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depois que eu voltei pra barraca eu desabei, aquela conversa foi o ápice pra mim, foi a mais dolorosa, mas foi que fez eu soltar tudo o que eu tava sentindo.

foi como se cada palavra dita tivesse tocado nas feridas mais profundas que eu carregava, sabe?. Mas, ao mesmo tempo, foi libertador.

e agora eu tava aqui, com minhas irmãs na minha frente tentando me acalmar e chorando copiosamente, eu só queria libertar aquilo

eu sentia tanto que, o que ele falou era verdade, ele demostrava em seu olhar que não tinha culpa daquilo e parecia que eu sentia a dor dele também, foi um negócio surreal, eu sentindo o que ele sentia e aquilo só me doía mais e mais

olhei para o lado e vi ele ali, conversando com os amigos, tão perdido quanto eu. E eu estava exatamente assim: perdida. Parte de mim queria levantar, ir até ele, resolver tudo ali mesmo, mas a outra parte sabia que eu precisava de tempo. Tempo para pensar, para respirar, para colocar minha cabeça no lugar.

mas uma coisa eu tinha certeza: eu não ia esquecer dele. Nem das palavras, nem das emoções que aquele momento trouxe.

era doloroso? Muito. Um tipo de dor que parecia cortar por dentro. Mas, de alguma forma, eu também sentia que tudo aquilo era necessário. Era como se cada lágrima e cada pensamento confuso fosse uma parte do processo, uma etapa para entender algo maior.

- Meu amor, você quer ir embora?- a Dayanne me tirou do meu transe me fazendo olhar pra ela que enxugou meu rosto-

- Não Day, tá tudo bem, eu não quero estragar o nosso dia- eu funguei jogando o cabelo pra trás e olhei pro lado, agora vendo os meninos voltando-

- Que estragar o que irmã, pare de besteira, se você quiser relaxar mais um pouco, ficamos aqui, vamos entrar no mar pra limpar a alma- ela passou a mão no meu cabelo e eu sorrir de leve assentindo-

- Finalmente ele foi embora e te deixou em paz loira, você já tá sofrendo demais, agora vamos curtir e esquecer dos problemas né?- o Antônio disse e eu olhei pra ele, eu já não tava mais suportando ele ali-

- Ae seu playboy, você calado é um poeta, sabia?- o Pedro disse transparecendo raiva, mas o Antônio só olhou pra ele de cima a baixo e não respondeu nada- é cada burguês querendo se achar o dono do mundo- ele negou com a cabeça me fazendo rir, mas logo se sentou do meu lado- minha cunhada, tu sabe que eu sou teu parceiro de coração né, e eu sei que tu e eu mano se ama pra um caralho, mas não desiste dele não, morô? nós aqui torce por vocês sempre- ele me abraçou de lado dando um beijo em minha cabeça-

- obrigada Pedrinho, vocês amigos dele são muito especiais pra mim, e obrigada por sempre estarem ao nosso lado- eu sorri mínimo olhando pra eles que retribuíram e ficaram ao meu redor se sentando na areia-

- amiga, eu sei que passou na sua cabeça, assim como passou na nossa, que ele te traiu, no mesmo ambiente que você, mas sabe? conhecendo ele pelo tempo que conheço, ele mudou tanto, cresceu tanto com você. Acho que às vezes a gente faz suposições pelas dores que sente, ele tá perdido como você tá agora. E eu acredito que, no fundo, ele nunca mais faria isso contigo, porque ele te ama de verdade - a Allana disse, com aquele tom suave como uma forma de me passar um conforto-

- isso aí é total verdade cunha, nosso mano depois que você apareceu na vida dele mudou de uma forma que nós no começo até estranhou, mas depois, nós só agradece por você ter aparecido, ele era cachorro louco, não tinha quem segurasse, mas agora que tu tá na vida dele, ele tá outra coisa e mesmo que você não queria ver ele, o cara provou que não teve culpa, provou que ele te ama pra um caralho se ligou?- o Davi falou me fazendo refletir naquelas palavras, eu assenti-

ᴅʀᴏɢᴀ ᴅᴇ ᴀᴍᴏʀ||ᴋᴇᴠɪɴ ᴇ ᴅᴇᴏʟᴀɴᴇ||Onde histórias criam vida. Descubra agora