Cher P.O.V
Dois dias haviam se passado, dois dias de uma respiração mais estável, de uma leve reação, de avanço no quadro segundo o dr.
Estava sentada na poltrona ao lado de Dyl, aquela que já havia virado minha segunda cama. Acariciava seus fios ruivos enquanto cantava uma música de ninar que ele adorava, Axl havia ido pegar um café, depois de muita insistência minha, ele precisava sair um pouco daquele quarto, não que eu também não precisasse, mas eu ao menos saia para pegar um ar de vez em quando enquanto ele ficava aqui enfurnado.
Continuei acariciando seus cabelos, lentamente pois ainda tinha medo de machucá-lo, mas queria que ele sentisse meu toque, que ele soubesse que não precisava sentir medo, que a mãe dele o esperava ansiosa. Foi quando um bipe mais alto ecoou no quarto, me fazendo levantar no mesmo instante, jurei ter visto deus cílios se mexerem e me aproximei para ter certeza de que eu não estava começando a ver coisas.
– Dyl? É a mamãe filho.
Seus olhinhos foram se abrindo lentamente, como se estivesse conhecendo o mundo agora, até que eles finalmente se abriram e meu coração parou por um instante. Percebi que ele tentou virar o rosto quando o chamei novamente, e para que não fizesse nenhum esforço, me pus em seu campo de visão.
Sua boquinha começou a se mexer lentamente, seca por estar a tantos dias sem beber água. Seus lábios mexeram, no começo sem som, e depois sua vozinha fraca emitiu um som que eu morreria se não pudesse escutar novamente algum dia.
– Mama – Ele me chamou fraco enquanto eu não conseguia mais segurar as lágrimas.
– É a mamãe meu amor – Acariciei seu rosto, ainda pálido mas mais corado que antes. – Você voltou pra gente.
Axl P.O.V
Voltei da cafeteria com dois cafés, depois de tanta insistência por conta de Cher, sai um pouco daquele quarto, mas a preocupação parece que aumentava cada vez que ficava longe de Dylan.
Avistei o médico passando pelos corredores junto a enfermeira, diretamente para o quarto de Dyl e meu coração por um momento parou, os copos quase caíram da minha mão, pensei logo em Cher sozinha e logo tratei de ir em direção ao quarto, torcendo pra que nada de ruim tivesse acontecido.
Entrei no quarto rapidamente, com o coração a sair pela boca, quando meu olhos encontraram Cher, ela estava de pé ao lado da cama, com as mãos sobre o peito e seu olhar fixo. Deixei os copos em uma mesinha próxima e antes que eu pudesse me aproximar, ela havia se virado pra mim. Seus olhos marejavam, mas eu percebi que não era medo, era felicidade, alívio.
– Axl, ele acordou. – Sorriu entre as lágrimas. – Ele me chamou.
Antes de qualquer coisa se passar pela minha mente, me virei pra ele, e lá estava meu Dyl, com aqueles olhinhos azuis me olhando. Me aproximei, ajoelhando ao seu lado e com cuidado toquei seu rosto com a ponta dos dedos, ainda com medo de alguma forma machucá-lo.
– Papa – Sua voz era baixa, quase inaudível, mas real. Meu filho estava de volta.
– Sou eu meu filho, seu papai. – Minhas mãos tremiam, a garganta estava seca, mas um sorriso escapou quando vi que meu filho me reconheceu.
Vi o médico ajustando os monitores, falando coisas que eu mal ouvi. Só entendia "responde bem", "níveis estáveis", "reação positiva". E isso era tudo o que eu precisava saber por agora.
Beijei a testa dele com cuidado, sentindo o cheiro que eu tanto conhecia e amava.
– Você é tão forte Dyl – Falei baixo, mais pra mim mesmo do que pra ele.
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𝙈𝙮 𝙨𝙬𝙚𝙚𝙩 𝙖𝙣𝙜𝙚𝙡
FanfictionCher é uma jovem modelo conhecida por sua beleza angelical e sucesso nos anos 80, mas por trás do rosto perfeito carrega marcas de um passado difícil que a tornou ainda mais determinada. Quando acredita estar alcançado tudo o que sempre quis, seu mu...
