Você resmunga irritada, deixando os fones de lado e encara os alvos indignada, não conseguiu acertar sequer um alvo com precisão. Você suspira pesadamente, vendo que passou tempo demais treinando ao olhar para o relógio, passava das uma da tarde. A lembrança do Tenente ordenando que você parasse de pular refeições te fez perceber que estava na hora de uma pausa. Você guarda os equipamentos que utilizou em seus respectivos lugares antes de se virar para ir embora. Quando você sai da sala de treinamento e caminha pelos corredores em direção ao dormitório, uma explosão fez a base estremecer, seguida de um alarme ensurdecedor. A voz do Sargento Soap soou através dos inúmeros alto falantes da base.
"Este é um alarme de emergência! Repito, alarme de emergência! Todos os recrutas vão para o ponto de evacuação atrás da base o mais rápido possível!"
Você arregalou os olhos assustada, a confusão fazendo você franzir as sobrancelhas, o que diabos foi aquela explosão? Sem perder mais tempo, você atravessou o refeitório correndo, em direção a área de evacuação. Você olhou para o lado no espaço aberto do refeitório, podia ver alguns soldados desconhecidos invadindo a base pelo estacionamento de aviões.
Uma invasão?!
Quando estava prestes a sair do refeitório, foi surpreendida por um dos soldados quando ele te empurrou para o chão, te impedindo de continuar correndo. Você logo se vira assustada ao ver a silhueta do brutamontes e rasteja para trás rapidamente para manter distância do soldado. Ele põe o fuzil nas costas e te observa, estudando seu rosto. Você olha o uniforme dele ao ver a bandeira estadunidense, o que te deixou ainda mais confusa.
"Você vem comigo, garota." Ele diz, logo dando passos pesados em sua direção.
Você se vira para correr quando ele se aproxima de você, mas ele logo te pega quando você entra no corredor. Porém, quando ele agarra seu braço, você se vira e usa o impulso para socar o nariz dele com força. Ele grita, te jogando com força na parede próxima. Você geme de dor ao sentir suas costas se chocarem contra a parede, rastejando o corpo na parede até sentar no chão. Ele olha para você com uma expressão furiosa, estendendo a mão prestes a dar um tapa em seu rosto que você tinha certeza de que ia te desmaiar. Porém, você escuta passos pesados se aproximando rapidamente e de repente alguém agarra o soldado pela cintura e o joga no chão em um baque forte numa velocidade surpreendente.
Você vira o rosto assustada, vendo o Tenente Ghost em cima do soldado, socando o rosto dele com força antes de te olhar por cima do ombro.
"Corre!" Ele grita para você, sua voz áspera e grossa ecoando por todo o corredor. Você se levanta, mas hesita em correr ao vê o invasor rapidamente revidando. Ele se levanta com tudo, empurrando o Tenente para longe, que não hesita em ficar em posição novamente, entrando em um embate físico com o homem.
Você observa assustada, o som dos golpes e socos ecoava por todo o corredor. Você se vira e corre, procurando por qualquer coisa que pudesse ajudar. Ao virar o corredor, você vê alguns corpos espalhados pelo corredor, mas estava tão desesperada por uma forma de ajudar que não se deu conta do que estava adiante. Ghost conseguiu desarmar o invasor, mas também acabou perdendo sua faca em meio a luta. Embora o Tenente fosse um poço de experiência em combate, seu adversário também parecia ser da elite do exército. Ambos estavam em pé de igualdade, antes do invasor usar o impulso do corpo para jogar Ghost no chão com força e atingi-lo com um chute no rosto, que deixou Ghost desorientado.
"Você está no caminho." Foi tudo que Ghost ouviu antes de olhar para cima e ver o revólver do soldado diante dos seus olhos. Porém, Ghost manteve seu olhar firme e frio, olhando profundamente nos olhos do invasor como se estivesse o desafiando, precisava conseguir uma abertura.
"Por que quer a garota?" Ghost questiona, seu tom frio e calculado. Seu olhar afiado e cortante, focado apenas no invasor a sua frente com um brilho assassino.
O pequeno som da arma ao ser destravada invadiu os ouvidos de Ghost, o olhar frio do soldado indicando que não daria mais nenhum brecha. Ele segurou o gatilho e um dísparo foi escutado. No entanto, tudo que Ghost viu foi uma bala atravessando a cabeça do invasor, seguido do sangue espirrando em seu rosto mascarado. O soldado cambaleou para atrás, antes de cair no chão em um baque forte.
O Tenente prontamente se levantou, olhando em direção que a arma foi disparada e vendo você. Você segurava uma pistola com as mãos trêmulas, seus olhos mostrando desespero e o terror ao ver o cadáver sem vida no chão. Você não escutava nada e não via nada além do buraco na testa do homem e a poça de sangue no chão, percebendo o que tinha feito, sua respiração falhou e seu estômago embrulhou.
Você estremeceu quando sentiu mãos enluvadas tocando a sua, tirando lentamente o revólver que você segurava firmemente com suas mãos trêmulas.
Você rapidamente olhou para Ghost quando ele guardou o revólver na cintura e segurou seu braço, te puxando para sair dali com pressa. Enquanto passava pelo mesmo corredor novamente, foi quando percebeu os cadáveres ensanguentados no caminho. Você levantou lentamente sua mão trêmula, seu corpo gelando e seu coração acelerado ao ver o sangue nela.
"Mantenha o foco, garota." Ghost diz rudemente, trazendo seu foco de volta aos poucos. Você tentou respirar fundo enquanto seguia ele para a área de pouso no fundo da base, onde havia um helicóptero esperando por vocês.
"Temos que ir!" O Sargento Soap gritou, ele segurava sua arma em mãos, dando cobertura a vocês dois.
Ghost te ajudou a subir no helicóptero e assim que ambos sentaram, o piloto decolou. Você olhava para o chão fixamente com o olhar turvo, suas mãos ainda tremiam, a imagem dos cadáveres voltando a sua mente, um zumbido preenchendo seus ouvidos. Você foi tirada de seus pensamentos ao sentir a mão enluvada de Ghost tocar a sua, ele segurava um lenço e limpava o sangue em suas mãos. As mãos dele tremiam mais que as suas, como se ele estivesse tenso ou...com raiva. Seu olhar se direcionou aos olhos dele, estavam gelados, dava pra perceber a sobrancelha franzida apesar da máscara.
"Não pense demais, você fez o que tinha que fazer." Ele diz friamente, sua voz tensa e carregada de algo que você não conseguiu identificar. "Descanse."
Ele então soltou sua mão, se inclinando para perto de você para por o cinto de segurança, antes de se inclinar para frente e tocar o ombro de Soap. A ventania te impedia escutar qualquer coisa que eles estivessem conversando, mas pelas expressões de Soap, você tinha certeza de que ele estava puto com o que aconteceu.
Sua visão logo fica turva novamente, seus olhos fixos em um ponto qualquer. O silêncio te envolvia como um manto pesado, o ruido ao seu redor não encontrava mais passagem até você, mal sentia o toque do ar em sua pele. Dentro de você, no entanto, um turbilhão de memórias latejava, uma ferida recém aberta, o peso de ter tirado uma vida. Você sabia que isso aconteceria, sabia que cedo ou tarde teria que matar, mas não pensou que seria tão cedo. Seu coração queria te dizer que você fez o que precisou, o Tenente Ghost estava em perigo. Porém, aquela imagem insistia em voltar cada vez mais detelhada, carregada de culpa, pesando seu corpo e destruindo sua mente, restando apenas um questionamento.
Por que atirei na cabeça dele?
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The Ghost's recruit
Roman d'amourAres, aos 18 anos, vivia como uma sombra, sem sonhos ou vontade própria, existindo apenas para satisfazer as ambições de seu pai. Ele, um renomado general das forças especiais britânicas, carregava o peso de um sonho destruído: queria um filho homem...
