35, epílogo: uma família insana

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ANNELISE DESCEU AS ESCADAS apressadamente, os passos leves ecoando pela casa

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ANNELISE DESCEU AS ESCADAS apressadamente, os passos leves ecoando pela casa. Ao entrar na sala, encontrou Claire ocupada, ajeitando a bolsa com precisão meticulosa.

— Mãe, dá pra dar um jeito no meu cabelo? — pediu, aproximando-se.

Claire levantou os olhos por um instante, avaliando a filha com um olhar tranquilo. Os olhos azuis, herança do pai, pareciam impacientes, até mesmo nervosos. O cabelo castanho longo emoldurava um rosto que, a cada dia, perdia os traços infantis. Em dois meses, Annelise faria treze anos.

— Está tão bonito — tentou argumentar, se aproximando da garota.

A filha suspirou, rejeitando a ideia.

— Faz aquela trança, ele está me irritando.

Claire hesitou por um segundo, mas logo cedeu.

— Me dá a escova.

Anne obedeceu sem hesitar. A mãe começou a trançar os fios com dedos ágeis, o movimento familiar e automático.

— Ai!

— Para de se mexer.

A garota se forçou a ficar imóvel até que, finalmente, Claire terminou. Annelise caminhou até o espelho mais próximo e se observou por um momento antes de assentir, satisfeita. Claro que ela não sorriu para a mãe — afinal, pré-adolescentes tinham uma reputação a manter.

— Posso usar meu celular agora?

Claire deu de ombros, revirando os olhos.

— Já arrumou seu quarto?

— Já.

— Então pode, mas só até chegarmos à praia.

Annelise se jogou no sofá, imersa na tela. Claire, por sua vez, voltou a organizar a bolsa, verificando cada item com uma precisão exagerada. Quando percebeu que não havia mais nada a ser ajeitado, franziu a testa.

— Seu pai não vai descer nunca? — perguntou, sem desviar o olhar da bolsa.

Annelise, ainda concentrada no celular, respondeu sem sequer olhar para a mãe:

— Você sabe como ele é enrolado.

Claire se aproximou da filha, notando algo em seu rosto.

— O que é isso no seu rosto?

Anne ergueu os olhos momentaneamente.

— Blush, assim como no seu.

— Desde quando usa maquiagem? — Claire cruzou os braços.

— Todo mundo usa maquiagem, mãe! Até o vovô, mas ele prefere mais o ácido hialurônico.

— Não seja malvada!

— Mas você vive falando isso.

— Eu posso ser malvada, você não.

Annelise bufou.

𝐁𝐑𝐄𝐀𝐊𝐈𝐍𝐆 𝐅𝐑𝐄𝐄, 𝘳𝘢𝘧𝘦 𝘤𝘢𝘮𝘦𝘳𝘰𝘯Histórias para pegar e não largar. Descubra agora