Capítulo doze.

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A manhã indesejada de segunda veio amena, o sol parecia estar de bem com a humanidade, para a felicidade de todos que ocupavam a residência do empresário herdeiro. Era cedo, muito cedo por sinal, mas a cozinha já era ocupada pela família inteira que, em silêncio, dividiam as tarefas.

O Itoshi mais velho, pai dos dois rapazes, estava responsável por fazer o café da manhã, enquanto a mãe já deixava lavado o que era utilizado, e Sae organizava a mesa, deixando o papel de comer antes de todos para o caçula, que não demorou para ser repreendido.

— Pelo menos ajude o pai com algo, preguiçoso. — O primogênito chamou-lhe a atenção, vendo a careta feita por Rin. — Aproveite e conte a eles suas novas conquistas.

— O que ele quer dizer com "conquistas"? — A única mulher da casa rapidamente se virou na direção dos filhos, vendo o sorrisinho maldoso na face de Sae e a expressão irritada de Rin. — Ora, o que aconteceu, hein?

Ficaram em silêncio por segundos, o suficiente para o mais novo contemplar sobre o que poderia contar, e para o mais velho já se deliciar com o café.

— Seu filho aí fez amizade com a banda que fomos assistir no último mês. — Provocou no tom sério de sempre.

— Uma ova. — Ouviu a exclamação imediata, carregada de indignação. — Quem saiu com o cantor da banda foi você. Como vai o seu "amigo"?

A fala saiu cheia de ironia, de forma tão inesperada que fez com que Sae se engasgasse com o pão recheado de feijão doce, o choque aumentando quando viu a surpresa estampada no rosto de seus pais. Nada foi questionado até que o rapaz parasse de tossir, o silêncio sendo quebrado.

— Ora, ora, o que eu perdi? — O genitor sentou-se à mesa, chamando a esposa para fazer o mesmo.

— Não é nada demais, o rapaz em questão apenas quis me conhecer, passou um mês inteiro insistindo e eu o dei uma chance. Só. — Explicou, limpando a mesa do que havia praticamente cuspido.

— Hm... É aquele que você saiu na sexta? Antes de nós chegarmos?

— Mãe...? Como você sabe? — A dúvida presente no rosto do empresário era clara.

— Oliver comentou comigo. Ah, por falar nele, como vocês estão? Ainda conversam com Teera?

Aiku havia conversado com a sua mãe sem que ele soubesse e, ainda mais, estava falando algo sobre o encontro que teve com Shidou? Havia algo de errado naquilo, e não era coisa boa.

— Sim, claro que sim. Ela está sumida por conta da faculdade, mas provavelmente amaria ver você, já que não avisei sobre a chegada de vocês.

Proferiu aquilo enquanto se levantava da mesa, finalizando sua xícara de chá gelado rápido o suficiente para sentir seu cérebro congelar, mas relevando. De repente, tinha pressa para sair de casa, queria ir se afundar em sua cadeira do escritório, estar sozinho com os papéis e computadores parecia melhor.

— A senhora sabe que basta falar com ela. Vou ao trabalho, tenho alguns assuntos para ver sobre uma possível reunião ainda hoje. — Comunicou, recolhendo seus pertences.

— Não se sobrecarregue tanto, filho, se precisar de outra folga, sabe que pode tirar. — Ouviu o conselho do pai, já se afastando para a sala.

— Sei sim senhor, mas não se preocupe. Bom dia para vocês, os vejo de noite, cuidado no treino, irmão.

— Bom trabalho, irmãozão. — Ouviu a frase arrastada, podendo pegar o blazer e o coturno na entrada da casa.

Antes de adentrar de fato seu carro, apanhou o celular do bolso, vendo que a mensagem enviada dois dias antes para Shidou nem havia sido visualizada. Bom, haviam mais coisas merecedoras de sua atenção, então, com um suspiro, deixou para trás tudo isso. O encontro havia sido bom demais para ocorrer novamente, e Sae tinha para si que não havia sido interessante o bastante para que houvesse algum contato mantido.

𝐑𝐎𝐂𝐊 𝐓𝐇𝐀𝐓 𝐒𝐇𝐗𝐗 𝐃𝐎𝐖𝐍!, 𝘀𝗵𝗶𝗱𝗼𝘂 𝘅 𝘀𝗮𝗲.Onde histórias criam vida. Descubra agora