30, mostrando as garras

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JACQUES ENTROU NO QUARTO de Claire devagar, os passos ecoando levemente no ambiente silencioso

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JACQUES ENTROU NO QUARTO de Claire devagar, os passos ecoando levemente no ambiente silencioso. Seu rosto carregava a seriedade de alguém que havia passado horas refletindo antes de tomar uma decisão importante. Talvez a decisão mais difícil de sua vida.

Bonjour — ele disse, sua voz grave mas com certa delicadeza. Jacques não queria mais brigar.

Claire ergueu os olhos rapidamente, surpresa ao vê-lo ali tão cedo, ela esperava que seu pai a ignorasse até que ela sucumbisse a vontade de pedir desculpas a ele. Sempre foi assim.

Papa, hé — respondeu, quase em um sussurro, mas com uma mistura de alívio e incerteza no tom.

Ele suspirou, cruzando os braços enquanto se apoiava levemente no batente da porta.

— Estou indo pra casa... — anunciou, fazendo uma pausa. — Sozinho.

As palavras pairaram no ar por um instante. Claire apertou os lábios sem saber como reagir, mas Jacques prosseguiu antes que ela pudesse responder.

— Olha... — ele hesitou por um momento, como se ainda estivesse organizando os pensamentos. — Conversei com sua mãe e você pode ficar.

Os olhos de Claire brilharam, a surpresa misturada com um toque de esperança e desconfiança. Parecia inacreditável.

— É sério?

Jacques assentiu lentamente.

— É — ele respirou fundo, inclinando-se ligeiramente para frente, como se precisasse dar ainda mais peso ao que estava prestes a dizer. — Só tem um problema. Um problema muito sério.

Claire franziu o cenho, inclinando-se levemente na direção dele. É claro que isso só podia ser uma pegadinha, ele jamais abriria mão do controle assim tão fácil.

— O que seria? — ela pergunta, já temendo a resposta.

Ele sorriu, um sorriso melancólico mas cheio de amor. Apesar de tudo doía no fundo de seu coração deixar sua garotinha ser livre, principalmente longe dele.

— A falta que eu vou sentir de você.

O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de emoção. Jacques desviou o olhar por um breve instante antes de encará-la novamente.

— Acima de tudo, quero que você seja feliz. Então vou permitir que você tome suas escolhas, por mais ruins que elas sejam, e que aprenda com elas — sua voz tremeu levemente no final, mas ele se manteve firme. — Você sempre vai ter um lar pra voltar quando precisar dele.

Claire sentiu as lágrimas se acumularem nos olhos, mas sorriu, tocada pela sinceridade do pai. Isso, essa atitude... Era uma coisa que ela jamais tinha esperado receber de seu pai.

Merci — respondeu, temendo dizer mais alguma coisa e acabar desmoronando.

Jacques deu um passo para trás, endireitando-se.

𝐁𝐑𝐄𝐀𝐊𝐈𝐍𝐆 𝐅𝐑𝐄𝐄, 𝘳𝘢𝘧𝘦 𝘤𝘢𝘮𝘦𝘳𝘰𝘯Onde histórias criam vida. Descubra agora