continuação⁴

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Diego andava de um cômodo a outro, tocando as paredes e observando seu antigo apartamento já vazio, os móveis maiores tinham ido pela manhã e agora só faltavam umas caixas. Ele viu Amaury levando uma caixa da cozinha e Julinho ia logo atrás segurando uma cestinha com trecos dentro, ele queria ajudar. Diego se apoiou na parede e assistiu seus meninos saindo pela porta enquanto conversavam, ele caminhou até a sacada e esperou que eles saíssem. Eles caminharam até o carro, Amaury deixou lá a caixa e a cesta e apostaram corrida de volta para dentro. Diego se pegou sorrindo e virou o rosto para a porta onde Julinho entrava e ia correndo para dentro.

Amaury entrou e Diego foi até ele, levando seus braços para os ombros dele e o puxando para perto, num abraço apertado. Era tudo real, estavam mesmo se mudando, ele estava se mudando! Morava ali a tanto tempo, viveu tantas coisas naquele lugar, os primeiros passos de Julinho, o primeiro dentinho que caiu, as primeiras palavras que disse bem ali no meio daquela sala. Tinha um aperto no peito e seus olhos ficaram rasos. Amaury o apertou em seus braços e fez um carinho em suas costas.

— Ei, - Julinho falou, ele segurava um vasinho de plantas — papai, se você não for ajudar, não atrapalhe, não fique prendendo o ajudante.

— E eu não estou ajudando não? - Ele riu e secou o canto dos olhos.

— Não... - ele se enfiou no meio deles —, você tá chorando?

— Papai ta com alergia. - Disse mas não convenceu muito.

— Você tá triste? - Diego se abaixou e ficou na altura dele.

— Não meu amor, o papai tá muito, muito, muito feliz.

— Eu choro quando to com medo, não quando to feliz, você tá com medo da mudança?

— Só um pouquinho.

— Mas você é grande!

— Ué e daí? - Amaury falou divertido e se abaixou também, se sentando no chão. — Só porque ele é grande não pode ter medo?

— É! Você também tem medo?

— As vezes sim, é normal ter medo.

— Eu não tenho medo de nada! - Ele disse convencido empinando o nariz. — Não precisa ter medo da casa nova não papai, a gente vai tá lá também.

— Você tem razão, você vai me proteger? - Diego já tinha parado de chorar.

— Vou! - Assentiu várias vezes.

— E eu? - Amaury perguntou.

— Ah não, você não! - Amaury riu chiado e Diego o acompanhou na risada puxando Julinho para seu colo. — Você é o mais maior de todos, pode proteger a gente.

— Que absurdo, eu também quero ser protegido! - Disse ainda rindo.

— Eu protejo você meu amor - Diego respondeu fazendo um carinho no rosto dele.

— E eu? - Julinho perguntou ciumento.

— Eu protejo você também. - Diego o encheu de beijinhos amassando a bochecha dele. Assim que conseguiu se livrar dos beijos do pai, Julinho se jogou no outro colo.

— Então todo mundo protege todo mundo, combinado? - ele esticou seu dedinho mindinho e Amaury enganchou seu dedo mindinho. — Você promete? Mas tem que ser sério!

— Tá bom, vou ser sério. - Ele limpou a garganta e se ajeitou assumindo uma postura séria. Julinho riu animado. — Eu, Amaury Lorenzo, te recebo Julio Henrique Martins Bahia, como meu protegido. Prometo te amar e te cuidar, como meu filho de coração. Prometo estar presente nos momentos de alegria, e nos de tristeza segurar sua mão. Prometo estar ao seu lado e ao lado do seu papai - ele levantou o olhar para Diego que já estava com os olhos rasos de lágrimas outra vez —, te cuidar com todo meu coração na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Prometo proteger e amar vocês dois por todos os dias das nossas vidas, até que a morte nos separe. - Amaury finalizou deixando um beijinho no dedinho da criança e o espremendo em um abraço o fazendo rir.

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