Cher é uma jovem modelo conhecida por sua beleza angelical e sucesso nos anos 80, mas por trás do rosto perfeito carrega marcas de um passado difícil que a tornou ainda mais determinada. Quando acredita estar alcançado tudo o que sempre quis, seu mu...
O carro permanecia em silêncio durante quase toda a viagem, ninguém ousava dizer uma palavra. O carro cortava a madrugada, rapidamente entre a escuridão da estrada. Izzy o conduzia de forma calma mas com uma velocidade que fosse nos fazer chegar rápido e seguros.
Eu apenas olhava pela janela, vendo aquela escuridão do lado de fora, com a mente naquela ambulância que levou meu Dylan, ou no quarto frio em que ele se encontrava agora. Pensar nisso faziam as lágrimas descerem sem controle algum.
– Ele vai ficar bem – Axl se atreveu a falar, sua voz era rouca e baixa.
– Você não sabe. – Respondi já sem forças.
– E vou fazer acontecer, nem que eu precise implorar para o céu inteiro, eu não vou deixar que nada aconteça com o nosso pequeno.
Um silêncio breve se instaurou por alguns minutos até escutarmos a voz baixa de Steven.
– Eu só queria poder trocar de lugar com ele. – Disse do banco a frente do passageiro.
Não consegui lhe responder, apenas fechei os olhos e respirei fundo como se aquilo fosse de alguma forma amenizar um pouco da minha dor.
– Vamos focar no que interessa, Dylan precisa de todos nós bem. – Izzy se pronunciou pela primeira vez – Vamos nos manter forte por ele.
Estávamos com quase três horas de viagem, já na reta final, graças a Izzy que de alguma forma conseguiu encurtar mais ainda o tempo de volta.
Comecei a tremer e Axl que estava ao meu lado me olhou preocupado.
– Está com frio? – Disse enquanto pegava minha mão e entrelaçava nossos dedos.
– Estou com medo.
– Olha pra mim. – Sua mão livre puxou meu rosto delicadamente para olhá-lo – Nós estamos indo buscar ele tá bem? – Seus olhos encaravam os meus. – Nós vamos voltar com ele pra casa são e salvo.
– Axl – O chamei chorosa – Promete que se algo acontecer, não vai me deixar sozinha?! – Senti uma lágrima descer pela minha bochecha, a qual ele logo tratou de limpar.
– Eu nunca faria isso. Nunca, muito menos agora. Entenda que você é tudo pra mim Cher, você é o ar que respiro. Eu preciso de você e do meu filho pra minha vida ter sentido.
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O carro nem havia parado completamente quando abri a porta e sai o mais rápido que pude com Axl vindo logo atrás. Eu não conseguia ouvir nada ao meu redor, apenas o nome dele ecoava em minha mente repetidas vezes: Dylan. Dylan. Dylan.
O corredor parecia mais longo do que qualquer estrada entre Las Vegas e Los Angeles. Cheguei a recepção, praticamente caindo no balcão e antes mesmo que a recepcionista pudesse dizer algo, eu lhe cortei.
– Dylan Rose, Meu filho, chegou aqui há algumas horas, é um bebê, tem um ano. Sofreu uma queda. – Falei já perdendo o pouco ar que me restava. – Onde está meu filho?
A recepcionista me olhou assustada e foi olhar as fichas de pacientes, chamando um enfermeiro antes.
– Sra. Addams – Uma voz familiar me chamou, era Amy, estava sentada em um dos bancos, pálida, trêmula e seus olhos estavam vermelhos. - Eu só fui atender a porta. Quando voltei ele... ele já estava no chão e estava sangrando, não respondia, eu chamei a ambulância – sua voz vinha acompanhada de soluços.
– Você ficou com ele? – Axl perguntou com a voz embargada.
– Eu vim com ele na ambulância, o levaram pra UTI mas não me deixaram entrar porque não sou da família – Eu sentia a culpa em cada palavra que saia de sua boca.
Antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, o enfermeiro do plantão chegou. "Pais do Dylan Rose?" questionou ele e afirmamos.
– Ele está na UTI pediátrica. Mas – ele hesitou, olhando para os lados antes de continuar – a situação ainda é delicada, ele está inconsciente e passou por exames de imagem. O neurocirurgião está avaliando e ele está lutando, mas não temos garantias ainda.
Cambaleei pra trás quando o escutei e senti as mãos de Steven segurarem meus ombros. Olhei para Axl e ele estava sendo segurado por Izzy e Slash, seus olhos cheios de lágrimas assim como eu.
– Eu sei que não esperavam essa notícia, mas o doutor vai explicar tudo para vocês, preciso que me acompanhem até a UTI pediátrica. Apenas os pais são autorizados mas o restante de vocês pode acompanhar pelo vidro do lado de fora.
O caminho até o quarto em que Dyl estava foi doloroso, eu sentia como se carregasse o peso do mundo em meus ombros. Entrei no quarto com Axl e o doutor. já estava a nossa espera, meu coração se despedaçou quando olhei pra frente e vi Dylan naquela situação.
Ele estava deitado em uma pequena cama, com uma faixa em sua cabeça, rodeado de aparelhos, monitores em seu peito e um tubo de oxigênio. Sua pele estava pálida, o cateter em seu braço.
Era muito para digerir, ele estava ali tão frágil, tão quieto.
– Dylan, meu filho – Foi a única coisa que saiu de minha boca naquele momento.
Axl o olhava com os olhos arregalados, ele se aproximou lentamente de sua cama, ele estendeu uma de suas mãos em direção ao filho, mas hesitou.
– Sr. e Sra. Rose, Dylan sofreu um traumatismo craniano moderado. Está sedado, e a pressão intracraniana subiu nas últimas horas. Ele passou por exames, e se os sinais não estabilizarem logo, teremos que considerar uma intervenção cirúrgica de emergência.
Ao escutar isso, o choro veio novamente, um choro mais doloroso que antes. Axl se desesperou na hora e vi quando ele proferiu um soco na parede, como se fosse resolver algo, mas nós sabíamos que não iria.
– Dr. ele tem só um ano, ele nem sabe falar direito ainda – disse Axl, encarando o médico com lágrimas nos olhos. – Ele é só um bebê, o meu bebê.
O médico nos olhava com dó, afinal não era pra menos.
– Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance, tenham certeza disso. Mas agora, ele precisa de vocês. Fiquem com ele, conversem com ele. Isso importa mais do que parece. – Disse com a mão no ombro de Axl que chorava, tentando de alguma forma consolá-lo.