Talvez eu tenha que aceitar a solidão, a tristeza de existir, mas não estar aqui; aceitar a sensação de não pertencer a lado nenhum e de não morar em certos corações. Talvez ser e estar sozinho não seja assim tão mal; eu só preciso aprender a ser a minha melhor companhia.
O poço é fundo, mas eu posso fazer dele colorido e lindo. A casa está desarrumada, vazia e fria, mas ela não precisa de mais habitantes; eu vou aprender a cuidar dela sozinho.
Alguém me avisou que as coisas, por essa fase da vida, não seriam as mesmas; seriam bem piores que as do passado. Mas nada que eu já não tivesse que me habituar: é um loop do que tenho fugido e me recusado a aceitar.
Talvez eu não seja a melhor companhia do mundo; talvez eu atrapalhe mais do que ajude; talvez seja tudo uma farsa, o que dizem sentir quando tudo começa.
Eu quero viver sem reclamar. Eu quero viver a sorrir, não me abalar se o amor me deixar, não ceder se a tristeza tentar me levar com ela e não permitir que a dor insista em permanecer por aqui. E, na fase em que isso tudo vira um circo, eu quero ser o trapezista.
