A chuva batia forte nas vidraças quando Harry acordou com um arranque, a cicatriz ardendo como fogo brando. Do outro lado da cama, Tom já estava sentado, mão crispada no braço de Harry – não com carinho, mas como quem segura um animal de estimação prestes a pular da varanda.
"Não."
A voz de Tom era um fio de lâmina, os olhos negros dilatados na penumbra.
"Ele está sonhando com você de novo. Não pense, não sinta, não dê nada para ele pegar."
Harry engoliu seco. A conexão com Voldemort era um fio de navalha entre eles: se o Lorde das Trevas desconfiasse por um segundo que Tom não era apenas um fragmento domesticado, mas algo *mais* (algo que pertencia a Harry primeiro, antes de pertencer a si mesmo)...
"Eu não sou seu *brinquedo*, Riddle."
Harry rosnou, mas não puxou o braço. Sabia muito bem que os sensores de magia nas paredes já deviam estar luzindo de vermelho, alertando Voldemort sobre a atividade anormal da horcrux.
Tom sorriu, mas era coisa de predador – dentes à mostra, nenhum humor nos olhos.
"Quer um passeio?"
Mudou o tom abruptamente, voz agora leve como se conversassem sobre o tempo. — O jardim de inverno está lindo com essa chuva. Podemos fingir que você "escolhe" ficar ao meu lado enquanto eu registro cada passo seu para ele.
Harry revirou os olhos, mas se levantou. Era assim que funcionavam agora:
1. "O Jogo da Lealdade" – Tom precisava parecer tão obcecado por poder quanto Voldemort, mas seu toque sempre durava três segundos a mais do que o necessário quando ajudava Harry a vestir o casaco.
2. "As Mentiras que Salvam"– Ontem, Harry quase queimou a cozinha tentando fazer torradas (propositalmente). Tom chegou primeiro, apagou o fogo com um suspiro teatral e "mentiu" para os outros Comensais: *"Potter é um desastre mágico sem minha supervisão"*. Voldemort riu. Ninguém questionou.
3. "O Perigo do Cuidado" — Na semana passada, quando Harry caiu da escada (de propósito), Tom o pegou no ar – mas fez questão de rosnar "Idiota" alto o suficiente para os retratos espiões ouvirem. Só Harry sentiu o pulso dele tremer.
Agora, no jardim de inverno, Tom fingiu ajustar o colarinho de Harry enquanto sussurrava rápido demais para ser ouvido:
"Se você 'insiste" em se comportar como um suicida, pelo menos avise antes. Eu mato Avery hoje à noite – ele é dispensável, e Voldemort vai culpar a dor da conexão contigo. "
Harry estremeceu. Avery era um dos poucos que ainda desconfiavam de Tom.
"Você não pode ficar matando gente por mim."
Murmurou, fingindo arrumar a manga de Tom.
"Posso."
A resposta veio imediata, os dedos de Tom pressionando seu pulso como algemas. — Mas não por bondade, Potter. Se ele te pegar, eu morro. E eu sou muito egoísta para deixar isso acontecer.
A chuva criava um véu barulhento ao redor do jardim – perfeito para esconder como Harry, contra toda lógica, sorriu por meio segundo antes de lembrar:
Eles estavam um passo de perder tudo. E Tom, em seu amor doentio e controlador, nunca deixaria Harry escapar – mas também nunca deixaria ninguém machucá-lo.
Até porque, no fim, Harry era dele. E Tom Riddle nunca abria mão do que era seu.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Café multiversal.
RomanceVários capítulos curtos ou grandes com Tom Riddle como funcionário de um café multiversal e as diferentes variáveis de Harry e Tom que visitam o café.
