Capítulo 6

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"Vivo a viajar, do jeito que eu sempre quis,
agradeço quando 'dá, eu nunca estive tão feliz"
Lagum — De Amor Eu Não Morri

A viagem até a praia foi um sufoco, no sentido mais literal da palavra. Como quatro jovens universitários conseguiam ter tantas coisas para levar para praia? O carro de Zebu fez a viagem com o dobro do tempo devido ao peso do carro com a quantidade de malas dentro. Pedro viajou no banco de trás, espremido entre Malu e três malas empilhadas do seu lado. Marília aproveitava o banco da frente ao lado do quase namorado, como se os seus outros amigos não estivessem sufocados - era assim que Pedro se sentia.

Chegaram no apartamento no final da noite, quase madrugada. Só conseguiram pegar a estrada no meio da noite, após Zebu sair do seu serviço como professor. João chegaria apenas no final da manhã no dia seguinte por causa do trabalho, de novo. Dessa vez, o mineiro não se sentiu aliviado por encontrar o loiro só no outro dia, mas ainda não conseguia admitir isso para si mesmo muito bem.

Quando chegaram na entrada do condomínio, Pedro ficou chocado. Não sabia quanto dinheiro a família de Marília tinha, mas parecia ser muito. O apartamento era de frente para a praia e eles pareciam ser o grupo de pessoas mais novas ali. Todos os outros moradores eram famílias e casais mais velhos, provavelmente socialites de São Paulo. A roupa da criança que passou correndo molhada entre suas pernas - como os pais dessa criança deixaram ela nadar na piscina tão tarde da noite? - parecia custar o valor de todo o seu salário como estagiário. O apartamento tinha quatro suítes e Pedro se viu sozinho no último - o que significava dividir o quarto como Romania a partir do dia seguinte. E a ideia o deixava animado.

Depois de organizarem suas coisas, Zebu comentou que a praia na frente do apartamento ficava cheia nas noites de férias e seria uma ótima maneira deles começarem a viagem curtir o mar de noite.

𖤐

Marília, Zebu e Caio foram os únicos que realmente estavam dispostos a se molhar naquela noite, então Pedro ficou com Renan e Malu na areia da praia sentados. O som das ondas acalmava o coração de Pedro enquanto os amigos riam sobre alguma coisa ao seu lado. Seu olhar era perdido no horizonte e tudo ao redor parecia desfocado.

– Alguém quer acender? - perguntou Renan tirando o baseado na parte da frente de sua mochila.

– Meu deus, Renan! – comentou Malu sem conseguir segurar a risada – Foi você que bolou isso? Acho que esse o beck mais feio que eu já vi!

O cigarro estava amassado, tudo parecia querer cair a qualquer instante.

– O Caio não quis bolar dessa vez. – revirou os olhos – Tive que fazer sozinho. Essa porra é muito difícil!

– Você é o pior maconheiro do mundo. Me passa esse 'trem logo, você não 'tá nem conseguindo segurar direito sem piorar a situação! – Pedro afirmou pegando o objeto da mão de Renan com todo o cuidado do mundo, o apoio na boca apontou na direção da amiga que segurava o isqueiro. A chama iluminou o rosto do mineiro enquanto ele dava a primeira tragada. Eles conseguiram fumar algumas até ser a vez de Pedro novamente e o cigarro se desmanchar antes mesmo de ser colocado na boca. Chapados, eles riram da cena até a barriga doer por longos minutos e Malu perder o fôlego, preocupando Zebu que se aproximava do grupo e viu a amiga deitada no chão vermelha e com a mão na barriga.

O grupo continuou rindo durante toda a madrugada, aproveitando a praia até o nascer do sol. Só subiram para o apartamento quando sentiram a pele esquentar com o calor do Sol, percebendo que precisavam descansar para poderem aproveitar o restante do dia quando todos estivessem juntos. A cama de Pedro parecia vazia demais quando ele se deitou, mas agradeceu por estar chapado e conseguir dormir rapidamente.

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