DESSA VEZ EU DAREI O XEQUE MATE

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MARIAH

O carro cortava a cidade como uma flecha, mas dentro dele tudo parecia parado, Luca por um tempo parecia uma rocha, ele não iria relaxar até estarmos seguros.

Minhas mãos tremiam, mesmo entre as de Luca, ele com o olhar fixo aparentemente perdido nos próprios pensamentos, mas eu sabia que naquele momento ele estava mais alerta do que nunca.. O bilhete repousava no meu colo como um peso morto. Ler de novo era como tomar um soco. Não fazia sentido. Não podia fazer sentido.

— Isso é verdade? — perguntei baixo, para ninguém em específico.

— Sim — respondeu Elijah, do banco da frente, sem virar. — Cruzamos os dados, recebemos a confirmação de três fontes. E, Mariah... o sangue não mente, infelizmente.

O carro parou. Não era nossa casa. Era uma fortaleza um dos esconderijos seguros.

Meus pés mal tocaram o chão. Luca me guiou com um braço ao redor da cintura, e por um momento, só por um momento, desejei poder me fundir a ele e desaparecer.

— Por que agora? — perguntei, já dentro do lugar seguro. — Por que ele quer me conhecer agora?

— Porque ele quer usar você como ponte. Como isca. Ou como minha fraqueza — Luca disse, os olhos sombrios. — E isso não vai acontecer.

LUCA

Ver ela daquele jeito me destruía.

Mas eu não podia me desmontar agora. Não quando ela precisava de mim inteiro, sólido, uma fortaleza. Eu mais que nunca, preciso ser forte.

— Eles vão tentar contato de novo — disse Vito. — Erick é só a primeira peça. A próxima jogada vai ser emocional. Preparem-se.

Assenti. Pablo chegou minutos depois, o rosto tenso.

— O desgraçado do Erick sumiu da escola. — ele informou. — Alguém cobriu ele. Não me conformo como deixamos isso passar, abaixamos a guarda demais e agora, toda a família esta ameaçada por um vacilo que deixamos passar. 

Meu amigo estava destruído, todos estávamos.

Abby apareceu atrás do Pablo, abraçando ele pelas costas. Vi o quanto ela agora fazia parte daquilo. Mariah também olhou, um pouco da dureza nos olhos dela suavizando.

Mas só um pouco.

Ela tinha escolhas a fazer, e minha esperança era ela não se deixar levar pelo golpe baixo que teria ela como alvo principal, minha vontade era resolver tudo sem envolver ela de maneira nenhuma, mas infelizmente, isso não era escolha minha. O nível era alto, isso seria resolvido pelo Papa, meu pai ou melhor, o meu chefe.  

MARIAH

No quarto onde me deixaram descansar, fiquei olhando o teto. O bilhete na mão. As palavras da minha mãe. O rosto do Erick. O toque de Luca.

Me sentia em meio a uma tormenta.

Mas dentro da confusão, uma certeza começava a crescer.

Se ele quer me conhecer... vai ter que fazer isso olhando nos meus olhos.

E vai ter que encarar tudo o que eu me tornei. Além de tudo, terão que enfrentar as consequências pelo que me deixaram passar com Peter, eles nunca tiveram compaixão por mim, não sentiram remorso e culpa por nada. Se coubesse a mim ter voz e decidir algo, eu também não teria.

 Eu mostraria pra o Luca que eu sou digna da confiança da família e que nesse caso, o único sangue que eu lembraria que corre nas minhas veias, é o sangue dos Candello e que meu coração  minha certeza de pertencer a ele, jamais fraquejaria. Eu não seria a isca.  Mas seria eu a atrai-los pra minha teia. 

Por que nesse jogo, o xeque mate seria meu.

E eu não sou peça de xadrez de ninguém

LucaOnde histórias criam vida. Descubra agora