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O caminho até o hospital parecia interminável. Meu peito estava pesado, e minha mente não parava de criar cenários. Cada curva do carro parecia me levar mais perto de um destino que eu não sabia se estava pronta para enfrentar. E eu não parava de pensar "ele não para de chamar por você", essas palavras martelavam na minha cabeça como um eco interminável..
Quando finalmente chegamos, o Pedro parou o carro de qualquer jeito na entrada do pronto-socorro, e eu saí apressada, quase tropeçando nas minhas próprias pernas. Os dois vieram atrás de mim indo em direção a recepção, mas eu já estava à frente, com as mãos trêmulas e tentando controlar minha respiração ofegante. Quando cheguei, a recepcionista ergueu o olhar para mim com uma expressão mista de preocupação e cansaço.
— Kevin Nascimento Bueno, sofreu um acidente de carro. Onde ele está? — perguntei, sem conseguir controlar a urgência na minha voz—
Ela digitou no computador e, por um momento, o tempo pareceu parar. O mundo ao meu redor ficou embaçado, e eu sentia meu corpo tremendo de ansiedade.
— Ele está na emergência. Está sendo atendido neste momento. Aguarde um instante e vou verificar se você pode entrar — ela disse, levantando-se e saindo por uma porta lateral—
— Eu não posso esperar, Meu Deus..— eu não parava de tremer, eu não parava de chorar, passava a mão pelo cabelo nervosa, eu andava pra lá e pra cá, os saltos já machucava meus pés me fazendo sentir um pouco de dor—
Pedro e Dayanne tentavam me acalmar, mas nada parecia funcionar. Cada segundo que passava era uma eternidade, e a incerteza era como uma faca rasgando meu peito. Meu corpo estava no limite, a respiração pesada, as lágrimas incontroláveis.
Eu olhei para frente e vi dona Val vindo em nossa direção, o rosto marcado pelo choro, os olhos vermelhos e inchados. A imagem dela só aumentou meu desespero. Meu coração deu um salto, e minhas pernas pareciam fraquejar.
— Dona Val... — minha voz saiu trêmula, quase um sussurro—
— oi minha filha— ela rapidamente veio me abraçar, me envolvendo com força, como se quisesse dividir o peso do sofrimento que estávamos carregando, meu choro se intensificou ainda mais— calma minha menina, ele tá bem, não foi grave, estão fazendo alguns exames nele e já ele vai pra sala de observação— ela se separou do abraço me olhando e enxugando as lágrimas que caiam em meu rosto—
— eu preciso ver ele Val..
— eu sei, minha filha, eu sei — respondeu dona Val, com a voz baixa e cheia de compreensão — Assim que ele voltar dos exames, você vai entrar pra ver ele, tá bom? Mas tenta respirar, se acalmar. Ele vai querer te ver forte.
Eu balancei a cabeça em concordância, mas a ansiedade ainda queimava no meu peito. Era como se meu corpo não conseguisse descansar até que meus olhos o vissem, até que eu tivesse certeza de que ele estava mesmo bem.
— é irmã, agora senta aqui e se acalma, meu amor, eu vou pegar um água pra você— a Day me levou até cadeira e eu me sentei enquanto ela foi até o bebedouro logo trazendo a água pra mim, eu bebi em um só gole de tão nervosa que eu estava—
eu olhava pra frente tentando controlar minha respiração que estava mais desacelerada que o normal, minhas mãos tremiam e meu coração estava tão acelerado que eu sentia como se fosse sair do peito a qualquer momento. Cada tentativa de respirar fundo parecia inútil, como se o ar ao meu redor não fosse suficiente. Meu corpo inteiro parecia estar em alerta, uma mistura de medo, ansiedade e desespero que eu não conseguia controlar.
Meu peito estava pesado, e as palavras que ecoavam na minha cabeça desde que soube do acidente não me deixavam em paz: "ele não para de chamar por você."
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ᴅʀᴏɢᴀ ᴅᴇ ᴀᴍᴏʀ||ᴋᴇᴠɪɴ ᴇ ᴅᴇᴏʟᴀɴᴇ||
RomansaDeolane Bezerra é uma mulher de 33 anos, uma advogada criminalista, mãe solteira de três filhos, tendo suas duas irmãs seguindo a mesma profissão. Tendo uma vida profissional e pessoal boa, mas sua vida amorosa tá por água abaixo, após sair de dois...
