Gaiola de ouro, trecho 1.

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Sirius com um sorriso cansado, olha para Harry entrando com um sorriso. 

"Olha só quem apareceu. Já estava achando que tinham te trancado em outra jaula de ouro."

Harry sorrindo fraco se aproxima mais do seu padrinho.

"Dessa vez, eu que vim me trancar aqui voluntariamente. Precisava te ver."

Harry senta-se no chão, encostando-se nas barras da cela. Sirius se aproxima, sentando-se do outro lado, os dois separados apenas pelo ferro.

Sirius, franze a testa.

"Algo mudou. Você tem aquela cara—a mesma de quando decidiu ir atrás da pedra filosofal sozinho. O que fez, Harry?"

Respira fundo Harry se prepara para o que vem a seguir.

"Fiz um acordo com Voldemort."

Silêncio. O rosto de Sirius endurece como pedra.

Sirius voz rouca indaga já com medo da resposta. 

"Que tipo de acordo?"

Harry olha fixamente para as mãos.

"Eu… parei de lutar. Ele me devolve minha magia, te solta, e…"

Sirius o corta, com um tom afiado.

"E em troca? Nada vem de graça com ele, Harry. Principalmente não para você."

Levantando os olhos, verde contra cinza, Harry responde com firmeza.

"Eu juro não fugir. Não me esconder. E… aceito ajudar em alguns rituais—nada que me machuque, ele prometeu."

Sirius solta uma risada amarga, levantando-se e andando de um lado para outro como um lobo enjaulado.

"Prometeu? Você acredita na palavra dele? Merlin, Harry, ele matou seus pais! Ele te torturou, te usou—"

"Eu sei! Mas não é só sobre mim, Sirius! É sobre você. Sobre os Weasleys, Hermione, todo mundo que ainda está lá fora tentando ser herói!"

Sirius finalmente para, olhando-o como se o visse pela primeira vez.

A raiva se esvai e Harry se sente de repente tão cansado. 

"Ele vai pegá-los. Cedo ou tarde. E quando isso acontecer… eu consegui negociar. Eles não vão morrer. Vão perder as memórias e a magia, mas vão viver. Longe daqui. Juntos."

Sirius engole seco, isso não era o que ele estava esperando realmente, para ser sincero, ele também sabia o que estava esperando quando foi informado do acordo.

"Você… pediu isso por eles."

Harry acena. O silêncio pesa. Quando Sirius fala de novo, sua voz está diferente—mais suave, mas carregada de dor.

"E você? O que sobra pra você nisso tudo?"

Harry encolhendo os ombros desinteressado, ele conseguiu o melhor acordo que podia pensar.

"Minha magia. Uma casa. Visitas do Tom—só dele, não do Voldemort."

Sirius fecha os olhos, e luta contra uma dor de cabeça.

"Harry… você entende o que está fazendo, né? Você tá se tornando parte do mundo dele. Não como prisioneiro, mas como…"

Harry terminando por ele, frio, prático.

"Como aliado. Como propriedade. Como o troféu favorito dele. Eu sei."

Sirius aperta as grades com força, os nós dos dedos brancos. 

"Eu devia ter te tirado daqui antes. Eu devia—"

Harry o corta com uma voz suave.

"Não. Você foi o único que tentou. E é por isso que eu preciso que você saia. Porque se você morrer aqui, eu… eu não vou aguentar, Sirius." 

Sirius olha para ele, e pela primeira vez, Harry parece mais velho do que jamais foi. Há algo quebrado ali, algo que aceitou um preço terrível. Sirius engole o que quer que fosse que ia dizer.

"Merlin, você é teimoso igual ao seu pai."*

Pela primeira vez isso não foi dito como algo bom. 

"Certo. Mas se eu sair, eu não vou sumir, Harry. Não importa o que Riddle queira, eu vou te encontrar.

Harry sorrir, um pouco mais leve, um peso acabou de sair dos seus ombros. 

"Eu sei. E ele sabe também. Por isso vai ter que deixar."

Um ruído na escada—Tom está chegando, o tempo acabou. Sirius agarra o pulso de Harry através das grades, rápido.

"Se em algum momento você precisar de uma saída… você grita. Grita meu nome até o mundo inteiro ouvir. Entendeu?"

Harry aperta seu pulso de volta, sorrindo de verdade pela primeira vez.

"Até o Voldemort ficar surdo."

Tom aparece na porta, elegante como sempre, mas seus olhos escuros fixam-se nas mãos deles. Sirius solta Harry lentamente, mas não baixa o olhar. Tom ignora-o, dirigindo-se a Harry com um sorriso suave.

"Pronto para ir, amor? Ou precisa de mais um minuto com o… cão?"

Harry levanta-se, mas antes de sair, olha para Sirius uma última vez.

"Te vejo do lado de fora, padrinho."*  

E mesmo que o mundo inteiro desmorone, Sirius Black acredita nele.

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