivo.

A pequena pedra brilhava de forma sútil no solitário do par de alianças finas e delicadas. Mesmo que o diamante fosse pequeno, nos olhos de Pedro as joias pareciam brilhar como um sonho. Um sonho muito especifico que vinha o deixando acordado nos últimos dias e não permitia sua mente descansar. Aquele par de alianças se parecia muito com o anel que lhe era dado em diversos cenários por João em seus sonhos durante a madrugada.

Da primeira vez, Pedro até conseguiu se esquecer dos detalhes do sonho ao longo do dia. Porem-se, quando o mesmo sonho se repetiu pelo terceiro dia, as imagens já dominavam sua mente em flashbacks constantes e seu coração batia sempre mais forte quando pensava em João fazendo o pedido.

Sabia que as coisas com o paulista estavam confusas e Pedro não sabia exatamente quando eles atravessaram essa linha, mas já tinha mais de uma semana que eles se tratavam como namorados. Desde a ligação do carnaval, depois de Pedro ficar distante por alguns dias por estar confuso com seus sentimentos, ser chamado de 'amor' por João já era rotina. Pedro até mesmo se sentiu bravo quando foi chamado pelo nome, e só desfez o bico quando ouviu "amor" sair repeditamente dos lábios de João.

Mesmo assim, Pedro ainda se sentia inseguro. Malu não aguentava mais escutar o amigo falar por horas sobre prós e contras do mineiro e do paulista se relacionarem, e, em uma das ligações, perdeu a paciência e foi direta com Pedro afirmando que ele era o único burro que não percebia que seus sentimentos eram correspondidos. E Pedro sabia que ela estava certa, mas ele ainda tinha medo. Medo de entrar de cabeça nessa relação e, mais uma vez, ser descartado como um peso na vida das pessoa, como um problema fácil de ser resolvido retirando da sua vida. Ele não aguentaria viver isso mais uma vez. Não confiava mais nos seus sentimentos, e, principalmente, não confiava nos sentimentos das outras pessoas. Era sempre assim: de início, o carinho e a felicidade era mútua e deixavam Pedro quase flutuando; depois, quando a paixão acabava, nada naquele Pedro de verdade - não mais coberto pela paixão - parecia ser suficiente para alguém o escolher. E esse sentimento de ser um peso, de ser descartável, corroía Pedro por dentro, mesmo que ele fosse muito bom em esconder. Mesmo que ele fosse muito fraco para controlar seus próprios sentimentos e sempre fosse 'emocionado demais' desde o primeiro encontro.

Com João, lutar contra seus sentimentos estava ainda mais dificil e não sabia por qunto tempo aguentaria continuar nessa batalha.

Ignorando seu coração batendo forte com o turbilhão de pensamentos e sentimentos que pareciam atravessar Pedro como facas, o mineiro entrou dentro da loja para comprar o presente que procurava. As alianças tinham valido de alguma coisa, a final, pois os pingentes expostos do lado dos aneis o fez lembrar da pulseira de berloques que Malu tinja e adorava colecionar mais. Finalmente tinha o presente. Só não sabia mais se tinha sanidade.

𖤐

Os amigos não reagiram bem a noticia de que Pedro e João não estariam dividino a casa com eles naquele fim de semana. Os dois haviam alugado um apartamento para se hospedarem depois de João dizer as palavras certas que convenceriam o mineiro a fazer qualquer coisa. Não que ele precisasse de muito para aceitar passar um fim de semana inteiro ao lado de João, mas ele ainda teve que aguentar seu telefone travando com as diversas notificações dos amigos indignados com a noticia e das milhares de mensagens de Malu xingando-o. Ok, talvez ele tenha errado em não estar ao lado da amiga no fim de semana do aniversário dela, já que ele viajou até Sao Paulo em pleno final de semestre da faculdade para isso, mas ninguem poderia culpa-lo por aceitar ser mimado por João e poder ter o privilégio de ver o paulista cozinhando para eles sem camisa e com o cabelo molhado após o banho.

Sina Onde histórias criam vida. Descubra agora