Numa corrida constante pela tranquilidade e pela paz, busco por coisas que há muito tempo eu não sei o significado. Procuro por elas mas não há meio de serem encontradas, se perderam com tudo o resto que um dia considerei meu.
Por muito que me esforce para viver, as vezes é como se estivesse de fora de salas, em vagos corredores que eu só passo perto e nunca consigo entrar, nos lugares onde o espetáculo da vida acontece, e o acesso só parece proibido à mim.
Sei que as vezes pareço ingrato, sim, por anular a dor alheia.
Pareço egoísta, sim, por me meter a frente daqueles que morreram antes de mim.
Por recorrer a meios impróprios para puder sentir o mínimo de vida que seja.
Mas afinal de contas, qual é o homem que não deseja sentir o coração aliviado?
Por mais que me esforce, não consigo sentir a essência da vida...
E agora estou no fim, sentado a escrever cartas para ti, não que eu não aguente mais, isso não é uma despedida, eu só cansei de insistir. Sinto a tua falta, não me conformo com a vida sem ti. Por mais que eu procure um sentido, todos os caminhos parecem ter se perdido quando eu te perdi.
Confesso que não sou o mesmo, e sinto falta do meu sorriso, agora sou menos doce e mais amargo, tanta coisa perdeu o valor...
Por aqui o céu já não é assim tão claro, e mais uma vez, eu não me perdi eu só cansei de insistir.
Nem me desespero, eu só estou no zero, confesso eu próprio me saboto às vezes, creio que a culpa não seja minha, foi o melhor que aprendi a fazer.
By: Luís'Filipe e Alicia'Renata.
