Remembering

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Pov's Autora:


O tempo parecia suspenso ali, entre o silêncio e o som suave da respiração de Matteo.
Camila sentia a mão da mãe entrelaçada à sua — frágil e quente — como se Sinuhe tivesse medo de soltá-la e perdê-la outra vez.

Por alguns minutos, nenhuma das duas disse nada.
Não precisavam.
As palavras pareciam pequenas diante do que começavam, enfim, a remendar.

Camila enxugou discretamente as lágrimas com o dorso da mão livre e, com um sorriso tímido, empurrou a bandeja na direção de Sinuhe.

— Come, mamá. Você precisa se cuidar, lembra?

Sinuhe riu baixinho — um som quebrado, mas cheio de ternura — e pegou a colher com mãos trêmulas.
Camila a observava e, em cada pequeno gesto, enxergava vestígios da mulher forte que um dia a embalou nos braços.

Enquanto a mãe se alimentava, Camila ajeitou o cobertor sobre Matteo e acariciou de leve o rostinho sereno do bebê.
Seu coração doía, mas, no meio da dor, uma esperança tímida brotava, como um botão de flor após uma longa tempestade.

Quando Sinuhe terminou a sopa, apoiou a tigela sobre a bandeja e, num impulso, puxou Camila para um abraço.

Foi um abraço hesitante no começo — como quem não sabe se ainda tem o direito de amar daquela forma.
Mas, quando Camila correspondeu, apertando a mãe com força, algo dentro das duas pareceu se quebrar... e, ao mesmo tempo, se curar.

— Eu estou tão orgulhosa de você, mí hija. — Sinuhe murmurou contra o cabelo de Camila. — Você se tornou uma mulher tão linda... tão forte...

Camila fechou os olhos, deixando que a voz da mãe a envolvesse, como uma canção esquecida da infância.
Por um instante, ela foi apenas uma menina nos braços daquela mulher que, apesar de tudo, ainda era seu lar.

Quando se separaram, Sinuhe acariciou a bochecha da filha com carinho.

— Eu vou passar cada dia do resto da minha vida te mostrando que você pode confiar em mim outra vez. — prometeu, a voz embargada.

Camila sorriu através das lágrimas.

— Eu quero acreditar, mamãe. — sussurrou. — Quero muito.

E ali, sob a luz suave que entrava pela janela, entre olhares cheios de emoção, Camila e Sinuhe começaram a costurar, ponto a ponto, o tecido rasgado do amor entre elas.

Não seria fácil.
As cicatrizes permaneceriam, lembranças silenciosas de tudo que viveram. Mas, naquela noite, com Matteo dormindo seguro ao lado delas, havia uma certeza preciosa:

O amor — mesmo ferido, mesmo tardio — ainda era capaz de recomeçar.

_____

O sol da manhã dourava os prédios de Nova York quando Camila ajeitou a bolsa de Matteo no ombro e sorriu para Sinuhe.

— Vamos? — perguntou, tímida.

Sinuhe assentiu com um sorriso leve, segurando a manta do bebê enquanto saíam.
O Central Park parecia um convite à leveza: crianças brincando, famílias passeando, músicos de rua preenchendo o ar com melodias suaves.

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