Som expressivo e melancólico do violino chegava a entrada da mansão de paredes brancas e janelas enormes, as cortinas balançam com o vento, este que que parecia estar em sintonia perfeita com o instrumento a ser tocado. O jardim era grande, repleto de flores e grama verdinha e fresca, algumas árvores deixando suas folhas serem levadas com a música. Na entrada havia uma varanda com um banco de madeira sofisticado, a porta branca com adornos dourados dava acesso a sala de estar, que era tão grande que fazia eco.
Tanto os móveis quanto as cortinas e paredes eram brancos com decorações douradas, quadros elegantes enfeitando as paredes. No final do largo corredor, havia um salão enorme de onde vinha a música. No centro, uma garotinha apoiava o violino no ombro esquerdo, os dedos pequenos e calejados pressionando as cordas enquanto a mão direita controlava habilmente o arco. A musica que ela produzia, transmitia o sentimento de liberdade, uma sensação pacifica e ao mesmo tempo melancólica.
Aquela garotinha era você.
No entanto, não era esse sentimento que sua expressão transmitia. Suas mãos estavam geladas, e embora a sala estivesse com as janelas abertas, você estava suando. Uma sombra pairava sobre você, carregado de uma tensão sombria que fez sua postura vacilar, seu corpo gelando de medo.
"Pare." A voz era gelada, autoritária.
Você parou de tocar, engolindo em seco pois ja sabia o que estava por vir. Foi algo mínimo, mas era o suficiente para seu pai te punir. Deixou o violino em uma mesa próxima, seus movimentos trêmulos, suas sobrancelhas franzidas quando segurava as lágrimas. A mão de Shepherd era gelada e firme, ele deslizou os dedos pelo seu cabelo, colocando as mechas longas em seus ombros, antes de abrir lentamente o zíper do seu vestido. Você segurou o tecido com as mãos trêmulas e suadas, fechando os olhos com força e segurando o choro.
Ele pegou o arco em cima da mesa, fitando toda a extensão com um olhar frio antes de bater em suas costas impiedosamente. O som do seu choro, embora abafado, ecoava por todo o salão, mas não tão alto quando o barulho do arco estralando em suas costas repetidas vezes até que ficasse vermelho e pequenas gostas de sangue começassem a escorrer. E então, ele finalmente parou. Você soluçava a chorava baixinho, não queria irrita-lo ainda mais.
"Você é filha de um General, Ares, deve ser elegante e habilidosa. É o mínimo que pode fazer por mim por não ter nascido homem." A voz dele era tão fria, ele acariciava seu cabelo com uma suavidade que doía mais que qualquer golpe.
"Sim, papai..."
X
Você não abriu os olhos imediatamente ao acordar, mas sentia a luz do sol esquentando seu rosto. O ambiente era diferente de onde você originalmente deveria estar, cheiro, sons. Escutava alguém se mover no quarto, um farfalhar de tecido e botas pesadas no chão. Arriscou abrir os olhos, sua visão ainda um pouco embaçada focando lentamente nas costas largas de um homem sentado em uma cadeira, Ghost. Flashs da noite passada fez sua cabeça latejar, se lembrando da dor do tiro.
Arrumou a postura lentamente, fazendo o mínimo de barulho possível. Tinha uma escrivaninha do seu lado, uma faca com adornos de couro na superfície lisa. Você estendeu a mão, pegando a faca enquanto se movimentava cautelosamente para sair da cama. Assim que levantou, caminhou na ponta dos pés até ele, segurando-o pelo ombro com a mão esquerda e usando a direita para pressionar a faca contra a garganta do Tenente.
"Bom dia, pirralha." Ghost respondeu casualmente.
"Onde eu estou?" Você exige, pressionando a faca ainda mais forte, suas mãos trêmulas.
"Um lugar seguro." Ele murmura, te olhando por cima do ombro. "Abaixa essa faca...nós dois sabemos que posso arrancar ela de você."
"Velho arrogante." Você resmunga, afastando a faca na garganta dele. Você suspira, dando passos para trás até se sentar na cama novamente, o ferimento doendo.
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The Ghost's recruit
RomansaAres, aos 18 anos, vivia como uma sombra, sem sonhos ou vontade própria, existindo apenas para satisfazer as ambições de seu pai. Ele, um renomado general das forças especiais britânicas, carregava o peso de um sonho destruído: queria um filho homem...
