Outbreak.

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Pov's Autora:

Na manhã seguinte, o ar estava denso no hospital. Lauren ainda permanecia no quarto, sentada na poltrona próxima à cama onde Matteo dormia. Seus olhos estavam inchados, o rosto cansado, e o coração apertado pela discussão da noite anterior.

Camila chegou pouco depois das oito da manhã, carregando uma pequena bolsa com roupas limpas para Lauren. Ao entrar, hesitou ao ver a expressão abatida da parceira. Matteo dormia tranquilamente, alheio à tensão que pairava no ar.

— Trouxe suas coisas — murmurou Camila, depositando a bolsa sobre a cadeira.

— Obrigada — respondeu Lauren, com a voz rouca, sem olhar diretamente para ela.

Um silêncio desconfortável se instalou. Camila, inquieta, aproximou-se da cama e ajeitou delicadamente o cobertor sobre Matteo. Seu peito apertou ao notar as olheiras profundas sob os olhos de Lauren.

— Você... conseguiu dormir um pouco? — perguntou, ainda sem encará-la.

— Não muito. — Lauren suspirou e, finalmente, levantou os olhos para encontrar os de Camila. — Fiquei pensando.

— Pensando em quê? — A voz de Camila saiu mais dura do que pretendia.

— Em nós. — Lauren desviou o olhar, a voz quebrada. — Em como estou tentando estar aqui por você, tentando fazer o melhor pelo Matteo... e ainda assim você acha que estou contra você.

Camila fechou os olhos com força, como se quisesse afastar aquela conversa. — Lauren... eu só... eu não sei lidar com isso. Estou assustada e... — Ela se interrompeu, engolindo em seco.

— Eu também estou assustada, Camila! — Lauren explodiu, incapaz de conter a dor que vinha guardando. — Você acha que isso está sendo fácil pra mim? Acha que ver você se afastar desse jeito, ouvir aquelas palavras de ontem, não me machucou?

Camila apertou os lábios e virou o rosto, tentando conter as lágrimas. — Eu não quis dizer aquilo... — sussurrou.

— Mas disse — rebateu Lauren, a voz falhando. — E doeu. Doeu porque... porque eu estou tentando ser forte por você e pelo Matteo, mas eu... eu não sou tão forte assim. — Ela passou as mãos pelo rosto, respirando fundo. — Eu nunca tive uma mãe, Camila. Cresci sabendo que minha mãe morreu para que eu pudesse nascer, e isso sempre foi um buraco dentro de mim. Então, ver você tratando Sinuhe como se ela não tivesse chance de mudar... ver você me colocar do lado dela, como se eu estivesse traindo você... — A voz de Lauren falhou de novo, e ela precisou engolir a emoção. — Isso me fez sentir que estou falhando com você.

Camila fechou os olhos, deixando as lágrimas rolarem. A culpa pesava como uma pedra em seu peito. Aproximou-se devagar e se ajoelhou ao lado da poltrona, tocando de leve a perna de Lauren.

— Eu sei que você só está tentando ajudar — sussurrou. — Eu... eu só estou tão cansada, tão perdida... Estou com tanto medo de perder o Matteo que não estou pensando direito.

Lauren a olhou, os olhos verdes brilhando com lágrimas contidas. — Eu também estou com medo. Mas a gente precisa confiar uma na outra. Não vou deixar você passar por isso sozinha, Camz... — Ela hesitou por um instante. — Mas você precisa me deixar estar com você. Precisa acreditar que estou aqui porque te amo... e porque amo o nosso filho.

Camila assentiu lentamente e, sem dizer mais nada, inclinou-se para envolver Lauren em um abraço apertado. As duas ficaram ali, em silêncio, permitindo que o calor daquele momento suavizasse parte da dor que ambas carregavam.

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