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O silêncio entre nós era pleno, mas não havia necessidade de palavras para expressar o que estávamos sentindo. Eu olhava para ele, sentindo que, naquele momento, o mundo podia continuar girando, mas o meu universo estava ali, ao lado do Kevin. Ele ainda estava frágil, mas aquela fragilidade não diminuiu a força que eu via nele, e essa força me dava mais coragem para seguir ao seu lado.

Mas eu não conseguia segurar meu choro, eu não conseguia ainda digerir tudo isso, parecia que estava anestesiada, a ficha não caia, mas aquele medo persistia e isso me sufocava muito

— você não faz ideia de como eu fiquei com medo, Kevin... — minha voz saiu embargada, e eu nem tentei disfarçar as lágrimas. — quando eu soube do acidente... parecia que o chão tinha sumido. Eu achei que... que você não fosse voltar pra mim.

Ele apertou minha mão com o pouco de força que tinha, mas foi o suficiente pra me fazer sentir o quanto ele queria me consolar, mesmo naquele estado.

— não chora, minha loira... eu tô aqui. Tô todo quebrado, mas tô aqui, e isso é porque eu sabia que você tava me esperando. — ele respirou fundo, como se cada palavra fosse um esforço enorme. — Você é minha casa, minha força. Eu voltei porque eu sabia que nós tem muito pra viver ainda.

— eu te amo tanto... — sussurrei, aproximando meu rosto do dele. Meu coração parecia pequeno, esmagado pela dor, mas ao mesmo tempo cheio de amor.

— eu também te amo, vida... mais do que eu consigo explicar. — Ele piscou devagar, seus olhos ainda pesados, mas aquele brilho tava ali, firme, me mostrando que ele tava lutando.—

Eu encostei minha testa na dele, sentindo a respiração dele contra a minha pele, e prometi silenciosamente que nunca, nunca mais deixaria ele se sentir sozinho. Eu olhei pra aquele rosto que tinha alguns sinais do que foi o acidente, dei leves beijos em cada ferida pequena dali, como se fosse uma forma de curar-lo

— você é o amor da minha vida — eu falei agora dando um singelo beijo no canto dos seus lábios. Ele respirou fundo, seus olhos se fechando por um instante, talvez sentindo o calor dos meus beijos e carinho—

Eu voltei a me sentar, mas ainda ficando ao seu lado, ele foi fechando os olhos e o silêncio no quarto voltou a se formar, tirando o fato do barulho dos aparelhos

Fiquei ali, segurando a mão dele, observando cada detalhe. O jeito que ele respirava, ainda fraco, mas constante. O formato dos lábios, aquele sorriso pequeno que parecia guardar um mundo inteiro de sentimentos. Mesmo todo enfaixado, ele era o meu Kevin, o meu amor.

Minha cabeça voltou pro pesadelo que eu tinha tido mais cedo. Era tão real... Eu via ele indo embora, e por mais que eu gritasse, ele sumia. Foi sufocante, e quando eu acordei, tudo que eu queria era estar ao lado dele. Agora, vendo ele ali, lutando pra ficar comigo, parecia que a vida tava me dando uma segunda chance.

— sabe... — comecei a falar baixinho, mais pra mim do que pra ele, enquanto acariciava sua mão. — Eu tive tanto medo de te perder que acho que esqueci de me permitir acreditar. Acreditar que você é forte, que você nunca ia me deixar.

Kevin soltou um som baixo, quase como um riso abafado, e abriu os olhos novamente, um pouco mais firmes dessa vez.

— é vida.. não me subestima, hein? Eu sou mais forte do que pareço. — ele sorriu mais, apertando minha mão e começando a fazer um carinho ali—

— e eu? — provoquei, tentando aliviar o clima. — Acha que eu sou o quê, fraca? Porque olha... aguentar esse susto, esse hospital, essa sua teimosia de quase me deixar sozinha... eu tô me saindo muito bem, viu?— Ele soltou uma risadinha fraca, mas genuína—

ᴅʀᴏɢᴀ ᴅᴇ ᴀᴍᴏʀ||ᴋᴇᴠɪɴ ᴇ ᴅᴇᴏʟᴀɴᴇ||Onde histórias criam vida. Descubra agora