Capítulo 16

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Depois de acalmar seus pensamentos, você voltou para onde a comemoração acontecia. Desceu as escadas lentamente, misturando-se à multidão como um espectro sombrio. Ainda havia militares espalhados entre os civis; você avistou Soap num canto, conversando com Price enquanto observavam os arredores. Vestiam roupas civis para não chamar atenção. Eles eram procurados no mundo inteiro - seus rostos estampados em jornais, seus nomes sussurrados entre mercenários, com um preço alto por suas cabeças.

Você continuou a caminhar lentamente até parar num canto, os olhos fixos na única pessoa que te interessava: Ghost. Makarov tinha dito para você ficar longe do Tenente. Mas ele não disse nada sobre observar.

Ele estava sentado no bar, seguindo seus movimentos com olhos profundos e ameaçadores, tão afiados quanto uma navalha, fazendo você arrepiar. Você sorriu, mordendo o lábio inferior, sentindo o efeito daquele olhar no seu corpo, um arrepio, um tremor, como se seus instintos gritassem sobre um perigo iminente. Suas bochechas coraram. Era uma sensação nostálgica, a mesma que sentira quando o conhecera, só que agora você era como uma mariposa voando direto para as chamas.

Mesmo sabendo que iria se queimar...

"Ghost, hm?" A voz de Valéria surgiu ao seu lado. Você se virou, encarou Ghost por um momento antes de olhar para ela. Valéria tinha uma energia poderosa e perigosa, que te deixou em alerta.

"Parece que temos um gosto em comum para homens."

Você seguiu o olhar dela até o Coronel Alejandro, que a encarava com ódio evidente.

"Parece que vocês têm uma história." Você comentou, percebendo o ressentimento no olhar do homem, que parecia pronto para avançar nela.

"Uma longa história." Ela respondeu com um sorriso sarcástico. "E você? É o mesmo com Ghost?" Ela inclinou a cabeça em direção a ele. "Makarov me disse que você quer se vingar dele."

Se Makarov contou seu plano, então confiava nela.

Você voltou a encarar Ghost, observando enquanto ele conversava com Soap e vigiava os arredores. Seus olhares se encontravam constantemente. Os olhos dele eram como ímãs - não precisava de palavras, seus olhos diziam tudo: raiva, ressentimento, dúvida. Isso te deu arrepios de satisfação, saber que conseguira afetá-lo.

"No começo, pensei que só queria matá-lo... pensei que era raiva, mas..." Você parou ao ver a mulher se aproximar de Ghost novamente, sentando ao lado dele de costas para você. Seu corpo vibrou de raiva ao vê-la roubar o olhar dele. A raiva cresceu ainda mais quando ela tocou o ombro dele, antes de se virar para te encarar.

O olhar dela escureceu, um sorriso torto se formando nos lábios, uma expressão oscilando entre zombaria e aflição. As risadas ecoavam na sua mente, te fazendo arrepiar de raiva. Você queria avançar nela, mas se conteve, não podia arriscar ser retirada da missão. Quando a mulher deu tapinhas no ombro de Ghost antes de se levantar e vir até você, seu autocontrole começou a se esvair a cada passo dela.

Você não escutou o que ela disse, a mente distorcendo o rosto dela, alternando entre um sorriso debochado e uma expressão gentil, que logo desapareceu para dar lugar ao sorriso cruel. O ar te faltou, o corpo queimava de raiva. Ela estava te provocando por ser próxima de Ghost?

Ghost seguia atento cada movimento quando Yuri se aproximou, fazendo o Tenente colocar a mão na pistola e encarar o russo com os olhos semicerrados. Yuri pediu uma bebida, apoiou as costas no balcão e lançou um olhar irônico para Ghost, antes de se virar para a mulher diante de você.

"Eu tiraria ela de perto da Ares, se fosse você." Yuri avisou com sarcasmo, dando um gole na bebida que lhe foi servida.

Ghost o encarou desconfiado, mas o som da garrafa sendo estilhaçada contra a testa da ruiva ecoou como um tiro seco, fazendo ele entender o aviso. Murmurou um xingamento e se aproximou com pressa, seguido pelos outros. O vidro se partiu com violência, afundando-se na pele com um estalo surdo e grotesco. Os gritos e os olhares chocados ao redor preencheram seus ouvidos. Ela caiu de joelhos no chão, a mão indo em direção ao rosto enquanto o sangue escorria, quente e abundante, pintando seus dedos de vermelho. O grito agudo da ruiva rasgou o ambiente. Você sentiu a mão ardendo, apertava os cacos da garrafa com força, cortando a palma que pingava sangue no chão.

Viu os companheiros dela, incluindo Ghost, se aproximarem da confusão. Gaz se ajoelhou ao lado dela, ajudando-a a se levantar e guiando-a para longe. Você sorriu perversamente ao ver a dor gravada na expressão, os olhos arregalados em pânico enquanto Gaz pressionava seu ferimento com um lenço.

Você estava prestes a avançar quando Roman se colocou na sua frente, segurando seu pulso com um aperto de aço. Seus olhos se fixaram na mulher chorando com a testa ensanguentada, nos olhares raivosos de Gaz e Alejandro, como se quisessem cravar facas em você. Então encontrou o olhar de Ghost, uma mistura ardente de reprovação e raiva. Um sorriso sinico surgiu em seus lábios antes que Roman te puxasse com força, te arrastando para os fundos da boate.

"Me solta." Você exigiu, afastando-se bruscamente.

"Não consegue obedecer às ordens nem uma vez?" Ele murmurou irritado, elevando-se sobre você.

"Não foi nada demais, ela vai ficar bem." Você deu de ombros, revirando os olhos enquanto ele te encarava furioso.

"Chega, vocês dois." A voz de Makarov cortou a tensão como uma navalha. Ele te encarou por um instante, focando na sua mão ensanguentada antes de olhar para Roman. "Leve-a para a base em segurança e certifique-se de que ela fique lá."

"Não preciso de babá." Você reclamou.

"Eu acho que precisa de algemas." Roman zombou, o sarcasmo irritando você.

"Obedeça, Ares." O tom de Makarov não deu brecha para objeções. Você suspirou irritada, girou nos calcanhares e caminhou até o carro.

Você ouvia os passos pesados de Roman se aproximando rapidamente, ele não teve dificuldade em te alcançar. Sem dizer nada, passou à sua frente, abriu a porta do carro e se jogou no banco do motorista com uma carranca profunda no rosto. Você apenas revirou os olhos e contornou o veículo para se sentar no banco do passageiro.

"Limpa essa porra de sangue. Não vai sujar meu carro." Ele resmungou, apontando com o queixo para sua mão.

Você arqueou as sobrancelhas. Tinha se esquecido completamente do corte na palma, feito com o caco de vidro. Roman soltou um suspiro áspero, puxou alguns lenços do porta-luvas e os empurrou na sua direção, sem o menor cuidado.

"Tá estressadinho?" você provocou, o sorriso crescendo ao vê-lo te lançar um olhar fulminante.

"Você deve ser bem importante pra ele... a maioria de nós morreu por menos." Ele murmurou, ligando o carro. Depois de se certificar de que não havia ninguém por perto, saiu calmamente, cortando pelos becos até alcançar o centro. De lá, seguiu pela estrada de terra em direção à base.

Enquanto limpava a mão, sua mente ecoava as palavras dele. Era impossível não pensar em tudo que tinha acontecido entre você e Makarov.

"Mais do que deveria..." você suspirou, pressionando os lenços contra o ferimento, tentando estancar o sangue - ou o que ainda doía por dentro.

The Ghost's recruitHistórias para pegar e não largar. Descubra agora