Pov's Autora:
O amanhecer chegou devagar, tingindo o céu de tons pálidos e frios. O apartamento de Lauren era uma sombra do que fora: cacos de vidro, móveis tombados, o cheiro amargo de vinho derramado no ar.
No entanto, no meio daquele cenário de devastação, Lauren se levantava.
Seus movimentos eram lentos, mecânicos. Ela recolheu os pedaços de si mesma espalhados entre os escombros — não os cacos do chão, mas os que sangravam invisíveis em seu peito.
Tomou um banho rápido, deixando a água quente correr sobre a pele marcada pelo cansaço e pela dor. Olhou-se no espelho e, por um breve segundo, quase não se reconheceu.
Os olhos verdes, normalmente afiados e brilhantes, estavam opacos. Cansados.
Mas vivos.
Vestiu-se com simplicidade incomum: jeans escuros, camiseta preta, jaqueta de couro. O rastro de sua fúria ainda pairava pelo apartamento, mas ela não tinha tempo para limpar nada agora. Não hoje.
Pegou as chaves, o celular, respirou fundo e saiu.
O carro cortava as ruas ainda vazias de Nova York quando Lauren estacionou em frente ao restaurante de Sinuhe. O local ainda estava fechado para o público, mas ela sabia que a mulher estaria lá. Sinuhe sempre chegava cedo.
Lauren empurrou a porta lateral, usada para entregas, e encontrou Sinuhe ajeitando algumas caixas de mantimentos. A mulher ergueu o olhar, surpresa — e, ao ver a expressão endurecida de Lauren, seu rosto imediatamente se tornou sério.
— Lauren? — a voz de Sinuhe carregava uma mistura de preocupação e prontidão.
Lauren aproximou-se, direta.
— Está pronta? — perguntou, sem rodeios.
Sinuhe largou o que fazia e limpou as mãos no avental.
— Estou. — Sua resposta foi firme. — Matteo é quase tudo que tenho agora. Se há uma chance de eu ser compatível, nem precisa pedir duas vezes.
Os olhos de Lauren suavizaram por um breve instante diante da determinação da mulher. Uma pequena centelha de esperança surgiu em meio ao caos que consumia seu mundo.
— Obrigada — murmurou, a voz falhando quase imperceptivelmente.
Sem perder tempo, Lauren a conduziu até o carro, e as duas seguiram em silêncio rumo ao hospital.
Enquanto o carro avançava pelas ruas, Sinuhe quebrou o silêncio, com suavidade:
— Você não precisa carregar isso tudo sozinha, Lauren.
Lauren apertou o volante até os nós dos dedos embranquecerem.
— Eu estou acostumada — respondeu com amargura.
Sinuhe virou o rosto para a janela, respeitando o muro que Lauren mantinha em pé com tanto esforço.
Haveria tempo para derrubá-lo. Agora, Matteo era prioridade.
Quando chegaram ao hospital, Miranda Bailey já as aguardava discretamente no corredor do laboratório, junto de Alex Karev e Arizona Robbins. Todos pareciam cientes da necessidade de sigilo absoluto.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Perdoname
RomanceKarla Camila Cabello, 27 anos, prostituta de luxo. Após muitos anos neste ramo, tornou-se uma empresária multimilionária junto com sua fiel melhor amiga, Dinah Jane, também prostituta. Vocês devem estar se perguntando o motivo de Camila seguir nessa...
