Capítulo 11

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Após a tarde que teve com as crianças, Amaury estava mais do que decidido a entrar no programa de apadrinhamento. Antes de sair, tinha marcado uma reunião com uma das responsáveis, queria ter certeza de tudo antes de conversar com Diego, porque assim que voltassem para o Rio, as coisas iriam mudar por ali.

O caminho de volta foi tranquilo, ou pelo menos teria sido, se Julinho não estivesse tagarelando sem parar, animado como sempre. Amaury ouvia só metade do que o filho dizia, perdido em pensamentos sobre tudo que estava por vir, ansioso e animado na mesma medida. Já no prédio, estavam chegando ao bloco quando deram de cara com Diego, Lari e Lennon saindo às pressas.
— Oi amor, eu já volto! - Diego disse num fôlego só, deixando um beijo rápido em seus lábios antes de praticamente desaparecer pela porta. — Amo vocês, tchau!
Amaury não entendeu nada, piscou confuso, em meio a "oi's e tchau's" rápidos trocados. Ele acenou de volta através da porta de vidro que os separavam, e viu o namorado sumir junto com os amigos sem nem dar tempo de perguntar nada.
— É... O papai tá maluco. - Julinho concluiu, apertando o número do elevador.
— Hoje ele tá mais doido que o normal... Pra onde sera ele foi? - Amaury murmurou, ainda tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

Julinho só deu de ombros.

— Não sei não, mas eu diria que é culpa da madrinha. - Amaury riu pelo tom sério que o filho usou.

— Por que acha isso?

— Porque ela tem um cabelo muito laranja. Pessoas com cabelo colorido são meio malucas. - Amaury riu mais ainda do raciocínio do filho. Seu riso alto enchia o elevador.

— Da onde você tirou isso?

— O CHAPELEIRO É MALUCO! - Ele enfatizou levantando o dedinho indicador, como se tivesse acabado de provar uma tese importantíssima —, ih! Ele tem cabelo laranja, é óbvio que é por isso!

— Seu pai também é ruivo.

— Tá vendo?! Não é maluco igual?

— Julinho... - Amaury chamou num tom de advertência enquanto saiam do elevador. — Seu pai não é maluco e a sua dinda também não. Não pode ficar chamando as pessoas de malucas assim, isso pode deixá-las tristes.

— Ah... - ele pareceu triste por saber disso, meio pensativo. — Mas eu gosto quando eles são meio malucos.

— O que é ser maluco pra você?

— Não sei... rir do nada? Falar sozinho? Papai tava falando sozinho no chuveiro hoje de manhã, eu ouvi...

— Ouviu é? - Amaury arqueou uma sobrancelha, abrindo a porta do apartamento. Mesmo estando curioso para saber o que ele estava falando, não podia reforçar esse comportamento.

— Ouvi sim! Eu sei que vocês falaram que eu não posso ouvir conversas atrás da porta, mas ele tava falando alto, então a culpa não foi minha. - Amaury riu baixinho, deixando as chaves e a mochila de Julinho no aparador.

Julinho já estava tirando seus tênis, os jogando pelo chão ainda pensativo. Amaury estava morto de fome, mas parou sua caminhada até a cozinha quando ouviu a voz do garoto, naquele tom de curiosidade novamente o fazendo recalcular a rota e voltar para perto.

— Hm... Pai? O que é casamento? - Amaury parou por um segundo, pego de surpresa.

— Bem... casamento é quando duas pessoas que se amam decidem se unir pra formar uma família, e aí elas vão morar juntas.

— Sei... é tipo você e o meu papai?

Amaury sorriu e concordou com a cabeça.

— Sim, mas ainda não estamos casados.

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