Capitulo 33

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Olá meus amores! Como vocês estão? Espero que bem! Hoje é dia de atualização.

⚠️ O capítulo de hoje está um pouco pesado contendo cenas de abuso e violência física e psicológica.

Sem mais delongas
Boa leitura

Sem mais delongas Boa leitura

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Memórias 💭

Jungkook

O ar ali era nauseante.
O cheiro de mofo, suor e bebida velha era tão intenso que parecia entupir meus pulmões.
A luz fraca do abajur pendurado por um fio balançava levemente, lançando sombras distorcidas nas paredes emboloradas e cheias de rachaduras. Eu estava sentado no chão da sala, ao lado de uma mesinha de centro improvisada com uma caixa de papelão, e eu sabia, sabia mesmo, que algo ruim ia acontecer. Era sempre assim nessas noites.

O apartamento era uma visão dantesca. Garrafas de vidro vazias por todo canto, pacotes de salgadinho esmagados no chão, cinzas de cigarro espalhadas como se fosse decoração. O som das vozes abafadas na rua ecoava lá de fora, mas aqui dentro era como se o mundo tivesse parado, preso em alguma camada miserável do inferno.
Mas o pior nem era aquilo. Não mesmo.

Meu coração disparou assim que ouvi o barulho da porta de entrada sendo chutada. Podia ser um som qualquer, mas pra mim era como um alarme de incêndio tocando, alertando que o estrago estava pra começar.
E lá estava ele, como sempre, meu pai. Cambaleando, tropeçando em si mesmo, a cara amassada de ressaca misturada com novo porre. Atrás dele, dois dos amigos de sempre, esses ratos imundos que ele chamava de ‘parceiros’. Todos eles rindo, gritando, resmungando sobre algo que eu nem me dei ao trabalho de entender.

Sr.Jeoni_ Jungkook! Cadê você, moleque? PEGA MAIS CERVEJA PRA GENTE, PORRA!

Ele rosnou com a voz arrastada, como se a bebida tivesse transformado suas palavras em mais uma arma. Eu congelei.
Meu coração já estava martelando no peito, mas agora parecia que ia explodir de vez.
Meu corpo reagiu antes de mim, e de alguma forma me levantei.
O medo fazia isso com a gente, né? Você se move mesmo sem querer, como uma máquina quebrada. Fui até a cozinha, se é que dava pra chamar aquele lugar de “cozinha”. Era só uma pia entupida de pratos sujos e armários caindo aos pedaços.
O som de risadas vinha da sala enquanto eu procurava latas de cerveja naquela geladeira que estava mais vazia do que cheia.
Cada segundo ali era um peso gigante no meu peito. Não era nem por causa deles, sabe? Não era só o medo do que podia acontecer se eu demorasse. Era o vazio. Absoluto, esmagador. Porque toda essa merda só me fazia pensar nele… no Taehyung.

Nós éramos apenas garotos. Dois moleques vivendo num mundinho só nosso. Me doía pensar que fui embora sem ver o Taehyung. Sem avisar. Sem me despedir.
Sem dizer pra ele que… que ele sempre ia ser a parte mais real, mais bonita da minha droga de vida. Ele era tudo.
Meu amigo, meu amor, minha razão pra… sei lá, pra aguentar. E do nada, eu não tinha mais nada.

Eu demorei. É claro que demorei. Não era só porque não queria voltar pra sala. Eu não conseguia sair do transe de imaginar Taehyung me abraçando de novo, aquele sorriso bobo e lindo dele me dizendo que ia ficar tudo bem. Mas, no momento em que percebi que tava ali, zonzo na cozinha com as latas de cerveja na mão, já era tarde demais.

Amor preto e branco ( Taekook-Vkook) Onde histórias criam vida. Descubra agora