S/n caminhava pelas ruas úmidas de Londres. As luzes amarelas dos postes refletiam nos paralelepípedos, molhados, como o rosto dela. Ela apertava o cabo do guarda chuva, como se aquilo a mantivesse viva.
O vento cortava o rosto dela enquanto a chuva insistia em cair fina, quase cruel, como se Londres soubesse exatamente onde doía. S/n caminhava sem rumo, os passos ecoando vazios, o coração pesado demais para acompanhar o ritmo do corpo.
S/n e Deckard tinham brigado pela quarta vez na mesma semana.
Sempre o mesmo motivo.
Sempre a mesma desculpa.
Era quase 1:40 da manhã, S/n estava sentada na poltrona da sala, com o olhar fixo na janela, quando ouviu o barulho das chaves na porta. Deckard entrou pela mesma mancando um pouco, com a camisa suja de sangue e um corte na sobrancelha.
-Deckard! -S/n se levantou num pulo, correndo até ele. Mas ele se desvencilhou.
-Eu tô bem. -Disse indo até o aparador, e servindo um copo de whisky, bebendo o líquido todo de uma vez. -Só preciso de um banho.
-Banho? Você tem noção do quanto eu fiquei preocupada, Deckard? -S/n andou até ele.
-Eu estava trabalhando. Você sabe que eu não tenho hora para chegar. -Disse sem olhá-la.
-Por que você está agindo assim?
-Assim como, S/n? -Deckard caminhava em direção ao banheiro, enquanto tirava o sobretudo.
-Como se não se importasse comigo. -Ela respirou fundo. -Quer saber, eu odeio seu trabalho! Eu odeio essa vida que você leva! Eu nunca sei se você vai voltar ou se a próxima vez que eu vou te ver vai ser no IML!
Deckard parou no meio do corredor, e respirou fundo.
-É o meu trabalho, e você sabia da vida que eu levava antes de abandonar a sua família em Los Angeles para vir embora comigo. -Disse sem se virar.
-Pois eu não deveria ter abandonado. Eu devia ter escutado meu pai, você não ia mudar sua vida por mim.
-Então volte. -Ele se virou. Os olhos dele estavam escuros, mas, havia algo que S/n não sabia dizer.
-O quê?
-Volte para sua familiazinha e para sua tão adorada Los Angeles se é o que você quer.
-Eu não disse isso. -A voz de S/n saiu embargada, os olhos dela estavam cheios de lágrimas, ela não queria chorar. Droga, como não queria.
-Não? Pois foi o que me pareceu. -Ele se aproximou, ficando a um palmo de distância dela.
-Eu vou dar uma volta. -S/n se afastou e pegou um casaco qualquer que estava jogado no sofá e andou até a porta.
-Aonde você vai?
-Esfriar a cabeça. -S/n disse da porta.
-Eu não gosto que você saia sozinha nessa hora. -Deckard se aproximou.
-O que pode acontecer? Alguém me sequestrar e me torturar até a morte? Um bêbado me agarrar? -Ela riu sem humor, fazendo ele franzir a testa, um pouco preocupado. -Relaxa, não vou muito longe.
O som da porta batendo ecoou pelo apartamento. Deckard nem percebeu quando o casaco pesado escorregou de sua mão.
Ele chutou a primeira coisa que viu, o impacto seco vibrando pelo cômodo antes de a dor subir pela perna. Não ligou. Nada doía mais do que o silêncio que ela tinha deixado para trás.
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Imagines
FanfictionImagines sobre: Marvel; Velozes e Furiosos; Brooklin Nine Nine; Supernatural; E atores no geral!
