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- em caralho? responda, que porra tu tá fazendo aqui?- eu olhei pra trás vendo o Kevin ali, sua expressão era de raiva, ele já tava se deixando levar por isso, maldita hora que esse ser humano foi aparecer-

- Calma, Kevin, tenta se controlar - eu falei tentando tranquilizar ele, mas não deu muito certo.

- Calma? Tu vem me pedir calma? Esse pau no cu atrapalhando a nossa paz e tu vem me pedir pra eu me controlar? - Ele avançou um passo à frente, cerrando os punhos. Eu sabia que, se eu não fizesse algo rápido, isso ia virar um caos.

- Kevin, por favor - segurei o braço dele, tentando impedir que ele fizesse alguma besteira. - Vamos resolver isso sem escândalo.

- Resolver o quê? - Ele riu sem humor, me olhando como se eu tivesse falado a maior besteira do mundo. - Esse otário nem devia estar aqui.

Eu respirei fundo, passando a mão no cabelo e jogando ele pra trás. Eu não acredito que isso tá acontecendo. Me virei pro Antônio, que tava com uma cara de quem sabe que a culpa era dele dessa briga estar acontecendo.

- O que você tá fazendo aqui, Antônio? - Eu tentei também manter o controle. O Kevin estava atrás de mim com os braços cruzados e com uma cara de poucos amigos.

- Eu vim te pedir desculpas pelo o que eu disse sexta-feira na balada quando o seu namorado aí sofreu o acidente. Eu tava bêbado e não sabia o que estava falando.

Eu senti meu corpo travar por um instante. Só de lembrar daquela noite, do desespero que passei, meu peito apertou. Mas o pior era ouvir o Antônio falando como se fosse só um erro bobo de quem bebeu demais.

- "Seu namorado aí"? - Ele fez aspas com os dedos, olhando indignado pro Antônio. - O que ele falou pra você, Deolane? - Ele veio parando do meu lado, me empurrando de leve.

- Kevin, depois eu falo com você - a forma como eu olhava pra ele já dizia tudo, portanto, ele só me olhou ainda bravo e foi pra dentro, indo pro quarto. Eu me virei pro Antônio, que ainda tinha aquela expressão cínica, como se fosse inocente.

- Você acha mesmo que pedir desculpa vai resolver alguma coisa? Então agora foi só porque você estava bêbado? - Cruzei os braços, estreitando os olhos para ele. - Porque eu lembro muito bem do que você disse, e duvido que tenha sido só por causa da bebida.

- Eu sei que eu fui um idiota de ter falado isso. Eu juro que não foi minha intenção, e eu me arrependi.

- Jura? - Ri sem humor. - Jura tanto que aparece na minha casa sem avisar, sem nem passar pelo porteiro? O que você queria, Antônio? Que eu abrisse a porta e te recebesse com um abraço?

- Me desculpa de verdade, loira, eu não queria estragar nossa amizade de anos que temos, pelo tempo que tenho na família...

- Primeiramente, não me chama de loira, por favor. E segundo, a partir do momento que você falou aquilo, você já estragou a nossa amizade. Independente do tempo que você tem na família, você já estragou tudo.

- Ah, qual é, Deolane... - Antônio suspirou, passando a mão pelo cabelo, parecendo finalmente perceber que a conversa não ia para o lado que ele queria. - Você sabe que eu sou impulsivo, que falo merda quando bebo... Eu não queria que terminasse assim.

- Mas terminou, Antônio. - Minha voz saiu firme, sem espaço para dúvida. - Você não foi só impulsivo, você foi cruel. E, sinceramente, eu não acho que foi só a bebida falando. Você tem noção do que falou? Eu no momento que estava passando... eu queria saber, se fosse com você?

Ele abriu a boca para retrucar, mas desistiu no meio do caminho. Baixou a cabeça, como se tivesse arrependido.

- Eu só queria tentar consertar isso...

ᴅʀᴏɢᴀ ᴅᴇ ᴀᴍᴏʀ||ᴋᴇᴠɪɴ ᴇ ᴅᴇᴏʟᴀɴᴇ||Onde histórias criam vida. Descubra agora