Depois de acalmar seus pensamentos, você voltou para onde a comemoração acontecia. Desceu as escadas lentamente, misturando-se à multidão como um espectro sombrio. Ainda havia militares espalhados entre os civis; você avistou Soap num canto, conversando com Price enquanto observavam os arredores. Vestiam roupas civis para não chamar atenção. Eles eram procurados no mundo inteiro - seus rostos estampados em jornais, seus nomes sussurrados entre mercenários, com um preço alto por suas cabeças.
Você continuou a caminhar lentamente até parar num canto, os olhos fixos na única pessoa que te interessava: Ghost. Makarov tinha dito para você ficar longe do Tenente. Mas ele não disse nada sobre observar.
Ele estava sentado no bar, seguindo seus movimentos com olhos profundos e ameaçadores, tão afiados quanto uma navalha, fazendo você arrepiar. Você sorriu, mordendo o lábio inferior, sentindo o efeito daquele olhar no seu corpo, um arrepio, um tremor, como se seus instintos gritassem sobre um perigo iminente. Suas bochechas coraram. Era uma sensação nostálgica, a mesma que sentira quando o conhecera, só que agora você era como uma mariposa voando direto para as chamas.
Mesmo sabendo que iria se queimar...
"Ghost, hm?" A voz de Valéria surgiu ao seu lado. Você se virou, encarou Ghost por um momento antes de olhar para ela. Valéria tinha uma energia poderosa e perigosa, que te deixou em alerta.
"Parece que temos um gosto em comum para homens."
Você seguiu o olhar dela até o Coronel Alejandro, que a encarava com ódio evidente.
"Parece que vocês têm uma história." Você comentou, percebendo o ressentimento no olhar do homem, que parecia pronto para avançar nela.
"Uma longa história." Ela respondeu com um sorriso sarcástico. "E você? É o mesmo com Ghost?" Ela inclinou a cabeça em direção a ele. "Makarov me disse que você quer se vingar dele."
Se Makarov contou seu plano, então confiava nela.
Você voltou a encarar Ghost, observando enquanto ele conversava com Soap e vigiava os arredores. Seus olhares se encontravam constantemente. Os olhos dele eram como ímãs - não precisava de palavras, seus olhos diziam tudo: raiva, ressentimento, dúvida. Isso te deu arrepios de satisfação, saber que conseguira afetá-lo.
"No começo, pensei que só queria matá-lo... pensei que era raiva, mas..." Você parou ao ver a mulher se aproximar de Ghost novamente, sentando ao lado dele de costas para você. Seu corpo vibrou de raiva ao vê-la roubar o olhar dele. A raiva cresceu ainda mais quando ela tocou o ombro dele, antes de se virar para te encarar.
O olhar dela escureceu, um sorriso torto se formando nos lábios, uma expressão oscilando entre zombaria e aflição. As risadas ecoavam na sua mente, te fazendo arrepiar de raiva. Você queria avançar nela, mas se conteve, não podia arriscar ser retirada da missão. Quando a mulher deu tapinhas no ombro de Ghost antes de se levantar e vir até você, seu autocontrole começou a se esvair a cada passo dela.
Você não escutou o que ela disse, a mente distorcendo o rosto dela, alternando entre um sorriso debochado e uma expressão gentil, que logo desapareceu para dar lugar ao sorriso cruel. O ar te faltou, o corpo queimava de raiva. Ela estava te provocando por ser próxima de Ghost?
Ghost seguia atento cada movimento quando Yuri se aproximou, fazendo o Tenente colocar a mão na pistola e encarar o russo com os olhos semicerrados. Yuri pediu uma bebida, apoiou as costas no balcão e lançou um olhar irônico para Ghost, antes de se virar para a mulher diante de você.
"Eu tiraria ela de perto da Ares, se fosse você." Yuri avisou com sarcasmo, dando um gole na bebida que lhe foi servida.
Ghost o encarou desconfiado, mas o som da garrafa sendo estilhaçada contra a testa da ruiva ecoou como um tiro seco, fazendo ele entender o aviso. Murmurou um xingamento e se aproximou com pressa, seguido pelos outros. O vidro se partiu com violência, afundando-se na pele com um estalo surdo e grotesco. Os gritos e os olhares chocados ao redor preencheram seus ouvidos. Ela caiu de joelhos no chão, a mão indo em direção ao rosto enquanto o sangue escorria, quente e abundante, pintando seus dedos de vermelho. O grito agudo da ruiva rasgou o ambiente. Você sentiu a mão ardendo, apertava os cacos da garrafa com força, cortando a palma que pingava sangue no chão.
Viu os companheiros dela, incluindo Ghost, se aproximarem da confusão. Gaz se ajoelhou ao lado dela, ajudando-a a se levantar e guiando-a para longe. Você sorriu perversamente ao ver a dor gravada na expressão, os olhos arregalados em pânico enquanto Gaz pressionava seu ferimento com um lenço.
Você estava prestes a avançar quando Roman se colocou na sua frente, segurando seu pulso com um aperto de aço. Seus olhos se fixaram na mulher chorando com a testa ensanguentada, nos olhares raivosos de Gaz e Alejandro, como se quisessem cravar facas em você. Então encontrou o olhar de Ghost, uma mistura ardente de reprovação e raiva. Um sorriso sinico surgiu em seus lábios antes que Roman te puxasse com força, te arrastando para os fundos da boate.
"Me solta." Você exigiu, afastando-se bruscamente.
"Não consegue obedecer às ordens nem uma vez?" Ele murmurou irritado, elevando-se sobre você.
"Não foi nada demais, ela vai ficar bem." Você deu de ombros, revirando os olhos enquanto ele te encarava furioso.
"Chega, vocês dois." A voz de Makarov cortou a tensão como uma navalha. Ele te encarou por um instante, focando na sua mão ensanguentada antes de olhar para Roman. "Leve-a para a base em segurança e certifique-se de que ela fique lá."
"Não preciso de babá." Você reclamou.
"Eu acho que precisa de algemas." Roman zombou, o sarcasmo irritando você.
"Obedeça, Ares." O tom de Makarov não deu brecha para objeções. Você suspirou irritada, girou nos calcanhares e caminhou até o carro.
Você ouvia os passos pesados de Roman se aproximando rapidamente, ele não teve dificuldade em te alcançar. Sem dizer nada, passou à sua frente, abriu a porta do carro e se jogou no banco do motorista com uma carranca profunda no rosto. Você apenas revirou os olhos e contornou o veículo para se sentar no banco do passageiro.
"Limpa essa porra de sangue. Não vai sujar meu carro." Ele resmungou, apontando com o queixo para sua mão.
Você arqueou as sobrancelhas. Tinha se esquecido completamente do corte na palma, feito com o caco de vidro. Roman soltou um suspiro áspero, puxou alguns lenços do porta-luvas e os empurrou na sua direção, sem o menor cuidado.
"Tá estressadinho?" você provocou, o sorriso crescendo ao vê-lo te lançar um olhar fulminante.
"Você deve ser bem importante pra ele... a maioria de nós morreu por menos." Ele murmurou, ligando o carro. Depois de se certificar de que não havia ninguém por perto, saiu calmamente, cortando pelos becos até alcançar o centro. De lá, seguiu pela estrada de terra em direção à base.
Enquanto limpava a mão, sua mente ecoava as palavras dele. Era impossível não pensar em tudo que tinha acontecido entre você e Makarov.
"Mais do que deveria..." você suspirou, pressionando os lenços contra o ferimento, tentando estancar o sangue - ou o que ainda doía por dentro.
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The Ghost's recruit
FanfictionAres, aos 21 anos, vivia como uma sombra, sem sonhos ou vontade própria, existindo apenas para satisfazer as ambições de seu pai. Ele, um renomado general das forças especiais britânicas, carregava o peso de um sonho destruído: queria um filho homem...
