Alguns dias depois, o tornozelo de S/n já estava melhor, mas ela ainda evitava apoiar muito peso no pé. O quarto tinha o mesmo clima aconchegante de antes -a luz do abajur suave, alguns livros espalhados e a guitarra encostada no canto. A diferença era que Lee parecia ter se instalado ali de vez, pelo menos nos momentos em que podia ficar longe do barulho da sala de descanso.
Naquele fim de tarde, ele estava sentado na beira da cama, mexendo distraidamente na guitarra dela, dedilhando acordes leves que enchiam o quarto de um som tranquilo. S/n estava recostada nos travesseiros, o livro esquecido ao lado, observando-o em silêncio.
-Não sabia que tocava guitarra tão bem. -Ela comentou, meio surpresa consigo mesma por não conseguir tirar os olhos dele.
-Tenho talentos secretos. -Respondeu ele com aquele sorriso torto, brincalhão, mas o jeito que os olhos dele encontraram os dela deixou claro que não era só arrogância. -Mas você também não é nada mal no que faz... -Ele fez uma pausa, como se pensasse em continuar. -Só que você é mais interessante quando tá quietinha.
S/n riu, balançando a cabeça. -Quietinha eu não sou boa. Você sabe disso.
-É o que faz você ser você. -Ele respondeu, sério por um momento. -Além de bonitinha quando come batata frita. -Concluiu com uma piscadela.
Ela corou, desviando o olhar, mas não conseguiu conter o sorriso. Lee desligou a guitarra e colocou-a de lado, aproximando-se um pouco mais, sentando-se cruzando as pernas na cama.
-Ei... você tem que me prometer uma coisa. -Ele disse, com aquele tom que misturava brincadeira e seriedade.
-O que? -Perguntou S/n, curiosa.
-Sem sustos, sem machucar o tornozelo de novo. Pelo menos por alguns dias... -Ele estendeu a mão, pegando a dela de leve, como se quisesse garantir que ela não se machucaria sem que ele pudesse fazer algo a respeito.
Ela entrelaçou os dedos nos dele, sentindo o calor e a firmeza do toque. -Tá, prometo...
-É bom, porque eu ainda não me acostumei a te ver machucada. -Disse ele, com aquele tom rouco, baixo, que fazia o coração dela acelerar.
S/n sorriu, recostando a cabeça nos travesseiros, sentindo-se estranhamente segura com ele ali. Lee, por sua vez, observava cada gesto dela, cada pequeno movimento, como se fosse a coisa mais importante do mundo naquele momento.
Depois de alguns minutos de silêncio confortável, ele pegou a cerveja que havia deixado na mesinha e ofereceu para ela novamente, sem precisar de palavras. Ela aceitou, e juntos ficaram ali, quietos, dividindo aquele momento que parecia pertencer só a eles, apesar do resto do mundo estar cheio de explosões, tiros e risadas distantes.
[...]
S/n desceu as escadas devagar, mesmo já andando normalmente -um hábito adquirido depois de tantos dias com o pé machucado. O som de vozes, gargalhadas e garrafas batendo ecoava pela base. O cheiro de café e gasolina misturados denunciava que o time já estava acordado e espalhado por ali.
Quando ela apareceu no corredor, todos olharam quase ao mesmo tempo.
-A princesa saiu da torre! -Exclamou Gunnar, com um sorriso debochado.
-Milagre. -Disse Toll Road, cruzando os braços. -Achei que ia precisar trazer o mundo pra dentro daquele quarto.
-Podem guardar as piadinhas, por favor? Tava de repouso, não presa. -S/n levantou as mãos, fingindo rendição.
-Finalmente resolveu dar o ar da graça, sweetheart. -Lee, estava sentado na bancada com uma caneca de café, enquanto observava tudo em silêncio, com um sorrisinho satisfeito surgindo nos lábios.
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Imagines
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